Marinha do Brasil prevê incorporar três fragatas até 2029

Marinha do Brasil prevê incorporar três fragatas até 2029

Marinha do Brasil planeja incorporar mais três Fragatas Classe Tamandaré à Esquadra entre 2027 e 2029, dando continuidade ao maior programa de renovação da força de superfície das últimas décadas. As informações constam em ofício encaminhado à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, que detalha o cronograma de construção das embarcações e a necessidade de novos investimentos para concluir o primeiro lote de quatro navios. A primeira unidade, a Fragata Tamandaré (F200), já integra a Esquadra desde abril de 2026, enquanto as demais avançam em diferentes fases de construção e testes.

Cronograma prevê ampliação gradual da Esquadra até 2029

A incorporação das Fragatas Classe Tamandaré representa um marco no processo de modernização da Marinha do Brasil. O programa foi concebido para substituir gradualmente navios mais antigos da força de superfície, garantindo maior capacidade operacional para enfrentar os desafios atuais da defesa marítima.

A primeira embarcação da classe, a Fragata Tamandaré (F200), foi incorporada à Esquadra em 24 de abril de 2026. Antes disso, em 6 de março, a embarcação havia sido recebida provisoriamente pela Marinha, iniciando a fase de avaliações finais e preparação para o recebimento definitivo, previsto para março de 2027.

As demais unidades seguem cronograma de construção. A Fragata Jerônimo de Albuquerque (F201) atingiu aproximadamente 79% de execução e encontra-se em fase de testes de sistemas no estaleiro. As provas de mar devem começar em agosto, com incorporação prevista para janeiro de 2027.

Já a Fragata Cunha Moreira (F202) alcançou cerca de 60% de construção e encontra-se na etapa final da montagem do casco. O lançamento ao mar representa um importante avanço para o programa, enquanto sua entrada em operação está prevista para fevereiro de 2028.

A quarta embarcação do lote, a Fragata Mariz e Barros (F203), iniciou sua construção em janeiro de 2026 e já alcançou aproximadamente 43% de execução. O batimento de quilha deverá ocorrer ainda este ano, e sua incorporação à Esquadra está prevista para fevereiro de 2029.

Programa Tamandaré impulsiona a Base Industrial de Defesa

Além do fortalecimento da capacidade operacional da Marinha, o Programa Fragatas Classe Tamandaré representa um dos maiores projetos de desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.

As quatro fragatas estão sendo construídas no TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), pelo Consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp Marine Systems (tkMS)Embraer Defesa & Segurança e Atech. O projeto contempla transferência de tecnologia, nacionalização de sistemas, qualificação de mão de obra especializada e fortalecimento da indústria naval brasileira.

Segundo dados encaminhados pela Marinha ao Congresso Nacional, até abril de 2026 o programa havia recebido R$ 9,525 bilhões em investimentos. Para concluir o primeiro lote de quatro fragatas ainda serão necessários R$ 4,724 bilhões, dos quais R$ 3,082 bilhões dependem de recursos previstos no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).

A manutenção desse fluxo de investimentos é considerada essencial para preservar o cronograma de construção, garantir a continuidade da transferência tecnológica e consolidar capacidades industriais estratégicas para o país.

Novas fragatas ampliam a capacidade de defesa marítima

As Fragatas Classe Tamandaré foram projetadas para executar uma ampla gama de missões, incluindo escolta de naviosproteção das Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB), defesa antiaérea, guerra antissubmarino, guerra de superfície e operações de presença no Atlântico Sul.

Equipadas com modernos sensores, radares tridimensionais, sistemas integrados de combate e armamentos de última geração, as embarcações proporcionarão um significativo aumento da capacidade de vigilância e resposta da Marinha diante de ameaças convencionais e assimétricas.

A renovação da Esquadra ocorre em um momento de crescente importância estratégica do ambiente marítimo brasileiro. O chamado Amazônia Azul, que compreende uma extensa área marítima sob jurisdição nacional, concentra importantes rotas comerciais, recursos pesqueiros, cabos submarinos de comunicação e reservas de petróleo e gás, exigindo uma força naval moderna e preparada para garantir sua proteção.

Ao concluir o primeiro lote das Fragatas Classe Tamandaré, a Marinha dará um passo importante na renovação de sua força de superfície, ampliando sua capacidade de dissuasão, presença naval e defesa dos interesses estratégicos do Brasil.

O futuro da Esquadra brasileira

O Programa Fragatas Classe Tamandaré é considerado um dos pilares do processo de modernização da Marinha. Além de substituir meios que se aproximam do fim de sua vida útil, o projeto estabelece uma nova base tecnológica para futuras embarcações de combate.

Especialistas em Defesa apontam que a continuidade do programa poderá abrir caminho para novos lotes de fragatas, ampliando a capacidade operacional da Esquadra nas próximas décadas e fortalecendo a autonomia tecnológica nacional na construção de navios militares.

Mais do que incorporar quatro novas embarcações, o programa representa um investimento de longo prazo na soberania marítima, na indústria nacional e na capacidade do Brasil de proteger seus interesses no Atlântico Sul.

Fonte: Defesa em Foco