Demanda por sistemas de propulsão é beneficiada pela retomada de encomendas da indústria naval e inovação

Demanda por sistemas de propulsão é beneficiada pela retomada de encomendas da indústria naval e inovação

A concretização de projetos e os planos de novas construções aqueceram a indústria naval no último ano e animaram fabricantes e distribuidores de sistemas de propulsão. As concorrências e encomendas ligadas às demandas da Petrobras e da Transpetro surgiram a sair do papel e as contratações se tornaram realidade, também se refletindo no aumento das consultas. A procura para adequação e modernização das frotas segue consistente, num momento de corrida pela descarbonização da navegação mundial.

Algumas empresas relataram aumento de até 40% em seus faturamentos e verificaram oportunidades de vendas e prestação de serviços para embarques, inclusive em países vizinhos.

A Kongsberg Maritime tem recebido muitas consultas e RFQs (Request for Quotation) de clientes marítimos para diversas aplicações. “Para nós, o mercado de equipamentos e de serviços está bastante aquecido devido às concorrências da Petrobras e Transpetro e também pela crescente demanda em embarcações de menor porte como rebocadores e empurradores”, destaca o vice-presidente de vendas e marketing da Kongsberg Maritime na América Latina, Marcelo Gouvea.

Em fevereiro, a Kongsberg Maritime foi contratada pelo consórcio Marenova, formado pela Ecovix e pelo grupo Mac Laren, para o completo do projeto naval (ship design) e de um pacote de equipamentos para quatro petroleiros encomendados pela Transpetro. As embarcações classe Handy serão construídas pelo Estaleiro Rio Grande (RS), sendo comissionadas no estaleiro Mac Laren, em Niterói (RJ). O contrato, da ordem de 300 milhões de coroas norueguesas (NOK), gira em torno de R$ 165 milhões, em valores convertidos com câmbio do começo de março.

A encomenda inclui a entrega do projeto completo dos navios e uma série de sistemas integrados, abrangendo propulsão com sistema ‘Promas’ hélice de passo controlável, maquinário de convés, sistemas de medição de tanques e soluções avançadas de navegação e automação, como K-Bridge, K-Chief, K-Gauge e K-Load. De acordo com a KM, o Promas é um sistema para a propulsão convencional que traz o benefício de melhorar o consumo de combustível, aumentando a eficiência da propulsão.

Os navios terão 150,6 metros de comprimento total, com 23,4 metros de largura e 8,2 metros de calado, com aproximadamente 15.600 toneladas de porte bruto (dwt). Os projetos ‘NVC 615 PT’ fazem parte da família NVC de projetos de navios mercantes da Kongsberg Maritime, que buscam combinação de eficiência com adaptabilidade para combustíveis do futuro. 

Em 2025, a Kongsberg Maritime assinou contrato com o Estaleiro Rio Maguari (PA) para fornecimento de dois conjuntos de propulsores azimutais de passo controlado para o projeto de dois rebocadores Transverse 2900 da Svitzer e dois conjuntos de propulsores azimutais de passo fixo para o Estaleiro Beconal para empurradores da Hermasa.

O foco da Kongsberg Maritime concentra-se na oferta de pacotes completos de projetos navais (design de navios), na integração de equipamentos e no seu portfólio de produtos, que abrange desde soluções de Bridge até sistemas de propulsão. Localmente, a empresa direcionou os esforços para a prestação de serviços especializados e assistência técnica à extensa base instalada de equipamentos, incluindo sistemas de posicionamento dinâmico (DP), automação, propulsores azimutais, linhas de eixo e equipamentos de convés.

 “Contamos com uma equipe altamente qualificada e experiente, preparada para atender às demandas de clientes nacionais e internacionais”, ressalta Gouvea, citando o sistema ‘Promas’, voltado para a propulsão convencional que traz o benefício de melhorar o consumo de combustível aumentando a eficiência da propulsão. Ele também destaca os propulsores azimutais com motores elétricos PM (Permanent Magnet) e RIM Drives como inovação principal na área de propulsão.

