Marinha amplia apoio à pesquisa científica brasileira na Antártica

Marinha amplia apoio à pesquisa científica brasileira na Antártica

A produção de conhecimento científico em um dos ambientes mais extremos do planeta ganhou novo impulso no último domingo (4), com a partida do Navio Polar (NPo) “Almirante Maximiano” e do Navio de Apoio Oceanográfico (NApOc) “Ary Rongel” para a 45ª Operação Antártica (OPERANTAR XLV). Os dois navios desatracaram da Base Naval da Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro (RJ), dando início a uma comissão de mais de seis meses em apoio às atividades brasileiras no continente antártico. Mais de 200 pessoas seguem a bordo dos dois navios, entre militares e pesquisadores.

Nesta edição, a OPERANTAR XLV apoiará 29 projetos de pesquisa, três a mais que na operação anterior. Os estudos abrangerão diferentes áreas do conhecimento e dependerão de suporte logístico e operacional para que pesquisadores cheguem ao continente, realizem coletas e experimentos e mantenham suas atividades em condições marcadas por baixas temperaturas, isolamento e longos períodos de permanência.

Entre os pesquisadores que seguem para a Antártica está a Capitão de Corveta (Educação Física) Valéria Faria, do Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (CEFAN), integrante do Laboratório de Pesquisa em Ciências do Exercício e Performance e do grupo de pesquisa MEDIANTAR. Em sua segunda participação na “OPERANTAR” – a primeira viagem ao continente a bordo de um navio –, ela investigará de que modo as condições encontradas na região podem afetar o corpo humano quanto a critérios específicos.

Nosso objetivo é avaliar a influência do ambiente antártico em parâmetros psicofisiológicos, tanto da tripulação do navio quanto dos integrantes do Grupo-Base que estão sendo rendidos e daqueles que irão substituí-los”, explicou.

A pesquisadora civil Kaline Diniz também integra o MEDIANTAR e terá como foco os militares que permanecem por longos períodos na Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). O trabalho acompanha aspectos relacionados à fisiologia e ao desempenho cognitivo diante das particularidades impostas pelo ambiente polar.

A ciência também está diretamente relacionada à segurança da navegação. A meteorologista do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), Segundo-Tenente (Auxiliar da Armada) Maria Eduarda Vanzan, integra a missão e acompanha as condições meteorológicas que influenciam o deslocamento dos navios. Uma das preocupações é a travessia da Passagem de Drake, localizada entre o extremo sul da América do Sul e a Península Antártica e conhecida pelas condições meteorológicas e oceanográficas desafiadoras.

“É uma missão muito legal, mas também difícil, porque deixamos os familiares aqui e temos muita responsabilidade. No meu caso, sou meteorologista, então temos toda essa preocupação com o Drake, se será possível fazer a travessia em segurança”, contou.

Navios a serviço da ciência

Para que os projetos possam sair dos laboratórios e chegar ao ambiente polar, a OPERANTAR mobiliza uma estrutura que envolve navios, aeronaves, militares, pesquisadores e equipes especializadas. A atuação desses meios integra o esforço desenvolvido no âmbito do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), coordenado pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM). Nesse contexto, a Marinha do Brasil disponibiliza navios, aeronaves e pessoal especializado para o apoio às atividades realizadas no ambiente polar.

O Diretor de Hidrografia e Navegação, Vice-Almirante Ricardo Jaques Ferreira, ressaltou, durante a cerimônia que antecedeu a partida, o crescimento do número de pesquisas apoiadas pela operação.

No ano passado, apoiamos 26 projetos. Este ano, já são 29 projetos de pesquisa. Isso mostra que, nos últimos anos, estamos com um crescimento consistente de projetos apoiados”, afirmou.

O Almirante também destacou o trabalho de quem integra a missão e o período de preparação necessário para uma comissão de longa duração. “Quero agradecer aos senhores e senhoras pela abnegação, pela força de vontade, pela resiliência, por estarem aqui. Nós temos orgulho de poder dar esse apoio para a ciência, para os projetos de pesquisa”, declarou.

O NPo “Almirante Maximiano” passou por cerca de cinco meses de manutenção antes do início da comissão. Segundo o Comandante do navio, Capitão de Mar e Guerra Sergio dos Santos Silva, a preparação permite que o meio atenda tanto às necessidades logísticas quanto às demandas dos pesquisadores ao longo da missão.

“O ‘Almirante Maximiano’ passou por um período de manutenção geral de cerca de cinco meses para estar pronto para mais uma OPERANTAR. É uma operação que se reveste de muita importância para o nosso País. A minha tripulação está pronta para cumprir a missão e atender a todas as demandas, tanto logísticas quanto de apoio à pesquisa”, afirmou.

Já o NApOc “Ary Rongel” participa pela 33ª vez consecutiva do apoio às atividades brasileiras na Antártica. De acordo com o Comandante do navio, Capitão de Mar e Guerra Maicon Jesus Domingues Luiz, o meio atuará tanto no suporte à Estação Antártica Comandante Ferraz quanto às equipes científicas.

“Com satisfação, estamos nos preparando para partir rumo à Antártica para a OPERANTAR XLV. O nosso navio, pela 33ª vez consecutiva, prestará apoio logístico à Estação Antártica Comandante Ferraz e também à pesquisa científica no ambiente antártico”, disse.

Ciência e presença brasileira na Antártica

Além de ampliar o conhecimento sobre o continente e seus fenômenos, o desenvolvimento contínuo de pesquisas está relacionado à participação brasileira no Tratado da Antártica. Desde 1983, o Brasil é membro consultivo do Tratado, condição associada à realização de atividades científicas substanciais na região e que permite ao País participar das discussões e decisões relativas ao continente.

Nesse contexto, os navios empregados pela Marinha constituem plataformas de apoio para que diferentes áreas da ciência brasileira desenvolvam trabalhos em uma região distante e de difícil acesso. Além do transporte de pesquisadores e equipamentos, os meios prestam suporte às atividades científicas e ao funcionamento da Estação Antártica Comandante Ferraz.

A OPERANTAR XLV representa uma comissão de longa duração para militares e pesquisadores, com retorno previsto para abril de 2027. Sendo assim, os participantes permanecerão meses afastados de familiares e amigos. Para o Primeiro-Tenente Victor de Almeida Primo, que participa da operação, a partida reúne a expectativa de contribuir para a missão e o desafio da distância de casa.

Participar da OPERANTAR é um sonho muito grande que se realiza hoje. Espero que essa missão traga desafios imensos, mas também um sentimento de dever cumprido e satisfação pessoal por poder apoiar a ciência brasileira de forma tão significativa”, afirmou.

A despedida na Base Naval da Ilha das Cobras reuniu familiares e amigos das tripulações e dos pesquisadores. Para o militar, o apoio de quem permanece em terra também acompanha aqueles que iniciam a jornada rumo ao continente antártico.

“A saudade fica. A gente sabe que as pessoas que ficam aqui, torcendo por nós, são o nosso porto seguro, o nosso alicerce. Mas também fica a certeza de um retorno tranquilo e de que, na volta, vamos dar aquele abraço apertado e tudo terá valido a pena”, completou o Primeiro-Tenente.

Ao longo dos próximos meses, o trabalho realizado a bordo dos navios, na Estação Antártica Comandante Ferraz e em diferentes pontos do continente dará suporte à coleta de dados, experimentos e estudos científicos.

Fonte: Agência Marinha de Notícias