Inaugurada a primeira unidade de vigilância costeira do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul
A primeira unidade de vigilância costeira do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) iniciou suas operações nesta quinta-feira (2), no Farol de Castelhanos, em Ilha Grande, no município de Angra dos Reis (RJ). A nova estrutura da Marinha do Brasil (MB) representa um avanço na capacidade do Brasil de acompanhar as movimentações no mar e proteger uma área de relevância estratégica para a segurança, a economia e o meio ambiente.
Com a entrada em funcionamento da unidade, a Marinha passa a operar, de forma inédita no âmbito do SisGAAz, um recurso próprio de sensoramento ativo. Isso significa que, além de receber informações transmitidas por embarcações e por outros sistemas, a Força Naval passa a gerar diretamente dados de vigilância por meio de sensores instalados no litoral.
Na prática, a unidade funciona como um posto eletrônico de observação, com os “olhos” permanentemente voltados para o mar. Seus equipamentos permitem detectar, identificar e acompanhar embarcações que navegam pela região, aumentando o conhecimento sobre o que acontece nas proximidades da costa brasileira.
Segundo o Comandante, a área onde a primeira unidade de vigilância costeira está instalada abrange algumas das mais relevantes infraestruturas críticas do País. “Castelhanos constitui um modelo a ser replicado em outras áreas estratégicas da costa brasileira”, disse.
Como funciona a vigilância
Os sensores da unidade de vigilância costeira realizam o monitoramento contínuo do tráfego marítimo na região do Farol de Castelhanos. Ao detectar uma embarcação, o radar gera um contato, que é automaticamente comparado com as informações do Sistema de Identificação Automática de Embarcações, conhecido pela sigla AIS.
O AIS transmite dados como identificação, posição, velocidade e direção de determinados navios. A correlação entre o radar e essas informações permite aos operadores verificar se a embarcação detectada corresponde aos dados informados pelo próprio navio.
Após essa identificação inicial, uma câmera eletro-óptica é direcionada para o alvo por meio do sistema CITRA. Os operadores podem, então, visualizar imagens em tempo real da embarcação, confirmar suas características e acompanhar seu deslocamento.
O emprego integrado do radar, do AIS e da câmera permite aumentar a precisão do monitoramento. O radar pode detectar um contato no mar mesmo quando não há uma identificação automática disponível, enquanto a câmera auxilia na confirmação visual do alvo.
O conhecimento mais preciso sobre o tráfego de embarcações pode apoiar operações de busca e salvamento, a resposta a emergências, a fiscalização ambiental e o enfrentamento de atividades ilícitas, como tráfico de drogas, contrabando e pesca ilegal. A ampliação do monitoramento marítimo contribui para a proteção de portos, plataformas, cabos submarinos, instalações costeiras e outras infraestruturas consideradas essenciais para o País”, explicou o Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes.
Além de reforçar a capacidade de vigilância e de atuação do Estado no mar, a nova estrutura amplia a proteção de atividades e serviços que dependem diretamente do ambiente marítimo. O monitoramento contínuo permite identificar situações de risco com maior antecedência e produzir informações estratégicas para diferentes órgãos públicos, contribuindo para a segurança da navegação, a preservação ambiental e a proteção de infraestruturas essenciais ao funcionamento do País.
“Embora muitas dessas estruturas não sejam percebidas no cotidiano da população, elas sustentam serviços fundamentais, como o fornecimento de energia, as telecomunicações, o transporte de mercadorias e o acesso à internet”, explicou o Diretor de Gestão de Programas da Marinha.
Segundo o Vice-Almirante Silva Gomes, os dados produzidos pela unidade de vigilância costeira poderão ser compartilhados com órgãos federais e estaduais que possuem atribuições relacionadas à fiscalização e à segurança no ambiente marítimo. “Essa integração favorece respostas mais rápidas e coordenadas diante de situações suspeitas, acidentes ou ameaças”, finalizou.
Monitoramento de embarcações e aeronaves
Além da vigilância do tráfego marítimo, a unidade de Castelhanos possui capacidade de acompanhar aeronaves que sobrevoam a região. Esse monitoramento é realizado por meio do sensor ADS-B, tecnologia que recebe informações transmitidas pelas próprias aeronaves, como posição, altitude, velocidade e identificação.
A instalação também pode receber dados de sensores compatíveis com a tecnologia LoRa, solução de comunicação de longo alcance e baixo consumo de energia. Essa capacidade possibilita a futura integração de diferentes equipamentos distribuídos pela região, ampliando a coleta e o compartilhamento de informações.
A combinação desses recursos permite formar um quadro mais completo das atividades realizadas no mar e no espaço aéreo próximo ao litoral.
Operação remota e sustentável
A unidade de vigilância costeira foi projetada para funcionar de forma contínua e ser operada remotamente. Sua infraestrutura utiliza prioritariamente fontes renováveis de energia, característica especialmente importante por estar localizada em uma área afastada e de acesso restrito.
A instalação também dispõe de sistemas de segurança patrimonial, proteção cibernética, monitoramento remoto, telemetria e gravação de dados. Esses recursos foram incorporados para assegurar a disponibilidade dos equipamentos, a confiabilidade das informações e a proteção da estrutura.
O sistema de telemetria acompanha permanentemente o desempenho dos sensores e dos demais equipamentos. Caso seja identificada alguma anormalidade, os operadores recebem alertas e informações de diagnóstico, o que permite adotar medidas corretivas com maior rapidez e reduzir possíveis interrupções.
Sobre o SisGAAz
O SisGAAz tem como propósito reunir dados provenientes de diferentes fontes para ampliar a consciência situacional marítima — expressão utilizada para definir o conhecimento sobre tudo o que acontece no mar e que possa afetar a defesa, a segurança, a economia ou o meio ambiente.
Com a unidade de vigilância costeira do Farol de Castelhanos, a Marinha avança da integração de informações recebidas de diferentes sistemas para a produção direta de dados por sensores próprios instalados em um ponto estratégico do litoral.
A nova capacidade fortalece a atuação do Estado brasileiro no monitoramento de suas águas e contribui para a proteção dos recursos naturais, das atividades econômicas, das infraestruturas críticas e das pessoas que utilizam o mar.
Fonte: Agência Marinha de Notícias