A Navalsul vê o mercado bastante aquecido, com muitas obras novas, além de remotorizações, upgrades e adequações. Os destaques são a região Norte, barcos de apoio e o setor offshore. “Verificamos um aumento expressivo nas cotações e aquisições, mercado bastante aquecido e promissor. Estamos investindo em células robóticas, usinagem de hélices, melhorias de processos de moldagem e novas ligas de bronze e inox”, disse o diretor da Navalsul, Francisco Strauhs Neto.

O faturamento da Navalsul em sistemas propulsivos cresceu 40% em 2025. A empresa avalia que o crescimento poderia ter sido ainda maior caso a capacidade produtiva já estivesse ampliada. “Estamos lançando um plano agressivo para os próximos anos”, revela.

Strauhs Neto diz que a Navalsul está equipando projetos especiais, de alto valor agregado e com clientes e parceiros com foco em melhoria de rendimento, menor consumo e menor emissão de carbono.

A célula robotizada para usinagem de hélices, de até 4.600 milímetros de diâmetro, está em processo de validação para início de produção. É um projeto visto como de alta tecnologia e inovador. Os novos projetos investidores investem no sistema de moldagem, o que deve dobrar a capacidade de produção da Navalsul até 2027. De acordo com a Navalsul, os testes da liga de altíssima resistência de hélices estão em fase final, com perspectiva de gerar mais resistência, menos vibração e melhor desempenho. A expectativa é que essa liga (liga de alto amortecimento) esteja em fabricação e aplicação no segundo semestre.

A Macnor Marine verifica aumento significativo nas consultas por equipamentos de propulsão a partir do final de 2024 junto com as licitações de novas construções de navios de apoio, petroleiros e gaseiros dos programas de novas construções promovidos pela Petrobras e Transpetro. O diretor da Macnor, Pedro Guimarães, diz que a empresa priorizou, desde 2003, o suporte aos armadores e estaleiros, desde a fase orçamentária do navio, antes mesmo de saber quem foi o vencedor das licitações. 

“Como temos um portfólio extenso de fornecedores, não apenas de propulsão, entendemos que isso é um suporte importante para a formação de preços que os armadores e estaleiros aplicam na disputa das licitações”, analisa. Guimarães conta que a empresa possui uma equipe comercial dedicada aos projetos de novas construções. 

Todos os equipamentos oferecidos pela Macnor são fornecidos com serviços de supervisão de instalação, comissionamento e start up. A equipe de serviços conta hoje com 50 pessoas entre engenheiros, técnicos e mecânicos, todos treinados nas fábricas na Europa, com disponibilidade de qualquer intervenção, seja preventiva ou corretiva dos equipamentos, durante toda a vida útil do navio.

A Macnor representa a Brunvoll, que integra experiência em propulsão e controles em uma linha unificada chamada ‘BruCon’, sistema de controle digitalizado e automatizado, que engloba sistemas de posicionamento dinâmico (DP), monitoramento de condição e integridade do sistema (CMS) e controle de propulsão e propulsores (joystick e interfaces de comando).

O sistema de DP, recém-desenvolvido, será fornecido ao navio polar que está sendo construído pelo estaleiro Seatrium (antigo Jurong Aracruz), no Espírito Santo. Além do sistema completo de propulsão, o pacote desse navio (NaPant) inclui o sistema Brucon DP2 para o futuro navio da Marinha do Brasil. O CMS é um sistema remoto com sensores interligados aos equipamentos que geram dados para monitorar a condição dos componentes do equipamento em tempo real, a partir de uma análise do centro de controle da Brunvoll.

O fabricante representado pela Macnor é parceiro do projeto Sea Zero com a operadora Hurtigruten, que visa propulsão mais eficiente e transições para emissão zero em navios de cruzeiro costeiro, incluindo estudos de soluções como hélices contra-rotativas para maior eficiência hidrodinâmica e novos conceitos de controle específicos.

Guimarães explica que esses sistemas permitem integração mais inteligente entre operação de máquinas, monitoramento de dados e auxílio à navegação/autonomia parcial no futuro. “A empresa vem investindo em produção automatizada e robótica — como sistemas de usinagem com operação noturna — para aumentar capacidade, reduzir gargalos e focar mais recursos humanos em engenharia e pesquisa”, afirma Guimarães.

