Novo abastecimento de etanol em Santos chegará a 6 mil toneladas

Novo abastecimento de etanol em Santos chegará a 6 mil toneladas

O Porto de Santos (SP) deverá fazer, em breve, um novo e mais desafiador abastecimento de navio com etanol. Em julho, CMA CGM, Copersucar e Bunker One realizam o primeiro abastecimento com etanol de porta-contêineres transoceânico no Brasil, nos terminais da Ageo, maior armazenador de granéis líquidos do complexo santista e da Santos Brasil (Tecon Santos), adquirida pela CMA CGM em 2025. O CMA CGM Iron é apontado como o primeiro porta-contêineres de 13.000 TEUs equipado com motor tri-combustível certificado.

O teste demonstrou o potencial do etanol como combustível marítimo renovável e reforçou o potencial do Porto de Santos e do terminal de contêineres da Santos Brasil como um futuro hub de combustíveis marítimos de baixo carbono para a América do Sul. Como o maior porto do continente e uma das principais portas de entrada e saída do comércio global, Santos tem potencial para conectar os recursos brasileiros de energia renovável à demanda da navegação internacional.

“O primeiro teste envolveu 500 toneladas, o equivalente a 635 mil litros, para abastecer o navio, que partiu de Santos para Cingapura. Recebemos ontem a visita de diretor da Copersucar, que nos informou que o novo abastecimento será de 6 mil toneladas, ou seja, 12 vezes o volume do primeiro teste. Ainda não temos data definida, mas envolverá novamente a CMA CGM, a Copersucar e a Bunker One. O etanol permite reduzir em 80% as emissões de carbono com custos equivalentes. Os novos navios estão sendo fabricados multiflex”, disse à Portos e Navios o diretor de operações da Autoridade Portuária de Santos (APS), Beto Mendes (foto).

Ele contou que o Porto de Santos está se preparando para ser um hub de exportação e abastecimento de etanol, combustível que tem grande potencial para promover a descarbonização do setor marítimo. Com 16 terminais de granéis sólidos, o complexo portuário deve chegar a 50 milhões de toneladas de cargas do agronegócio. Entre as cargas com redução de movimentação está o açúcar, devido à maior demanda pelo álcool — o que leva as usinas privilegiarem sua produção.

“Temos recebido sucessivas visitas da Mitsubishi, que está prospectando para o governo japonês fornecedores de etanol no mundo. Hoje, o Japão mistura na gasolina 1% de metanol e, por força de regulação, até o final de 2030, o país terá de misturar 10% de etanol e até 2035 o percentual vai a 20%. A Mitsubishi já identificou dois produtores: os EUA, que produz álcool de milho, de uma única safra e o Brasil, que produz tanto álcool de cana-de-açúcar quanto de milho em duas safras e até duas safras e meio nas regiões de alta tecnologia e irrigação. A pegada de carbono da produção do Brasil é menor. Já misturamos 30% de etanol à gasolina, percentual que, em breve, será ampliado para 32%”, destacou o diretor de operações da APS.

Ele afirmou que o Porto de Santos tem acompanhado as discussões sobre o combustível verde no mundo e já ficou claro que não haverá um único combustível verde, mas soluções condizentes com cada país. A leitura é que não há ‘bala de prata’, e nem há disponibilidade no mundo para usar um único combustível como hidrogênio verde ou mesmo etanol.

“No Brasil, temos a tecnologia mais avançada do mundo para motores a álcool e cada país tem suas peculiaridades. Os navios multiflex poderão sair de Cingapura com hidrogênio verde, ou GNL — ou mesmo o bunker — e abastecer com etanol em Santos. O presidente da Copersucar estimou que, se 10% dos navios do mundo usarem etanol seria necessário uma vez e meia toda a produção do Brasil. Fomos pesquisar e identificamos que só os navios que vêm para o Brasil consumirem 10% de seu abastecimento de etanol precisaria de 4% da produção de álcool brasileira”, pontuou Mendes.

O diretor da APS destacou que a produção de álcool a partir do milho está crescendo no Centro-Oeste e na região de Rio Verde, em Goiás, onde já passa a linha da ferrovia da Rumo, que também chegará, em quatro anos, até Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso. “Hoje, em Rio Verde, já temos um terminal e o álcool de milho produzido no Centro-Oeste pode chegar aos terminais de Santos por linha ferroviária. Estamos trabalhando pela descarbonização do planeta e impulsionando o agronegócio brasileiro no Centro-Oeste. Hoje, 90% do que ser produz em Goiás já vem para Santos por linha férrea”, concluiu.

O Porto de Santos fez um convênio internacional com a Fundação Valencia Port para elaborar o plano energético e de descarbonização do porto. Com o Porto de Valência um acordo internacional foi assinado para a criação da primeira linha de conteineiros verdes entre os dois portos. “No terminal da Louis Dreyfus foi assinado um acordo com o North Sea Port, da Bélgica. E estamos bastante avançados para implantarmos um corredor verde com o Porto de Roterdã para navios que transportam suco de laranja e também estamos em tratativas avançadas com a França e a Noruega. Em breve, teremos cinco corredores verdes”, celebrou Mendes.

Paralelamente, o porto já implantou mais da metade do cais do porto com eletrificação para atender os rebocadores que conduzem os navios na atracação e desatracação que precisam de energia 24 horas. Quase a metade já é abastecida com energia elétrica. A usina hidrelétrica própria de Itatinga, em Bertioga (SP), já produz 8 megawatts (MW) de energia e vai ser ampliada, por meio de uma parceria público-privada (PPP), para 25 MW.

“Teremos um reforço gigante na geração de energia e de abastecimento de etanol. E a Petrobras e a Transpetro vão iniciar o abastecimento do B24, combustível marítimo com 24% de biodiesel, que permite reduzir 20% das emissões. É um conjunto de ações para que possamos estar cada vez mais aparelhados com as melhores tecnologias do mundo, tanto a APS quanto todos os terminais do porto”, projetou Mendes.

Fonte: Portos e Navios