Contratação de navios-tanque atinge recorde e reforça pressão sobre estaleiros e fretes globais

Contratação de navios-tanque atinge recorde e reforça pressão sobre estaleiros e fretes globais

A contratação de novos navios-tanque atingiu um patamar recorde no mercado internacional, impulsionada por fretes elevados e pelo reposicionamento de frotas em meio a tensões geopolíticas e mudanças nas rotas de exportação de petróleo. Segundo análises recentes de consultorias como Drewry e dados compilados por publicações especializadas, o volume de contratos firmados para petroleiros em 2025 e início de 2026 supera a média histórica dos últimos anos, com destaque para navios da classe VLCC, Suezmax e Aframax.

Os índices de frete de navios-tanque medidos pelo Baltic Dirty Tanker Index (BDTI) e Baltic Clean Tanker Index (BCTI) acumulam altas de 177% e 175,3%, respectivamente, em 2026 . Em paralelo, o valor de um VLCC de cinco anos chegou a cerca de US$ 140 milhões (aproximadamente R$ 798 milhões, considerando câmbio de US$ 1 = R$ 5,70) no fim de março, ante US$ 119 milhões (cerca de R$ 678 milhões) em dezembro de 2025, refletindo forte demanda por capacidade disponível.

Relatórios recentes indicam que a combinação de restrições ao fluxo de petróleo venezuelano, aumento das exportações do Oriente Médio e maior uso de rotas mais longas contribuiu para encarecer o transporte marítimo de petróleo. Em algumas rotas entre o Oriente Médio e a China, os fretes diários de VLCC chegaram a superar US$ 170 mil (cerca de R$ 969 mil) por dia, níveis próximos aos registrados em 2020, durante a fase mais aguda da volatilidade de mercado.

No Brasil, a Petrobras e a Transpetro anunciaram em janeiro a assinatura de contratos para construção de cinco navios-tanque de gás e 36 embarcações de apoio, em investimento estimado em US$ 521 milhões (cerca de R$ 2,97 bilhões) dentro do Programa Mar Aberto . Segundo a companhia, o plano prevê aportes de cerca de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 34,2 bilhões) entre 2026 e 2030 para a construção de 20 navios de cabotagem, 18 barcaças, 18 rebocadores e o afretamento de 40 embarcações de apoio, reforçando a demanda doméstica por construção naval e serviços de suporte à navegação.

Especialistas ouvidos por consultorias apontam que, apesar do ciclo de encomendas recorde, as atuais taxas de frete podem ser insustentáveis no longo prazo, com expectativa de acomodação a partir do segundo semestre diante de possíveis ajustes de oferta e de uma normalização gradual das rotas afetadas por conflitos.

Fonte: Portos e Navios