Nos últimos anos, a ZF Aftermarket tem fornecido um aumento significativo nas consultas e oportunidades de negócios em propulsão marítima no Brasil, principalmente nos mercados fluviais e de apoio portuário, especialmente para novas construções e repotenciamento. A avaliação da empresa é que as perspectivas são positivas para os próximos anos.

“Mesmo sem números divulgados por país, registramos crescimento consistente globalmente. A combinação de tecnologia, portfólio e suporte local especializado tem sido garantido para transformar essa demanda em projetos concretos, ampliando nossa presença com soluções completas de propulsão e eletrificação”, ressalta o executivo de vendas da ZF Aftermarket, Eduardo Aguero.

Ele conta que a ZF tem recebido demandas tanto para aplicação de reversores marítimos, sistemas azimutais e comandos eletrônicos para embarcações de lazer e comerciais, como também para atendimento a projetos com uma vasta opção de reduções, e portfólio de produtos. “Recebemos constantemente uma demanda para novos projetos de diferentes aplicações, e não foi diferente em 2025. Não divulgamos detalhes devido a restrições contratuais e de confidencialidade com nossos clientes”, explica Aguero.

Para ele, o diferencial é combinar engenharia mecânica de ponta com eletrônica embarcada e digitalização, oferecendo sistemas completos e inteligentes, capazes de otimizar o consumo de combustível, reduzir custos operacionais e atender às novas exigências ambientais do setor. Globalmente, a ZF vem ampliando seu portfólio de soluções para propulsão marítima com foco em eficiência energética, manobrabilidade e redução de emissões. 

Aguero destaca híbridos com integração elétrica, que permitem operações mais silenciosas e sustentáveis, sistemas de propulsão azimutal e PODs, que elevam significativamente o controle e a precisão das manobras, além de reversores marítimos de alta capacidade, reconhecidos pela robustez e confiabilidade em aplicações diversas.

Desde que a Voith definiu uma nova estrutura de suporte técnico e comercial, no ano passado, para toda a América Latina, a partir de sua operação no Brasil, uma série de estratégias de desenvolvimento e expansão de mercado foram realizadas. Diferentes pedidos relacionados com equipamentos para navegação interior, assim como a cobertura da Voith Schneider Propeller Elétrica (eVSP) no Brasil, além de acordos de serviço e aprovisionamento de peças foram definidos para atender frotas completas, considerando uma logística estruturada para dar suporte eficiente às embarcações, operando na região através da rede de serviço global.

O diretor de vendas da divisão ferroviária e marítima da Voith para a América do Sul, Adelson Martins, afirma que, em geral, os números de transmissões de informações, apresentações e orçamentos ou cotações nos últimos dois anos aumentaram significativamente. Ele destaca o sistema eVSP no mercado internacional e seu impacto em termos de confiabilidade, estabilidade, manobrabilidade, conforto e eficiência energética.

Martins pondera que, por se tratar de um produto relativamente novo — desde 2020 — no mercado global, considerando os 100 anos de história e desenvolvimento da versão convencional (VSP mecânica), o interesse em expansão, com uma taxa de conversão projetada de 20% nos próximos anos.

Na avaliação da Voith, o fato do mercado brasileiro apresentar crescimento, impulsionado pela retomada da indústria naval, investimentos em infraestrutura e renovação de frotas, gera uma expectativa muito interessante de consultas e pedidos focados em um produto que visa atingir características de operação particulares para a indústria offshore e a navegação interior.

Nos últimos anos, a Schottel do Brasil verifica um crescimento contínuo nas consultas e vendas, impulsionado pelo dinamismo do setor naval, pela expansão do agronegócio, pela modernização da frota e pelos investimentos em infraestrutura. A avaliação da Schottel é que o segmento offshore ganhou ainda mais força em 2025, especialmente com novos projetos comprometidos com a Petrobras.

“Fechamos contratos importantes e estamos fornecendo propulsores para embarques que atuarão nesses projetos nos próximos anos. Para acompanhar essa demanda crescente, inauguramos nosso novo centro de serviços em Itajaí (SC), fortalecendo presença estratégica e ampliando nossa capacidade de entregar soluções de alto desempenho para toda a América Latina”, elenca o gerente comercial da Schottel do Brasil, David Souza.

