RJ avança como polo energético e de fertilizantes, aponta Firjan

RJ avança como polo energético e de fertilizantes, aponta Firjan

O estado do Rio de Janeiro se consolida em 2026 como celeiro energético do país e pode se tornar o epicentro de uma reindustrialização baseada em produtos químicos de alto valor agregado e em fertilizantes para produção de alimentos no país. Com uma carteira de investimentos que supera a marca de R$ 25 bilhões projetada até 2030, a indústria fluminense avança por meio de mercados de petróleo, gás, energia e naval.

O objetivo é fazer com que a agregação de valor do petróleo e do gás natural aconteça no estado. Essa transformação ganha urgência diante de um cenário geopolítico internacional volátil, marcado por choques logísticos e pressões sobre cadeias globais de suprimentos. A análise integra a publicação “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026”, produzida pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), e que será lançada nesta quarta-feira (4).

“Chegamos a 2026 com uma mensagem muito clara:  o Rio de Janeiro se coloca, de forma cada vez mais efetiva, com infraestrutura portuária, energia abundante, disponibilidade de insumos, capacidade tecnológica, mão de obra qualificada e mercado para fortalecimento de novos investimentos nas indústrias petroquímica e de fertilizantes”, destacou Luiz Cesio Caetano, presidente da Firjan.

Para Caetano, o desafio agora é transformar todo esse potencial em produção, empregos e renda. “O petróleo e o gás natural são riquezas fundamentais do estado. Mas o seu valor para a sociedade só se multiplica verdadeiramente quando essas matérias-primas percorrem a cadeia de valor e chegam à indústria química, aos plásticos, aos materiais especiais e aos fertilizantes”, complementou o executivo.

Petroquímica Integrada
Em sua quinta edição, o estudo destacou que a entrada em plena operação da infraestrutura do Projeto Rota 3 e do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, aumentou a disponibilidade de insumos no estado. Com a capacidade de processamento de gás natural impulsionada pelos dois módulos da UPGN do Complexo, o Rio dispõe de uma oferta robusta de gás natural para alimentar a cadeia petroquímica e de fertilizantes.

O tradicional Polo Petroquímico de Duque de Caxias também desempenha um papel fundamental, abrigando investimentos relevantes em modernização. Entre os destaques está o projeto Transforma Rio, da Braskem, que prevê um aporte da ordem de R$ 4,3 bilhões para a construção de um novo cracker de etano e a ampliação da produção de polietileno em aproximadamente 230 mil toneladas anuais.

A partir de 2028, o Projeto Raia, liderado pela companhia norueguesa Equinor, poderá adicionar 16 milhões de m³/dia de gás natural ao mercado brasileiro, gerando novas oportunidades para as indústrias petroquímica e de fertilizantes.

Fertilizantes e Soberania Alimentar
O levantamento da Firjan também chama a atenção para o estado também assumindo protagonismo institucional e tecnológico no mercado de fetilizantes: além da sede do CEFENP — Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas, o Rio de Janeiro contará com um hub para escalonamento de tecnologias.
“Há ainda os novos complexos industriais no Norte Fluminense, com projetos em Macaé e no Porto do Açu, em São João da Barra, que visam implantar unidades produtoras de fertilizantes nitrogenados de grande porte, aproveitando a proximidade com os gasodutos do pré-sal para a produção de amônia e ureia”, destacou Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.

O ano de 2026 impôs um teste severo à cadeia produtiva com a escassez global e a disparada nos preços do enxofre (insumo vital para a fabricação de ácido sulfúrico). A avaliação é que a crise evidenciou que a soberania agrícola não depende apenas de nitrogênio (N), potássio (P) e fósforo (K), mas de toda a cadeia de insumos intermediários.

“O grande desafio da próxima década já não é a descoberta de recursos, mas a execução coordenada de políticas que garantam preços competitivos de gás natural, segurança jurídica e previsibilidade regulatória. Ao transformar a sua riqueza geológica em valor industrial, o Rio de Janeiro lidera a retomada da soberania produtiva do Brasil, gerando emprego e renda”, disse Karine.

Fonte: Portos e Navios