BNDES melhora condições de crédito de linhas para exportação
As exportações chinesas cresceram em março pela primeira vez em nove meses, estimulando ligeiramente uma economia que luta para reconquistar seu ímpeto.
Economistas alertaram, porém, que o aumento das exportações, após meses de queda, reflete em parte uma retomada sazonal após o feriado do Ano Novo Lunar, em fevereiro, e não deverá se sustentar em razão da morna demanda global. As exportações de março também se beneficiaram do fraco desempenho no mesmo mês do ano passado, o que fez o resultado comparativo parecer melhor.
Em dólares, as exportações aumentaram 11,5% em março, em relação ao mesmo mês de 2015, segundo informou ontem a Administração Geral da Alfândega, após queda de 25,4% em fevereiro. O dado supera o crescimento médio previsto por 14 economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”, que era de 8,5%. Em março, as importações caíram 7,6% (menos que o esperado), após queda de 13,8% de fevereiro. E o superávit comercial da China encolheu de US$ 32,5 bilhões em fevereiro para US$ 29,86 bilhões em março.
“Mesmo com essa reação, o quadro comercial do primeiro trimestre continua bem fraco”, disse ontem Shuang Ding, economista do Standard Chartered Bank. “Não devemos ficar muito certos de uma recuperação.”
O desempenho comercial de março ocorre num momento de fraqueza mundial. Na terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua perspectiva de crescimento da economia mundial neste ano, de 3,4% para 3,2%. Um dia antes, o Banco Mundial havia cortado a sua previsão de 2,9% para 2,5%, em meio a preocupações com o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos e uma ampla desaceleração econômica nos mercados emergentes.
Os exportadores, que antes eram o motor da economia chinesa, enfrentam obstáculos crescentes, com a queda de 2,8% das vendas ao exterior em 2015, após um crescimento médio de 7,5% entre 2012 e 2014. Uma pesquisa do Ministério do Comércio divulgada no mês passado citou como maiores preocupações as flutuações cambiais, a fraca demanda global, problemas de financiamento e a alta dos custos. O salário médio de um operário nas Províncias costeiras da China chega hoje a US$ 600 mensais, o dobro do nível verificado em alguns países do Sudeste Asiático, segundo disse a agência.
O crescimento econômico da China diminuiu para 6,9% em 2015, o pior desempenho em 25 anos. Apesar de alguns sinais de que os gastos do governo e o alívio da política de crédito estão ganhando força no estímulo à economia, o crescimento no primeiro trimestre deverá cair para 6,7%, quando os resultados forem anunciados amanhã. Pelo menos é o que diz a mediana das previsões de 14 economistas consultados pelo “The Wall Street Journal”.
O premiê Li Keqiang disse a governadores de Províncias, em uma reunião na segunda-feira, que a economia ainda enfrenta dificuldades e precisa reduzir o excesso de capacidade industrial e diminuir a burocracia para ajudar a estabilizar o crescimento, apesar de alguns sinais recentes positivos.
A volatilidade do câmbio vem prejudicando os exportadores, embora o valor do yuan tenha se mantido estável nas últimas semanas, depois de perder valor na maior parte do ano passado e no começo de 2016, na esteira das saídas recorde de capital.
Um aperto dos controles de capital vem conseguindo conter, em parte, a saída de divisas, mas a transferência de dinheiro para fora do país ainda preocupa. Economistas apontam para discrepâncias de dados entre as importações da China de Hong Kong, e as exportações de Hong Kong para a China – que em tese deveriam ser mais ou menos equivalentes – como sinal de que algumas empresas estão inflando suas vendas para transferir dinheiro para fora.
As importações vindas de Hong Kong cresceram 116% em março, em relação ao mesmo mês de 2015. Para economistas, isso é um sinal de que a tendência vem se mantendo, após uma alta de 89% no período combinado de janeiro e fevereiro. Isso ocorre ao mesmo tempo em que as importações totais da China continuam caindo.
Fonte: Valor Econômico






