Múcio vê potencial para o Brasil ampliar exportações na área de defesa, incluindo embarcações militares

Múcio vê potencial para o Brasil ampliar exportações na área de defesa, incluindo embarcações militares

O Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que os programas de reaparelhamento da Marinha do Brasil, que incluem a construção de fragatas, navios-patrulha, submarinos e outras embarcações militares, criam possibilidades para o Brasil exportar materiais de defesa, principalmente para países sul-americanos. Em entrevista nesta segunda-feira (27), após a cerimônia de batismo e lançamento do navio-patrulha Mangaratiba, no Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ), ele informou que, no ano passado, o total de vendas do segmento ao exterior chegou a 3,4 bilhões de dólares, contra 628 milhões de dólares que foram exportados até o início do atual governo.

Segundo Múcio, a cada ano o país tem conseguido dobrar o valor das vendas ao exterior de material de defesa. Ele disse ainda que investir em defesa, além de aumentar a capacidade do Brasil defender suas fronteiras e suas riquezas, significa gerar tecnologia, empregos e impostos e que o país tem avançado nisso, com os programas de reaparelhamento da Marinha, incluindo transferência de conhecimento.

Por isso, para ele, o Brasil aparece na vanguarda no setor no continente e pode, a partir das construções para a Marinha, ampliar as vendas, incluindo embarcações. “Temos uma clientela potencial aqui na América do Sul querendo comprar fragatas, submarinos e outros barcos. E tudo isso nós fazemos muito bem, com tecnologia brasileira e com engenharia brasileira”, afirmou.

Entre os programas citados pelo ministro está o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha (Pronapa), financiado com recursos no Novo Plano de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), para a construção de embarcações da classe Macaé. O quarto da série, o  Mangaratiba , finalizado no AMRJ, foi lançado nesta segunda-feira (27) e batizado pela secretária-geral do Ministério da Defesa, Cinara Wagner Fredo.

O embarque tem 54,2 metros de comprimento, comportando tripulação de até 51 militares, terá raio de ação de 2.500 milhas náuticas, superiores a quatro mil milhas, e será usado em missões de patrulhamento no mar territorial brasileiro, como na proteção das plataformas de petróleo e gás, de busca e salvamento e no combate a crimes, como tráfico internacional de drogas e contrabando. Além do  Mangaratiba , está sendo construído no Arsenal de Marinha o  Miramar , que será o quinto navio da classe Macaé.

Na cerimônia, José Múcio Monteiro informou que a  Mangaratiba  será usada inicialmente pelo 4º Distrito Naval, no patrulhamento na região Norte do país, principalmente na Margem Equatorial, onde a Petrobras faz estudos de previsões para exploração de petróleo e gás no mar. “Essa obra de engenharia naval é fundamental para a proteção da nossa nova fronteira exploratória de petróleo e gás na Margem Equatorial”, ressaltou o ministro, ao comentar a construção do navio-patrulha.

Ele afirmou ainda que, apesar dos avanços que foram alcançados em termos de reaparelhamento da Marinha, o número de navios da força ainda é pequeno para cobrir os 8.500 quilômetros da costa do Brasil. E destacou que é preciso dar atenção especial às regiões Nordeste e Norte, que ainda são, segundo ele, as menos protegidas. “A gente cuida do sul. A Marinha está no Rio de Janeiro, mas temos um país inteiro no Norte do Brasil”, explicou.

Por isso, disse ele, é preciso investir mais para dotar a Amazônia, o Norte e a Margem Equatorial de capacidade de defesa das riquezas brasileiras. Mas, segundo Múcio, esse projeto, que é classificado como “desafio gigantesco”, deve ser responsabilidade dos futuros governos, ressaltando que o atual aprovou uma destinação de R$ 30 bilhões para que sejam investidos em novos programas para ampliar a capacidade de defesa do Brasil, mesmo que ainda não preveja cobrir tudo o que é necessário. “Nos próximos cinco anos, seremos melhores que fomos nos cinco anteriores, mas ainda aquém do que o Brasil precisa”, disse.

De acordo com a Marinha, o Pronapa tem potencial para criar 7.500 empregos, sendo 450 diretos, 1.050 indiretos e 6.000 induzidos, além de contribuir para a modernização do Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro, o mais antigo estaleiro do Brasil, criado em 1763. A previsão é que, a partir do programa, sejam incorporados no total 20 navios-patrulha nos próximos 20 anos.

Fonte: Revista Portos e Navios