Em 2025, o fabricante lançou os sistemas de propulsão para 10 novos PSV/OSRVs da Starnav, com a unidade primeira prevista para iniciar operações para a Petrobras ainda este ano. No setor hidroviário, a Schottel do Brasil avançou com o conjunto de propulsores azimutais para os novos empurradores de grande porte da Cargill e Unitapajós, atualmente em construção nos estaleiros Rio Maguari e Juruá.

A inauguração da unidade em Itajaí é considerada um investimento estratégico que amplia a capacidade de atendimento. A instalação, com 1.866 m², reúne um escritório de 500 m² para grandes reparos, mais de 2.700 peças em estoque, equipe técnica especializada, sistemas digitais de documentação, logística integrada e estrutura para treinamentos. A comemoração coincidiu com os 75 anos dos propulsores azimutais e os 50 anos de operações no Brasil.

O foco da Schottel do Brasil está na oferta de sistemas de propulsão de alta eficiência para rebocadores, empurradores e embarcações offshore, com destaque para soluções híbridas e elétricas. A empresa se destaca que a estrutura em Itajaí permite atender com agilidade e excelência clientes em todo o Brasil e América Latina. “Projetos emblemáticos, como parcerias com grandes grupos e equipados de propulsores azimutais, reforçam nossa atuação estratégica e capacidade de entregar resultados superiores”, ressalta Souza.

O gerente comercial acrescenta que as oportunidades internacionais estão cada vez mais presentes no radar da Schottel do Brasil. A filial na Colômbia inaugurou recentemente um escritório em Cartagena, dedicado exclusivamente à manutenção e reparo de sistemas de propulsão de um fabricante global. “Esse investimento, de aproximadamente 5 milhões de euros, reforça nossa atuação em todas as regiões: Pacífico Sul, América Central, Caribe e México. A nova base amplia nossa capacidade de resposta e fortalece nosso compromisso com clientes internacionais”, afirma Souza.

Souza avalia que o aumento das contratações de projetos tem sido traduzido em um volume expressivo de cotações e negociações de equipamentos e serviços. Ele observa a intensificação de novos projetos demandando tecnologias de ponta e serviços especializados. O gerente comercial da Schottel destaca tecnologias que ampliam eficiência, confiabilidade e precisão operacional. Entre elas, o SRP-D é um propulsor orientável otimizado para operações de posicionamento dinâmico, desenvolvido com simulações CFD avançadas para garantir respostas mais rápidas e mais precisão em condições exigentes.

Na versão elétrica, o sistema conta com um acionamento integrado compacto, que oferece mais flexibilidade aos estaleiros e melhor desempenho mecânico. Souza explica que a solução também incorpora um eixo inclinado a 98°, que reduz as interferências hidrodinâmicas e eleva a eficiência. “Com mais de 600 embarcações offshore equipadas no mundo, a Schottel reafirma sua liderança em inovação para soluções operacionais”, diz Souza.

Gouvea diz que a Kongsberg identifica oportunidades para venda de equipamentos e prestação de serviços para outros países da região. “Estamos sempre buscando outros mercados e no Brasil somos responsáveis ​​pelo mercado da América do Sul para novas vendas e entrega de serviços, sendo o hub de serviços para a América do Sul. Temos um escritório de vendas de serviços no Chile que é responsável por vendas exclusivas de serviços na região Oeste da América do Sul”, explica Gouvea.

Além do Brasil, a Navalsul já executou reparos e adequações de sistemas propulsores no Paraguai, além de receber equipamentos de outros países para reparos, adequações e melhorias. “Estamos bem consolidados nos mercados do Paraguai e do Chile, e com vendas pontuais a outros países da América do Sul, como Equador e Colômbia”, comemora Strauhs Neto.

Em outros países, a Macnor vê oportunidades principalmente para serviços. Guimarães diz que a empresa tem capacidade e já atua em diferentes localidades, como Peru, Chile, Colômbia, Argentina, Uruguai, Trinidad e Tobago, e lugares mais distantes como Portugal e Coreia do Sul. “Apesar de procurarmos conformidades com nossa região geográfica (Brasil), alguns clientes com operação fora ou por alguma urgência nos convocam para serviços fora do Brasil”, destaca Guimarães. 

