Marinha do Brasil apoia força-tarefa para retomada da navegação comercial na nova hidrovia do Rio São Francisco

Marinha do Brasil apoia força-tarefa para retomada da navegação comercial na nova hidrovia do Rio São Francisco

Nas águas do “Velho Chico”, a Marinha do Brasil (MB) se une a uma força-tarefa para retomar a navegação comercial em uma das mais importantes vias de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental do País. A missão exploratória partiu de Pirapora (MG), no dia 2 de abril, com cinco embarcações (a barca Cidade Pirapora, duas chatas, a draga Matrichã e um rebocador), descendo o rio com destino a Juazeiro (BA), totalizando 1.371 quilômetros de extensão da nova hidrovia. No dia 15 de abril, o comboio atracou próximo à barragem de Sobradinho, concluindo a primeira etapa da missão.

A partir da autorização do Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), a Companhia das Docas do Estado da Bahia – CODEBA, Autoridade Portuária Federal, elaborou o projeto da nova hidrovia do Rio São Francisco e organizou a documentação das embarcações junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para transportá-las até Juazeiro, onde serão feitas as manutenções. O planejamento envolveu estudos técnicos, monitoramento contínuo e análise das condições naturais do rio que, nesta época do ano, apresenta condições favoráveis de navegação devido à cheia.

Militares da MB da Delegacia Fluvial de Pirapora; Agência Fluvial de Bom Jesus da Lapa; Capitania Fluvial de Juazeiro e do Comando do 2º Distrito Naval (Com2ºDN) acompanham o comboio histórico garantindo a segurança dos equipamentos e das pessoas que conduzem a embarcação nessa primeira missão exploratória voltada à retomada da navegação no “Velho Chico”.

O Assessor de Comunicação do Com2ºDN, Capitão de Mar e Guerra (Quadro Técnico) Flávio Almeida, foi agente fluvial de Juazeiro há 20 anos (de 2004 a 2006), época em que a hidrovia funcionava a todo vapor. Ele conta que os comboios seguiam em direção a Ibotirama (BA) buscando os grãos do Oeste da Bahia, como soja, caroço de algodão e milho, que eram trazidos para a região de Juazeiro e Petrolina. Da mesma forma, existiam outras embarcações comerciais que iam até Minas Gerais buscando víveres. A navegação funcionava plenamente e era uma alegria para a população dessas cidades, pois criava muitas oportunidades.

“Esse momento, além de histórico, é importante e emocionante pois traz esperança para as pessoas que vivem aqui no Vale do São Francisco, gerando emprego, renda e oportunidades. É bom estar aqui em nome da Marinha do Brasil contribuindo para o desenvolvimento do Vale do São Francisco, como nós fazemos em todo o Brasil.”

O apoio neste momento é fundamental, pois a hidrovia está sem sinalização e balizamento, etapa que será concluída após estudos técnicos.

Navegando com a experiência

Uma missão como essa envolve o esforço de todos. Cada pessoa da tripulação é fundamental. Nesse caminho, as experiências se unem. Reginaldo Santos, Comandante do Comboio, navega no São Francisco há mais de 40 anos e se considera um desbravador da nova era.

Unindo experiências do conhecimento empírico e das tecnologias de navegação, o olhar certeiro para a rota navegável do Rio vem de muitos anos no timão. “É gratificante a Marinha ter nos acompanhado. Conhecer nossa lida do dia a dia e quando traz a modernidade junto, há o aprendizado e a possibilidade de mudança”, disse Reginaldo.

Aprendizados e esperança

O Segundo-Sargento (Manobras e Reparos) Ricardo Luiz Rodrigues Gomes é natural da Zona da Mata, em Pernambuco, e auxiliou a navegação com os conhecimentos técnicos. Para ele, o comboio trouxe lições de vida com conhecimento lento, manso, que os velhos historiadores do São Francisco mostravam a cada dia, a cada virada de timão.

Hidrovia estratégica

Fundamental para a integração e o desenvolvimento do Brasil, a nova hidrovia vai permitir a retomada da navegação comercial desde Pirapora, em Minas Gerais (MG), até Juazeiro (BA) e Petrolina, em Pernambuco (PE). Esse tipo de operação não ocorre no “Velho Chico” desde 2012, em função do assoreamento de trechos desse rio essencial para a integração nacional.

Segundo o MPor, o projeto foi dividido em três etapas em função de sua magnitude. Todas preveem integração intermodal por rodovias e ferrovias, com o objetivo de aumentar a eficiência logística, promover a sustentabilidade e reduzir custos. A expectativa é de que cinco milhões de toneladas de carga sejam transportadas no trecho já no primeiro ano de operações.

A retomada da navegação no Rio São Francisco representa um avanço para a integração regional e o desenvolvimento econômico. A operação contribui para o fortalecimento da logística, a geração de emprego e renda e a ampliação das oportunidades para as comunidades ribeirinhas.

Com a reativação da hidrovia, o rio volta a desempenhar papel estratégico no transporte de cargas e na conexão entre diferentes regiões do País, reforçando sua importância para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Marinha de Notícias