Projeto nuclear da Marinha vira maior investimento militar do Brasil

Projeto nuclear da Marinha vira maior investimento militar do Brasil

O avanço do Programa Nuclear da Marinha ganhou peso inédito no orçamento militar brasileiro em 2025. Com R$ 1,4 bilhão em recursos, o projeto superou os investimentos nos caças Gripen e concentrou esforços no ciclo do combustível nuclear, em infraestrutura de geração nucleoelétrica e no reator destinado ao futuro submarino nuclear Álvaro Alberto. A Marinha registra oficialmente dotação final de R$ 1,442 bilhão para a ação orçamentária ligada ao desenvolvimento de sistemas de tecnologia nuclear em 2025.

Programa Nuclear da Marinha recebeu R$ 1,4 bilhão em 2025

Os recursos destinados ao Programa Nuclear da Marinha (PNM) financiam atividades ligadas ao domínio do ciclo do combustível nuclear, à implantação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE) e ao desenvolvimento tecnológico relacionado ao reator destinado ao futuro submarino nuclear brasileiro.

Dados divulgados pela própria Marinha mostram que a ação orçamentária relacionada ao programa teve dotação final de R$ 1.442.170.948 em 2025. Desse total, foram empenhados aproximadamente R$ 1,437 bilhão, liquidados R$ 1,359 bilhão e pagos R$ 1,353 bilhão durante o exercício.

Entre as frentes acompanhadas pelo programa está o ciclo do combustível nuclear. Documento da Marinha sobre os principais programas e projetos registra, ainda em 2025, atividades associadas à Unidade Piloto de Hexafluoreto de Urânio, ao Laboratório de Materiais Nucleares e a estruturas relacionadas aos rejeitos do ciclo do combustível.

LABGENE e reator integram o desenvolvimento tecnológico

Outra frente do programa é o LABGENE, estrutura destinada ao desenvolvimento relacionado à geração nucleoelétrica. Em 2025, o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo registrou, entre os instrumentos vinculados ao programa, serviços especializados de engenharia voltados especificamente às atividades do laboratório.

O desenvolvimento também abrange atividades de engenharia relacionadas à Planta Nuclear Embarcada do futuro submarino de propulsão nuclear. Documentos do CTMSP identificam trabalhos técnicos sob coordenação da Diretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha destinados a essa etapa.

A documentação oficial da Marinha ainda aponta possíveis reflexos tecnológicos do programa sobre a Base Industrial de Defesa, incluindo capacitação de empresas do setor nuclear, ampliação da experiência nacional na fabricação de reatores e desenvolvimento de tecnologias de aplicação militar e civil.

Gastos militares brasileiros chegaram a US$ 23,9 bilhões

O aumento dos recursos destinados ao desenvolvimento tecnológico naval ocorreu em um ano de crescimento do gasto militar brasileiro. Segundo o Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), o Brasil desembolsou US$ 23,9 bilhões em despesas militares em 2025.

O valor representou uma elevação de 13% em relação a 2024. O próprio SIPRI atribui o crescimento principalmente ao aumento dos investimentos em desenvolvimento tecnológico naval e aos maiores custos com pessoal militar.

O instituto também identificou o Brasil como o país com o maior volume absoluto de despesas militares na América do Sul em 2025. No conjunto da região, os gastos chegaram a US$ 56,3 bilhões naquele ano.

Recursos para inativos também pesam nas despesas

Ao mesmo tempo em que projetos tecnológicos receberam recursos adicionais, o levantamento utilizado como base desta matéria aponta crescimento das despesas associadas aos militares inativos.

Segundo os dados apresentados no levantamento, essas despesas passaram de R$ 50 bilhões em 2020 para R$ 60,7 bilhões em 2025, crescimento nominal de 21,4% no período.

O quadro coloca no mesmo orçamento duas dimensões distintas das despesas de Defesa: os recursos direcionados à manutenção de pessoal e os destinados ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas, entre elas o Programa Nuclear da Marinha.

Fonte: Defesa em Foco