Após quatro pregões de queda, dólar sobe e fecha a R$ 3,796

Após quatro pregões de queda, dólar sobe e fecha a R$ 3,796

Após quatro pregões em queda, o dólar comercial fechou em alta nesta segunda-feira, com os investidores corrigindo os exageros da semana passada. A moeda americana encerrou cotada a R$ 3,794 na compra e a R$ 3,796 na venda, uma alta de 0,93% ante o real, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas. No ano, a divisa registra queda de 3,90%. Já na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) estava praticamente estável às 17h02. O índice de referência Ibovespa tinha pequena variação negativa de 0,06%, aos 49.055 pontos.

— O dólar teve um ajuste após as quedas dos últimos pregões. Apesar da Lava-Jato, os investidores sabem que o país tem uma série de desafios fiscais que devem ser tratados pelo governo — afirmou Paulo Eduardo Nogueira Gomes, economista-chefe Azmut Brasil.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, lembra que os investidores aproveitaram o pregão para embolsar os lucros dos últimos pregões. Na sexta-feira, com a deflagração da 24ª fase da Operação Lava-Jato, que teve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como alvo, fez a moeda ter um fronte recuo. A divisa fechou em qeuda de 1,10%, a R$ 3,761, mas na mínima atingiu R$ 3,656.

Para o especialista, apesar da forte volatilidade, não há muito espaço para a depreciação do dólar. “Movimento especulativo a parte, quando olhamos para o Brasil real, podemos concluir que a euforia que tomou conta dos mercados nos últimos dias, não se sustentará. Assim sendo, trabalhamos com a possibilidade de realização de lucros e a retomada das posições defensivas em dólares para os próximos dias”, avaliou, em nota a clientes.

No exterior, o “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento da divisa frente a uma cesta de dez moedas, registrava queda de 0,24% próximo ao horário de encerramento dos negócios de câmbio no Brasil.

AÇÕES DA VALE DISPARAM

Na Bolsa, o desempenho das ações da Petrobras e da Vale sustentam a alta. Os papéis da mineradora sobem forte, com os preferenciais (PNs, sem direito a voto) avançando 6,14%, e os ordinários (ONs, com direito a voto) registram alta de 4,22%.

Os preços do minério de ferro para entrega imediata na China disparam 19.5% nesta segunda-feira, seguindo fortes ganhos nos contratos futuros da commodity, que foram impulsionados por expectativas de que as siderúrgicas chinesas estão planejando um aumento na produção de aço no curto prazo. Ajuda nesse otimismo o fato de, no final de semana, o governo chinês ter dito que mantém como meta um crescimento entre 6,5% e 7% ao ano.

Pela manhã, as ações da Vale chegaram a subir em torno de 10%. Luis Gustavo Pereira, analista chefe da Guide Investimentos, lembra que essa alta do minério de ferro ainda não se mostrou estrutural, por isso os investidores, após a euforia, começaram a ajustar os preços. Já as ações da CSN, que também possui uma operação em mina (Casa de Pedra) sobem 10,97%.

No caso da Petrobras, as ações preferencias da estatal sobem 1,10%, cotadas a R$ 7,30, e as ordinárias têm desvalorização de 0,30%, a R$ 9,95. A Petrobras perde força apesar da alta do petróleo no mercado internacional. O do tipo Brent tem alta de 5,35%, a US$ 40,79. Na avaliação de analistas, o que ocorre é um processo de realização de lucros, com os investidores embolsando os ganhos dos últimos pregões.

— Ao que tudo indica, este pregão é de consolidação em razão da mudança rápida de expectativas na semana passada, em que ficou maior a probabilidade de um impeachment. Os agentes do mercado financeiro devem aguardar as manifestações populares do final de semana para terem uma leitura mais clara sobre a possibilidade ou não desse processo — disse Pereira.

A alta só não é maior devido ao desempenho do setor bancário, que é o de maior peso na composição do Ibovespa e registra perdas nesta segunda-feira. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco caem, respectivamente, 0,82% e 3,26%. As do Banco do Brasil estão com variação negativa de 0,82%.

O relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, reduziu a previsão para a cotação do dólar no fim deste ano, passando de R$ 4,35 para R$ 4,30. Para o ano que vem, os analistas ainda esperam que a moeda americana fique em R$ 4,40, mesmo valor há seis semanas.

No exterior, os principais indicadores do mercado acionário europeu operaram em terreno negativo. O DAX, de Frankfurt, teve queda de 0,46% e o FTSE 100, de Londres, fechou em queda de 0,27%. O CAC 40, da Bolsa de Paris, registrou desvalorização de 0,32%. Nos Estados Unidos, os indicadores operam com leve alta. O Dow Jones tem leve alta de 0,45% e o S&P 500 registra leve valorização de 0,16%.

Fonte: O Globo