Cargas perigosas mal declaradas representam ameaça constante para navegação e cadeias de suprimento, alerta WSC
Um levantamento divulgado pela Allianz mostra que, a cada 17 dias, ocorre um incêndio em um navio porta-contêiner, ressaltando o risco persistente que produtos perigosos declarados incorretamente ou não declarados representam para tripulantes, o transporte marítimo e cadeias de suprimentos globais. O relatório ‘Allianz Safety & Shipping Review 2026’ aponta que carga declarada incorretamente ainda é o principal fator para esse tipo de incidente a bordo dos conteineiros.
“Produtos perigosos não declarados ou declarados erradamente são uma ameaça conhecida e evitável para marítimos, navios, cargas e meio ambiente marinho. Não é uma questão burocrática. É uma questão de segurança que coloca vidas em risco”, disse o presidente e CEO do World Shipping Council (WSC), Joe Kramek.
“A grande maioria dos transportadores marítimos faz a coisa certa. Mas um pequeno grupo de atores irresponsáveis está negligenciando procedimentos, ocultando riscos e criando perigos para todos na cadeia de suprimentos. Eles também estão prejudicando os embarcadores responsáveis que seguem as regras”, acrescentou o executivo do Conselho Mundial de Navegação.
Em resposta a este aumento das ameaças, o WSC informou que vêm implementando um programa de segurança da carga — uma ferramenta de triagem com uso de inteligência artificial voltada para identificar onde existe alto risco nos embarques, antes que elas sejam carregadas. O conselho citou o caso de uma remessa que foi descrita como “ferramentas manuais” que foi flagrada e foi descoberto que tratava-se de ferramentas com baterias a base de lítio que, se não manejadas corretamente, podem provocar um risco alto de incêndio. Segundo o conselho, este foi um dos milhares de incidentes que o programa conseguiu prevenir.
Os dados mais recentes da Allianz também destacam o risco de incêndios em navios que transportam veículos, com registros desse tipo de incidente a cada 37 dias. A WSC afirma que vêm se esforçando junto à Organização Marítima Internacional (IMO) para apoiar a atualização das regulamentações, a fim de melhorar a segurança contra incêndios em navios Ro-Ro, incluindo o transporte seguro de veículos elétricos.
“A indústria fará sua parte, mas não pode resolver esse desafio sozinha. Existem regras internacionais já em vigor para proteger marítimos, navios, cargas e a cadeia global de suprimentos. Os governos e os reguladores devem aplicá-as”, afirmou Kramek.
Fonte: Portos e Navios






