Marinha apresenta tecnologia inédita de embarcações autônomas na maior feira de drones da América Latina

Marinha apresenta tecnologia inédita de embarcações autônomas na maior feira de drones da América Latina

A transformação digital e o avanço dos sistemas autônomos ganharam protagonismo na participação da Marinha do Brasil na DroneShow Robotics 2026, considerada a maior feira de drones da América Latina. Durante o evento realizado em São Paulo, a Força Naval apresentou tecnologias nacionais voltadas ao monitoramento marítimo, à proteção de infraestruturas estratégicas e ao fortalecimento da soberania brasileira na Amazônia Azul.

Por meio da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM), foram expostos projetos desenvolvidos nas áreas de ciência, tecnologia e inovação, evidenciando a capacidade nacional de produzir soluções avançadas para os desafios operacionais do século XXI. A participação ocorreu em um ambiente que reuniu empresas, universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais, reforçando a integração entre a Base Industrial de Defesa e a comunidade científica brasileira.

PRISMA inaugura uma nova geração de embarcações autônomas brasileiras

O principal destaque da Marinha na DroneShow Robotics 2026 foi a Plataforma Remota de Interface para Sistemas Marítimos Autônomos (PRISMA), desenvolvida pelo Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV). A tecnologia representa um avanço significativo ao permitir que embarcações convencionais sejam convertidas em Veículos de Superfície Não Tripulados, ampliando a segurança e a flexibilidade das operações navais.

O sistema utiliza cartas náuticas vetoriais de alta precisão e ferramentas avançadas de planejamento de rotas capazes de adaptar automaticamente a navegação às condições ambientais encontradas durante a missão. Sua arquitetura modular possibilita a incorporação contínua de novas funcionalidades e diferentes tipos de sensores, tornando o PRISMA uma solução versátil para aplicações militares e estratégicas.

Durante a feira, uma demonstração chamou a atenção dos visitantes ao permitir o controle remoto de uma embarcação localizada no Rio de Janeiro a partir do estande da Marinha em São Paulo. O feito evidenciou a maturidade tecnológica alcançada pelo sistema e seu potencial para reduzir a exposição de militares em áreas de risco, ampliando a consciência situacional e a eficiência das operações marítimas.

As possibilidades de emprego incluem missões de patrulha naval, reconhecimento, busca e salvamento, guerra de minas, inteligência e proteção de infraestruturas críticas, consolidando o PRISMA como um multiplicador de capacidades operativas para a Força Naval brasileira.

SisGAAz e geointeligência fortalecem a proteção da Amazônia Azul

Outro tema central apresentado durante a DroneShow Robotics foi a integração entre sistemas autônomos e a estrutura de monitoramento da Amazônia Azul. Durante o Fórum de Geointeligência na Segurança e Defesa, representantes da Marinha destacaram o papel do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) na ampliação da consciência situacional marítima brasileira.

A iniciativa reúne radares, sensores, meios navais, informações geoespaciais e sistemas de vigilância capazes de monitorar milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição nacional. O objetivo é fortalecer a proteção dos recursos naturais, combater atividades ilícitas e garantir a segurança das infraestruturas estratégicas existentes no ambiente marítimo.

A integração do PRISMA ao SisGAAz representa uma evolução natural do conceito de vigilância naval moderna. O emprego de veículos autônomos amplia a capacidade de coleta de dados em regiões remotas e permite uma presença operacional mais constante, reduzindo custos e aumentando a eficiência das ações de monitoramento.

Em um cenário internacional marcado pela crescente valorização dos recursos marítimos e das rotas comerciais, a combinação entre geointeligência, automação e sistemas não tripulados assume importância estratégica para a preservação da soberania brasileira sobre a Amazônia Azul.

Ciência, inovação e transformação digital impulsionam a soberania nacional

Além do PRISMA, a Marinha apresentou outras soluções tecnológicas desenvolvidas por seus centros de pesquisa e inovação. Entre elas destacaram-se o Veículo Submarino Autônomo empregado em operações de contramedidas de minagem e monitoramento do fundo marinho, o Robô Expedicionário do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais para atuação em ambientes NBQR e o Simulador Virtual para Estudo Topotático do Terreno (SVETT), utilizado na formação de Fuzileiros Navais.

Essas iniciativas demonstram que a transformação digital tornou-se elemento central da estratégia de modernização da Força Naval. O investimento em pesquisa aplicada, inteligência artificial, sistemas autônomos e experiências imersivas fortalece não apenas as capacidades militares, mas também impulsiona a inovação tecnológica nacional e a Base Industrial de Defesa.

A participação da Marinha na maior feira de drones da América Latina reafirma o compromisso institucional com a ciência e a inovação como instrumentos fundamentais para a segurança do Estado brasileiro. Ao integrar universidades, empresas e centros tecnológicos em torno de objetivos estratégicos comuns, a Força contribui para consolidar uma cultura de desenvolvimento tecnológico alinhada às necessidades da Defesa Nacional.

Mais do que acompanhar tendências globais, a Marinha do Brasil demonstra capacidade de produzir soluções próprias, adaptadas às particularidades do ambiente marítimo nacional e orientadas para a proteção dos interesses estratégicos do país. Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologias autônomas, investir em conhecimento e inovação tornou-se requisito indispensável para preservar a soberania e ampliar a presença brasileira no Atlântico Sul.

Fonte: Defesa em Foco