Em 2025, a Macnor firmou parceria com a Ascenz Marorka, empresa de tecnologia francesa do grupo GTT que desenvolve e fornece soluções digitais avançadas para a indústria marítima, focando na transformação digital, eficiência operacional e sustentabilidade de navios e frotas como monitoramento eletrônico de consumo de combustível e bunkering, gestão de desempenho de embarcações, otimização de rotas e previsão meteorológica, gestão de cargas de gás natural liquefeito (GNL) e mitigação de sloshing, monitoramento de conformidade e conformidade ambiental. “Já estamos fornecendo para alguns armadores como a CBO”, cita Guimarães.

A Voith percebe uma pressão do mercado por investimentos em soluções de propulsão para atingir requisitos mais altos de eficiência energética, confiabilidade e desempenho em manobras. Especialmente para embarcações de apoio e serviços especializados, considerando todo o ciclo de vida do ativo em condições duras de operação. “Ainda é possível considerar um sistema robusto, único em seu tipo e com um impacto ambiental excepcional”, avalia Martins. Ele acredita que esse cenário sustenta o interesse dos principais atores do mercado entre operadores, armadores e estaleiros em consultar a solução desenvolvida pela Voith para o mercado marítimo.

O Voith Schneider Propeller elétrico (eVSP) combina as vantagens do VSP convencional com o motor elétrico do Voith Inline Thruster (VIT). O resultado, segundo a Voith, é um sistema de propulsão sustentável em termos de uso eficiente de energia, eco amigável, compacto e otimizado especialmente para aplicações offshore, navios de passageiros, balsas, bem como para uso em rebocadores. Assim como o VSP convencional, o eVSP atinge esforço máximo em todas as possibilidades, infinitamente variável e com alta precisão, garantindo maior estabilidade, conforto e manobrabilidade às embarcações.

Os desenvolvedores afirmam que, com o motor totalmente integrado, a instalação é flexível e sua necessidade de espaço é mínima. Além disso, o sistema de óleo modificado do eVSP requer um volume muito menor, o que reduz os custos operacionais. A disponibilidade para o uso de bio-óleo melhora o impacto ecológico e, graças ao seu baixo peso e ao design compacto, o eVSP também pode ser integrado de forma muito econômica, permitindo otimização no design da sala de máquinas, além de maior eficiência geral e transmissão de potência quase sem perdas.

O alto desempenho do sistema de estabilização de balanço (VRS), sua resposta ao posicionamento dinâmico (DP), além do baixo ruído e vibração, posicionam o sistema eVSP como uma das alternativas de propulsão para navios offshore, pesquisa marítima e transporte de passageiros de maior impacto e potencial do mercado em termos de eficiência, confiabilidade, conforto e manobrabilidade.

“Estamos muito orgulhosos e contentes em trazer a solução do eVSP para o mercado brasileiro. Confiamos no momento da indústria naval na América do Sul que começa a passar por uma mudança estrutural relevante, incorporando temas como produção local, transferência de tecnologia e participação efetiva na cadeia de valor como no caso da Argentina, Chile e Peru. Assim, como a experiência operacional de outros países da região que contam com uma frota de embarcações com propulsão VSP ativa como Colômbia, México, Paraguai e Panamá, específicos em aumentar sua base instalada de navios com propulsão Voith”, afirma Martins. 

Os representantes do consórcio Marenova, Robson Passos e Alexandre Kloh, destacaram que o contrato com a Kongsberg Maritime reflete uma visão compartilhada de inovação, sustentabilidade e força industrial. “Ao combinar a escala e a tradição offshore da Ecovix com a longa experiência naval da Mac Laren, o MareNova está perfeitamente posicionado para entregar esses navios-tanque ‘estado da arte’, preparados para combustíveis do futuro para a Petrobras/Transpetro e, ao mesmo tempo, contribuindo para o renascimento da construção naval no Brasil”, declaram em nota.

