Estudo da Antaq mapeia riscos globais portuários e aponta desafios para o Brasil até 2035
Um novo estudo da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) sobre riscos globais portuários identifica ameaças estruturais, climáticas e de mercado que devem orientar o planejamento dos portos brasileiros até 2035, com foco em resiliência, investimentos e políticas públicas.
Segundo a Antaq, o levantamento integra a agenda de planejamento de longo prazo do setor portuário e dialoga com iniciativas como os estudos sobre descarbonização, vulnerabilidades climáticas e planos de desenvolvimento e zoneamento portuário conduzidos em articulação com o Ministério de Portos e Aeroportos. A partir da análise de tendências internacionais, o relatório destaca que riscos operacionais, ambientais e de saturação de acessos podem se intensificar nas próximas décadas, exigindo ações coordenadas de governo, autoridades portuárias e operadores privados.
O estudo parte de diagnósticos anteriores sobre ameaças climáticas em 21 portos públicos brasileiros, que já haviam apontado vendavais, tempestades e aumento do nível do mar como fatores críticos para terminais como Santos, Rio Grande, Paranaguá, Aratu-Candeias e Recife. Nessa nova fase, a Antaq amplia o escopo, incorporando riscos globais ligados à cadeia logística, à transição energética e à competição internacional entre rotas e hubs portuários.
Entre os desafios destacados estão a necessidade de reforçar infraestrutura terrestre e aquaviária, reduzir gargalos de acesso e intensificar investimentos em tecnologia de monitoramento e gestão operacional. Estudos recentes para o Porto de Santos, por exemplo, já indicam saturação dos acessos e recomendam obras estruturantes até 2035 para acomodar o crescimento projetado da demanda e evitar perda de competitividade.
A Antaq também chama atenção para a agenda de descarbonização e para a pressão regulatória internacional, que deve impactar diretamente a operação dos portos brasileiros. O relatório sobre descarbonização no setor portuário aponta que medidas de eficiência energética, eletrificação de equipamentos e incentivo a combustíveis de menor intensidade de carbono tendem a se tornar requisitos para acesso a determinados mercados e linhas de financiamento.
Como encaminhamento, o estudo sugere que os diagnósticos de riscos globais portuários sejam incorporados aos planos estratégicos das autoridades portuárias e aos instrumentos de planejamento da infraestrutura, incluindo revisões periódicas de PDZs, programas de adaptação climática e projetos de expansão de acessos terrestres e aquaviários. A expectativa é que, até 2035, essas informações sirvam de base para priorização de investimentos e desenho de políticas públicas voltadas à resiliência, à segurança operacional e à competitividade dos portos brasileiros.
Fonte: Portos e Navios






