Produção de gás natural ultrapassa a de petróleo no onshore
A produção de gás natural ultrapassou a de petróleo no ambiente onshore do Brasil na última década, refletindo a superação da produção terrestre da Petrobras pela produção das demais concessionárias. A mudança estrutural da produção do onshore brasileiro foi destacada na 11ª edição do Boletim de Exploração e Produção de Petróleo e Gás divulgado nesta segunda-feira (24) pelo Ineep.
Segundo o Instituto, o volume de gás natural produzido em terra aumentou de 47,5% em 2015 para 65,7% em 2026 na produção total onshore do país. Em 2015, a produção nacional onshore foi de 304,5 mil boe/d, dos quais 144,5 mil boe/d correspondiam ao gás natural. Já em 2026, a produção em terra recuou para 236,4 mil boe/d, mas os volumes de gás alcançaram 155,3 mil boe/d.
“Ao mesmo tempo em que a produção média total diminuiu desde 2004, ocorreu uma mudança estrutural em sua composição, com o aumento da participação do gás natural na oferta terrestre, sobretudo na última década. Esse movimento reforça a importância do onshore não apenas como fonte de petróleo, mas também como componente relevante da oferta nacional de gás natural”, destacou o boletim do Ineep, com coordenação técnica do pesquisador Francismar Ferreira.
O Ineep também demonstrou como a atividade onshore possui capacidade de articulação com as economias locais e regionais, devido à sua distribuição em diferentes estados e bacias. “A recuperação do setor desde 2023 demonstra que se houver a ampliação dos investimentos destinados à revitalização de áreas maduras e à expansão das atividades exploratórias, podemos ampliar o aproveitamento dos recursos onshore existentes e contribuir para o desenvolvimento econômico e social das regiões produtoras”, declarou o Ineep.
O boletim destacou ainda o movimento de substituição da Petrobras na produção de óleo e gás onshore também na última década. A produção onshore da Petrobras recuou de 273,6 mil boe/d em 2015 para 107,4 mil boe/d em 2026, uma redução de 60,7%. Como consequência, sua participação na produção onshore recuou de 89,8% para 45,4% entre 2015 e 2026.
Em sentido oposto, segundo o Boletim do Ineep, a participação das demais concessionárias, no mesmo período, aumentou de 10,2% para 54,6% e 2015 a 2026. “Esse movimento decorreu principalmente da alienação de ativos em diferentes bacias terrestres, sobretudo entre 2016 e 2022, levando inclusive ao encerramento das operações da estatal em diversas áreas”, diz o documento.
De acordo com o Ineep, “esse processo alterou a própria estrutura empresarial do segmento, com implicações sobre os investimentos, a exploração, o desenvolvimento tecnológico e a organização das cadeias de fornecedores”.
Produção no segundo trimestre
Segundo o Boletim do Ineep, com base nos dados da ANP, a produção média de petróleo e gás do país atingiu 5,69 milhões de boe/d no segundo trimestre deste ano, sendo 4,67 milhões de boe/d para o pré-sal, 790 mil boe/d para o pós-sal e 240 mil boe/d para o onshore.
Na comparação com o 2T25, a produção nacional apresentou crescimento de 19%. Em relação ao pré-sal, houve alta de 22,8%, enquanto o pós-sal e o onshore apresentaram, no mesmo período, um aumento de 6,1% e 1,1% respectivamente.
Os volumes de petróleo foram de 4,37 milhões boe/d, alta de 18,5% em comparação com o 2T25 e 7% maior que o verificado no 1T26. No mesmo período, a produção média de gás natural atingiu 1,32 milhão boe/d, volume 20,5% maior que o registrado no 2T25 e 5,7% maior que o observado no 1T26.
A bacia que registrou a maior produção no 2T26 foi a de Santos (78,6% da produção nacional com 4,47 milhões de boe/d), seguida da produção das bacias de Campos (953,4 mil boe/d), Solimões (95 mil boe/d), Recôncavo (36,6 mil boe/d), Potiguar (33,5 mil boe/d), Parnaíba (29,2 mil boe/d), Espírito Santo (19,1 mil boe/d), Alagoas (17 mil boe/d), Sergipe (13 mil boe/d) e Amazonas, Tucano Sul, Paraná e Barreirinhas (juntas produziram a média de 5,9 mil boe/d).
Fonte: Brasil Energia






