Demanda por contêineres cai em março, mas fretes seguem altos
A demanda por transporte de contêineres no mercado global caiu em março de 2026 ao mesmo tempo em que as tarifas de fretes subiram por causa de sobretaxas emergenciais, indicou Lars Jensen, analista da Xeneta, com base em dados do Container Trade Statistics (CTS), que apurou retração de 2,4% em relação ao mês anterior. De acordo com o especialista, a queda foi puxada pela contínua redução nos volumes relacionados à América do Norte devido à guerra comercial dos Estados Unidos e não pode ser atribuída exclusivamente fechamento do Estreito de Ormuz.
Os dados mostram que o volume de contêineres de importação e exportação da América do Norte caiu 6,8%, enquanto no resto do mundo, excluindo essa região, a queda foi de 0,8%. Essa foi a segunda maior queda anual observada na América do Norte desde o início da guerra comercial dos Estados Unidos, superada apenas por maio de 2015, quando a queda chegou a 7,4%. Apesar da demanda em declínio, segundo Jensen, o índice tarifário global CTS subiu 3,9% em março em comparação com fevereiro e está 17,9% acima do registrado em março de 2019, antes das interrupções iniciadas em 2020 devido à pandemia.
Já a consultoria Drewry informou que seu Índice Mundial de Contêineres (WCI, na sigla em inglês) subiu 3%, para 2,2867 dólares por FEU, após três semanas consecutivas de quedas. O aumento foi impulsionado principalmente pelas rotas transpacíficas e Ásia-Europa. Especificamente na rota transpacífica, as tarifas entre Xangai e Nova Iorque aumentaram 7%, para 3.721dólares por FEU, enquanto as tarifas entre Xangai e Los Angeles aumentaram 5%, atingindo 3.062 dólares por FEU. Os aumentos deveram-se a sobretaxas, como a Sobretaxa de Combustível de Emergência (EFS) e a Sobretaxa de Alta Temporada (PSS).
A MSC aumentou a EFS na rota Ásia-Costa Leste dos Estados Unidos de 430 dólares para 644 dólares por FEU e, na rota Ásia-Costa Oeste, de 272 dólares para 467 dólares, a CMA CGM passou a cobrar PSS de dois dólares por FEU a partir de 1º de maio, enquanto a Maersk anunciou que sua Taxa de Serviço de Passageiros (PSS, na sigla em inglês) do Extremo Oriente para a Costa Leste da América do Sul, passaria de mil dólares por FEU, para 1.500 por FEU a partir de 25 de maio.
As tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam a influenciar o mercado. A Freightos observou que o fechamento do Estreito de Ormuz pressiona os custos das companhias de navegação devido ao aumento dos preços do combustível marítimo, embora problemas de abastecimento tenham sido limitados. A consultoria acrescentou que “a dinâmica de oferta e demanda durante os meses tipicamente mais lentos está limitando o impacto que as sobretaxas emergenciais de combustível e outros aumentos planejados estão tendo sobre as taxas spot”.
Em relação à gestão de capacidade , a Drewry indicou que são esperadas 34 viagens canceladas nas principais rotas Leste-Oeste nas próximas cinco semanas, de um total de 702 viagens programadas, o que equivale a uma taxa de cancelamento de 5%. Deles, 47% concentram-se na rota transpacífica em direção ao leste, seguida pela rota Ásia-Europa/Mediterrâneo, com 32% e pela rota transatlântica, com 21%. Mas a consultoria projeta melhora gradual nas condições operacionais, estimando que o número de viagens canceladas diminuiria de 59 em abril para 49 em maio e 30 em junho.
Fonte: Portos e Navios






