Plano de descarbonização da Transpetro prevê R$ 42 milhões em 4 anos

Plano de descarbonização da Transpetro prevê R$ 42 milhões em 4 anos

A Transpetro vai investir R$ 42 milhões em iniciativas de seu plano de descarbonização, de 2026 a 2030, montante superior aos R$ 37 milhões da fase anterior que contemplou uma frota de 32 navios. Entre as novidades da fase três está a defesa do etanol como combustível do furto que estará nos 16 navios recém-encomendados – quatro Handy, oito gaseiros e quatro MR1 – já bicombustíveis preparados para rodar com etanol.

“Estamos vivendo um interregno, em que os padrões aos quais estávamos habituados não aguentamos mais enfrentar os desafios, mas o novo ainda não nasceu, ainda está sendo formado. Estamos vivendo uma mudança de era também no tema da descarbonização. Temos questões ligadas à integridade, inovação e sustentabilidade. Nós é que temos de discutir nossas questões, não precisamos ser pautados por decisões externas. Temos condições de discutir nosso destino, como, por exemplo, qual será o combustível da transição energética”, defendeu Jones Soares, diretor de transporte da Transpetro.

Ele destacou que o setor marítimo responde por apenas 2,5% das emissões globais. O modal marítimo é o mais sustentável, emitindo 2,5 CO2 por tonelada, antes 80 do caminhão, 35 do trem e 435 do avião. “Um país com 8 mil km de costa como o Brasil deveria ter como principal modal o aquaviário. Navios, terminais, portos, TUPs todos estão engajados pela sustentabilidade. Mas a transição energética tem de ser equilibrada, justa e levar em relação à segurança energética. Todos têm de contribuir”, destacou Soares.

O diretor observa que, nos últimos anos, o setor tem visto um regulador de tsunami em termos de novas regras: limite de 0,5% do enxofre no bunker; sistemas de tratamento de água de último, que exigem sistemas de tratamento ao custo de US$ 1 milhão e agora a estratégia de descarbonização da Organização Marítima Internacional (IMO).

“O carbono virou custo operacional, a eficiência energética deixou de ser opcional e a pressão regulatória é cada vez maior. Um navio que sai do Brasil começa a emitir aqui, mas se vai para a Europa é taxado lá para um fundo que não se sabe em que vai ser investido. Há um impasse enorme na IMO. E a meta de net zero em 2050 é tentar, o que vai acontecer na MEPC 85 (próxima reunião do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho da IMO) e nós armadores precisamos de um mínimo de estabilidade para investir em quatro anos para 2030. Ninguém sabe qual será o combustível da descarbonização”, alertou Soares.

Ele explicou que o plano de descarbonização da Transpetro é baseado em inovação e tecnologia que já está madura e em custo. E observamos que já existem tecnologias que reduzem as emissões como tintas anti-incrustação reduzida de 10% a 20% as emissões; apêndice do casco no propulsor com redução de 4 a 5% no consumo de combustível; limpeza de casco por robô; algoritmos de otimização de rotas.

“Já atingimos resultados significativos com investimentos de R$ 37 milhões entre 2022 e 2025, com 55 milhões de toneladas de CO2 que foram evitadas de ir para a atmosfera. Prevemos aumentar nossa capacidade de ter navios mais verdes com mais R$ 42 milhões em outras tecnologias de 2026 a 2031 na fase 2. Um exemplo é o desligamento dos motores de combustão auxiliares (geradores) quando os navios chegam aos portos e passam a usar energia de terra. O Porto de Pecém já terá essa infraestrutura. Mas a fase 3 exigirá a reposição de combustível net zero em 2050 é muito exigente, mas vamos fazer de tudo para atingir”, sinalizou o diretor da Transpetro.

Ele disse que, para isso, a empresa e a Marinha defendem uma solução brasileira para ser considerada como o combustível do futuro: o etanol. E questiona a eficácia de combustíveis para aqueles que não há infraestrutura ou causam riscos como GNL, metanol e amônia. “Não adianta ter um navio tri-combustível e não ter como abastecer, nem apostar num combustível que gera risco para a população como a amônia. Não está claro a verdadeira capacidade de mitigar o risco da amônia. Já testamos bunker com 10%, 24% e 30% de biocombustível, sem interferência no funcionamento do motor. Essa solução permite aproveitar a mesma rede e a mesma bomba e reduz as emissões. Essas três opções já nos permitiram evitar 440 mil euros em Tem grande potencial técnico e econômico Se a IMO não der um sinal claro, vários países vão começar a fazer suas organizações”, defendeu Soares.

Fonte: Portos e Navios