Com Lula, Petrobras confirma R$ 303 milhões para construção de 18 barcaças no Beconal
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciaram, em cerimônia na sede do Estaleiro Bertolini, em Manaus (AM), investimentos de R$ 303,5 milhões na construção das 18 barcaças para transporte de petróleo do programa Mar Aberto do Sistema Petrobras. Será a primeira vez que o estaleiro construirá barcaças para serem usadas fora da Amazônia e para navegarem no oceano, transportadas óleo para abastecer petroleiros fundados nos portos de Belém (PA), do Rio de Janeiro, de Santos (SP), de Paranaguá (PR) e de Rio Grande (RS).
A contratação das embarcações será feita em parte diretamente pela Petrobras e em parte pela Transpetro, parcialmente da empresa responsável por sua logística de transporte. De acordo com o presidente da petroleira, a encomenda vai gerar cerca de 3.300 funcionários diretos e indiretos, dos quais 835 diretamente no estaleiro amazonense. Segundo Magda, a opção do estaleiro amazonense faz parte da estratégia da empresa de apoiar a indústria naval brasileira e, ao mesmo tempo, reduzir custos operacionais. “Estamos trabalhando em redução de custos, geração de riqueza e geração de renda. Já estamos com 75 mil empregos na indústria naval brasileira”, afirmou.
Ela explicou que a Petrobras tem em carteira 48 embarcações de vários tamanhos, de embarques de apoio a navios para transporte de petróleo e gás, e disse que a opção de construir em estaleiros brasileiros visa também a redução dos preços na ponta, na hora de entregar seus produtos aos consumidores no país. “Para não onerar os consumidores, resolvemos construir no país”, afirmou Magda. A frota da Petrobras, além das alocadas à Transpetro, conta com mais de 400 embarcações.
No evento, Lula defendeu a construção de embarcações da Petrobras em estaleiros brasileiros, afirmando que essa estratégia faz parte de um projeto de soberania nacional e de desenvolvimento de tecnologia própria e de geração de combustíveis. “Se a gente não faz essas barcaças aqui, a gente não gera emprego, não gera conhecimento tecnológico, não gera profissionais construídos”, disse, referindo-se à encomenda feita ao Estaleiro Bertolini (AM).
O presidente ressaltou que será a primeira vez que a empresa amazonense fará barcaças que serão usadas também no mar, o que será classificado como um avanço para o Brasil e para a indústria naval. Lula afirmou ainda que a opção de comprar de empresas brasileiras deve ser sempre preferencial pela Petrobras e que o país só deve importar aquilo que não produz ou aquilo que não sabe fazer.
Ele disse que, no caso das barcaças encomendadas, o Estaleiro Bertolini está habilitado a competir com qualquer empresa estrangeira e que o Brasil tem todas as condições para ter uma indústria naval própria. “Quando a gente percebe que vocês adquiriram a expertise melhor do que de onde a gente importava, a gente não tem por que importar. O minério de ferro é nosso, a siderúrgica é nossa, a Petrobras é nossa. Por que a gente tem que comprar dos outros?”, indagou.
O presidente defendeu também a importância de usar o potencial da Petrobras como estratégico para a economia brasileira, citando que, se encomendasse as barcaças em outro país, ela poderia até economizar. Ele ressaltou que a petroleira não pode pensar apenas nela como empresa, mas como fator de desenvolvimento para o Brasil. “A Petrobras tem que pensar no Brasil, porque o Brasil é que o dono da Petrobras, e não ela que é dona do Brasil”, declarou.
Rumo aos 100 mil trabalhadores
Lula destacou ainda que as encomendas da petroleira têm sido fundamentais para a reativação da indústria naval brasileira. Disse que, em parte, graças a eles já há 75 mil pessoas empregadas em vagas desesperadas no setor e que sonha que, em breve, esse número chegará a 100 mil. O presidente ressaltou também a importância do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a produção naval e para o Brasil, citando que nos sete anos anteriores a seu governo foram investidos R$ 22 bilhões do fundo setorial em novas construções e que, em pouco mais de três anos desde que tomou posse, os desembolsos passam de R$ 88 bilhões. “Isso significa quatro vezes mais empregos, quatro vezes mais barcaças, quatro vezes mais navios, quatro vezes mais Petrobras”, disse.
A construção das 18 barcaças no Estaleiro Betolini faz do Programa Mar Aberto, para ampliar e renovar sua frota própria de navios, que visa redução de custos logísticos e geração de novos negócios. O Programa prevê a construção de 96 embarcações até 2030, com investimentos de R$ 34,8 bilhões. A Petrobras informou que gastou cerca de R$ 300 milhões por ano na contratação de empresas terceirizadas para transporte e abastecimento de bunker nos principais portos do país. Com o aumento da frota própria e da concentração de armazenamento e da distribuição de combustível marítimo pela Transpetro, a expectativa da companhia é que o Sistema Petrobras reduza esses custos logísticos.
Além das 18 barcaças, a Transpetro contratou também 18 empurradores para atuar no fornecido e na logística do combustível marítimo em alguns dos principais portos brasileiros. Juntos, segundo a petroleira, esses investimentos somam R$ 628 milhões, sendo, além dos R$ 303,5 milhões para a construção das 18 barcaças no estaleiro amazonense, R$ 325,3 milhões para construir 18 empurradores no estaleiro INC — Indústria Naval Catarinense, localizada em Navegantes (SC).
Especificações
As barcaças, sem propulsão própria, serão movimentadas pelos empurradores, com operação sincronizada com velocidade de até seis nós, aproximadamente 11 milhas por hora. Dez delas terão capacidade de três milhões de toneladas de porte bruto (TPB), enquanto as outras oito terão capacidade de dois mil TPB.
As unidades terão até 70 metros de comprimento, 16 metros de boca e 4,5 metros de calado, com possibilidade de transporte de diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados. Também pode operar com energia elétrica em terra e usar energia solar.
Os empurradores, responsáveis pela manobra do conjunto, terão até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de boca, 3,7 metros de calado e potência de 450 kW, com tração de até 13 toneladas e autonomia de cinco dias de navegação contínua. As embarcações contam com tecnologias que ampliam a precisão das operações, sobretudo em áreas restritas.
Fonte: Revista Portos e Navios






