Da proteção no mar ao alto rendimento: a Marinha no SailGP Rio
A Marinha do Brasil (MB) marcou presença em um dos maiores espetáculos da vela mundial durante a etapa brasileira do SailGP, realizada na Baía de Guanabara (RJ), nos dias 11 e 12 de abril. Conhecido como “A Fórmula 1 dos mares”, o evento passou pela primeira vez aqui na América do Sul e reuniu 13 das principais equipes internacionais da modalidade, que competiram a bordo dos catamarãs F50, em regatas de alta intensidade e forte componente tecnológico.Em meio aos principais velejadores do mundo, o Brasil contou com a participação de três atletas do Programa Olímpico da Marinha (PROLIM), os Terceiros-Sargentos Mateus Ghannam Isaac, Breno Segabinazi Kneipp e Marina Mariutti Carioba Arndt, que levaram para as águas cariocas não apenas talento e experiência, mas também o orgulho de representar a Força Naval em um dos circuitos mais exigentes do esporte.A equipe brasileira, formada por 10 atletas, foi liderada pela velejadora Martine Grael, bicampeã nacional e campeã mundial de vela, e terminou a competição em 10º lugar. O grupo australiano venceu a etapa no Brasil.A chefe de equipe da vela da MB, Capitão-Tenente Daniele Seda, destaca que a experiência obtida supera os resultados da competição.
A bordo do Navio-Veleiro “Cisne Branco”, que prestou apoio ao evento, estavam outros atletas do PROLIM, além de autoridades e convidados. Entre eles, o Presidente da Confederação Brasileira de Vela, Daniel Azevedo, reiterou a importância desse momento.
“Isso é uma celebração da parceria entre a vela nacional e a Marinha do Brasil. Estar a bordo do Cisne Branco acompanhando esse evento mundial reafirma a tradição náutica que o Brasil tem com toda a história da vela. Trata-se de um momento extremamente importante que vai deixar um legado principalmente organizacional”, conclui.
Trajetória consolidada no windsurf e novo desafio no SailGP
Com mais de duas décadas dedicadas à vela, Mateus Isaac, de 32 anos, construiu uma carreira sólida desde a infância, iniciada em Ilhabela (SP). Especialista em windsurf, o atleta se destacou em campeonatos nacionais e internacionais, com títulos expressivos e participação olímpica, consolidando-se como um dos principais nomes da modalidade no País.
A entrada no SailGP representou um inesperado desafio em sua trajetória, ao migrar das pranchas para os catamarãs de alta performance. “Velejar no SailGP não era previsto, mas é um sonho se tornando realidade. Estou muito grato pela oportunidade.”
Para o atleta, o momento é especial pelo projeto e por competir em “casa”: “O SailGP é o formato mais incrível da vela. É o ápice desse esporte porque conta com os melhores velejadores do mundo que estão competindo nessa categoria. Fora que é diferenciado disputar aqui. Mesmo eu não sendo do Rio de Janeiro, sou brasileiro e me sinto em casa. Já faz tempo que esperamos por isso. É um local muito desafiador de velejar, tem muitos efeitos de vento e correntes”, revela.
Atuando como grinder – função que exige força e precisão -, Mateus passou a integrar um ambiente altamente tecnológico e dinâmico, onde cada decisão impacta diretamente no desempenho da equipe.
Juventude, evolução e foco no alto rendimento
Aos 25 anos, Breno Kneipp representa uma geração mais jovem de velejadores que já chegam ao cenário internacional com experiência e maturidade competitiva. Natural do Rio Grande do Sul, iniciou na vela aos sete anos e transformou a paixão pelo esporte em profissão, conciliando a carreira com a formação em engenharia mecânica.
No SailGP, ele destaca a importância do trabalho coletivo e a relevância da Marinha para a sua carreira:
A confiança e a comunicação dentro da equipe fazem total diferença no resultado final, além disso, o PROLIM tem sido fundamental no suporte à minha trajetória. E deixo meu agradecimento à Marinha do Brasil pelo incentivo ao esporte e por apoiar o desenvolvimento da vela no País.”
Breno ainda traz duas curiosidades para quem não entende tanto do formato do esporte. “É como estar em um carro extremamente rápido, só que na água. E outro ponto é que as velas usadas no SailGP não são velas ‘tradicionais’ de tecido flexível como nos veleiros comuns, os barcos F50 usam uma asa rígida (wing sail), que funciona praticamente como a asa de um avião.”
Experiência olímpica e protagonismo feminino na vela
Já Marina Arndt traz para o SailGP a bagagem de quem já trilha uma carreira olímpica consolidada. Desde os primeiros passos na vela, ainda na infância, até os resultados expressivos na classe “Nacra 17”, a atleta, de 24 anos, acumula conquistas importantes no cenário nacional e internacional.
Marina iniciou na vela ainda na infância e, aos 13 anos, passou a se dedicar de forma mais intensa à modalidade, consolidando sua trajetória no esporte. Filha de velejador olímpico, construiu carreira no alto rendimento e destaca o apoio da MB como fundamental para sua evolução profissional e continuidade nos treinamentos.
No SailGP, ela encara o desafio de competir em embarcações de altíssima tecnologia, mas destaca o aprendizado constante ao lado de uma equipe experiente. “A vela é um esporte onde tudo pode acontecer. Tudo tem sido muito incrível para mim, a começar pelo barco em si e depois trabalhar com uma equipe tão dedicada e que tem um conhecimento tão profundo de vela é uma experiência que me ensina todos os dias.”
Capitania dos Portos fez a segurança acontecer
A realização da etapa no Rio de Janeiro também contou com o apoio da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ), responsável por assegurar a segurança da navegação durante todo o evento.
De acordo com a Encarregada da Inspeção Naval, Capitão-Tenente (Quadro Técnico) Camilla Marçal do Nascimento, “foram estabelecidas áreas de restrição ao tráfego aquaviário para garantir, principalmente, a integridade dos competidores e do público”.
A operação contou com cinco embarcações, duas motos aquáticas e 28 militares por dia, além do apoio de embarcações da organização e inspetores navais atuando na fiscalização.
Fonte: Agência Marinha de Notícias






