PL tenta barrar votação, mas admite derrota se PEC do fim da escala 6x1 chegar ao plenário

PL tenta barrar votação, mas admite derrota se PEC do fim da escala 6×1 chegar ao plenário

A coordenação da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República vai tentar evitar a votação da PEC do fim da escala 6×1 e da PEC da Segurança Pública, mas admite nos bastidores que as propostas têm chances de serem aprovadas caso cheguem ao plenário do Senado.

Aliados do candidato do PL avaliam que os senadores da oposição teriam dificuldade de votar contra as medidas em pleno período eleitoral. A preocupação é maior em relação à PEC do fim da escala 6×1, proposta que reduz a jornada de trabalho ao alterar o atual modelo em que o trabalhador atua seis dias para descansar um. O PL contava com as animosidades entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que as propostas não avançassem na Casa.

Diante desse cenário, a estratégia da oposição será exigir o cumprimento rigoroso do regimento interno do Senado. Entre outros pontos, as regras da Casa determinam um intervalo mínimo de cinco sessões entre as votações de primeiro e segundo turno de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Segundo interlocutores do senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, ele pretende defender publicamente a importância dos temas tratados pelas propostas, mas argumentará que elas precisam ser debatidas com mais profundidade e, por isso, não deveriam ser votadas no calor da campanha presidencial.

A avaliação do PL é que uma discussão dessa dimensão deveria ocorrer apenas depois das eleições.

Ambiente no Senado

Apesar da tentativa de adiar a análise das matérias, o ambiente político no Senado é considerado favorável à votação tanto da PEC do fim da escala 6×1 quanto da PEC da Segurança Pública durante o esforço concentrado previsto para a próxima semana. Nesse cenário, integrantes do partido trabalham com a possibilidade de aprovação das duas propostas. Senadores da legenda lembram, inclusive, que deputados do próprio PL votaram majoritariamente a favor das medidas durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Nesta quarta-feira (26), Lula se reunirá com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para discutir as votações previstas para a próxima semana.

Nesse contexto, Lula tem aumentado sua presença nas redes para fazer defesa da PEC do fim da escala 6×1. Inclusive, fez duas publicações seguidas: uma nesta segunda (24) e, outra, nesta terça (25). No primeiro texto, sem citar nomes, o presidente afirmou que “há pessoas que jogam contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras”, mas que seu governo está empenhado na aprovação da proposta. Na segunda mensagem, ele exaltou a importância da proposta para o trabalhador e afirmou ter certeza que ela avançará no Congresso. Lula frisou: “não adianta jogar contra”.

Outros projetos

Além das duas PECs, o Palácio do Planalto trabalha para aprovar a medida provisória que extingue a chamada taxa das blusinhas e o projeto que regulamenta a exploração de terras raras no Brasil, consideradas estratégicas para a indústria de tecnologia e de transição energética. Relator da PEC do fim da escala 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador Omar Aziz (PSD-AM), aliado do governo, afirmou que pretende divulgar ainda nesta semana um parecer favorável à proposta. Segundo Aziz, o relatório estará pronto para ser votado na próxima semana tanto na CCJ quanto no plenário do Senado, acelerando a tramitação de uma das principais bandeiras defendidas pelo presidente Lula na área trabalhista.

Fonte: G1