“Esse projeto mostra como nossa plataforma de projeto NVC e tecnologia integrada pode ajudar os armadores a atingir metas operacionais e ambientais. Estamos orgulhosos de apoiar a Transpetro na renovação de sua frota com embarcações que estão preparadas para o futuro”, disse em nota o vice-presidente de vendas da área de projeto naval da Kongsberg Maritime, Ronny Pål Kvalsvik.

O chefe projetista da Kongsberg Maritime, Per Egil Vedlog, acrescenta que os projetos refletem décadas de desenvolvimento e colaboração com a indústria. “Esses navios-tanque entregarão eficiência e flexibilidade, incluindo capacidade para transportar metanol/etanol, de forma a atender às mudanças nas demandas do mercado”, afirmou.

De acordo com a Transpetro, os Handy vão contemplar soluções que garantam maior eficiência energética e menor emissão de gases que provocam o efeito estufa. Além do pacote de equipamentos sustentáveis, o escopo prevê as embarcações com opção de operar com bunker ou biocombustíveis. Como resultado, a empresa espera reduzir em 30% as emissões em relação aos navios da frota atuais, atendendo às determinações da Organização Marítima Mundial (IMO).

A descarbonização do setor marítimo vem aperfeiçoando uma série de tecnologias nos últimos anos. As Projeções do ‘Previsão Marítima para 2050’ da DNV apontam tendência de projetos modulares e flexíveis, incorporando tecnologias de economia de energia, como formatos otimizados dos cascos, propulsão assistida por vento e sistemas híbridos, que se tornarão itens de série. Além disso, o monitoramento digital de desempenho será integrado para dar suporte a novas estruturas contratuais e esquemas de governança regulatória.

A DNV verifica que a propulsão eólica assistida (WAPS) é uma conquista de curto prazo no setor marítimo mundial. Com testes de desempenho padronizados já implementados, as soluções eólicas estão deixando de ser um nicho para se tornarem comuns, entregando economias de combustível entre 5% e 20% em rotas de longo curso. Para embarcações que escalam portos brasileiros, os regimes de vento constantes do Oceano Atlântico tornam o WAPS uma opção atraente para reduzir os custos e emissões atuais, independentemente da disponibilidade de combustíveis alternativos.

A ABS também enxerga que tecnologias de propulsão eólica (WPTs), como rotor de Flettner (velas rotativas), asas de sucção e velas carregadeiras, reduzem a energia necessária para a propulsão, levando à redução das emissões. A classificação considera que os WPTs são um exemplo prático de uma tecnologia robusta de descarbonização que é eficaz independente dos volumes do comércio marítimo, uma vez que não gera emissões diretas, e que também desvincula os esforços de sustentabilidade do preço dos combustíveis verdes, que geralmente estão disponíveis a um preço superior devido ao seu custo de redução de CO2.

Um artigo recente publicado pela Anemoi Marine Technologies Ltd (Anemoi) e pela Lloyd’s Register (LR) propõe que haja mais alinhamento entre as metodologias usadas para verificar o desempenho de sistemas de propulsão assistida por vento. A pesquisa destaca como estruturas complementares podem ser integradas para fortalecer a consistência, a transparência e a confiança do segmento. A publicação teve como base estudo apresentado em fevereiro deste ano, durante a conferência ‘Rina Wind Propulsion 2026’.

O diretor da Anemoi Marine Technologies, Luke McEwen, argumenta que a medição e a previsão precisas de economia obtidas por embarcações que utilizam sistemas de propulsão por vento são essenciais para ter a confiança de armadores e operadores que desejam aproveitar a energia eólica para reduzir o impacto ambiental e os custos de combustível.

“A Anemoi está ajudando a orientar os esforços de padronização para garantir o amadurecimento desse mercado”, disse McEwen. O gerente de desempenho de navios da Lloyd’s Register Advisory, Santiago Suarez de la Fuente, reforçou que a verificação das metodologias de avaliação de desempenho é fundamental para garantir padrões de segurança e eficiência. Segundo ele, isso é particularmente importante para setores emergentes, nos quais os processos ainda não foram totalmente padronizados. 

Fonte: Portos e Navios