Marinha do Brasil contribui para normas internacionais sobre propulsão nuclear no transporte marítimo
A Marinha do Brasil, por meio da Secretaria de Segurança Nuclear, Qualidade e Normalização (SecNSNQ), ampliou sua participação nas discussões internacionais sobre o futuro da propulsão nuclear aplicada ao transporte marítimo. Integrantes da Secretaria participaram de mais um ciclo de atividades do Grupo de Correspondência (Correspondence Group) da Organização Marítima Internacional (IMO), dedicado ao desenvolvimento de normas para o emprego de novas tecnologias capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GHG) na navegação comercial.
O ciclo de trabalhos foi concluído em 17 de julho e incluiu reuniões virtuais e a apresentação de contribuições técnicas destinadas à elaboração do futuro marco regulatório internacional para essas tecnologias.
IMO busca regulamentação para novas tecnologias marítimas
Criado durante a 12ª Sessão do Subcomitê de Projetos e Construção de Navios (SDC-12), realizada em janeiro, o Grupo de Correspondência integra o programa da IMO voltado ao desenvolvimento de normas de segurança para tecnologias inovadoras empregadas em embarcações comerciais.
Os trabalhos estão alinhados à estratégia da organização de alcançar emissões líquidas zero de gases de efeito estufa até 2050, objetivo que impulsiona estudos sobre combustíveis alternativos e sistemas avançados de propulsão, incluindo a energia nuclear.
Nesse contexto, representantes de diversos países e organizações internacionais analisam os requisitos técnicos e regulatórios necessários para garantir a utilização segura dessas tecnologias no transporte marítimo.
Energia nuclear está entre os temas prioritários
Entre os principais assuntos debatidos pelo grupo está a aplicação de reatores nucleares na propulsão de navios mercantes, tecnologia considerada por especialistas como uma alternativa de longo prazo para reduzir as emissões de carbono em grandes embarcações.
Os trabalhos incluem a revisão do Código de Segurança Nuclear para Navios Mercantes (Nuclear Code) e das disposições do Capítulo VIII da Convenção SOLAS (Safety of Life at Sea), principal tratado internacional voltado à segurança da navegação.
A atualização desse conjunto de normas deverá estabelecer critérios modernos para projeto, operação e segurança de embarcações comerciais equipadas com sistemas nucleares.
Especialistas brasileiros colaboram com a elaboração das normas
A participação brasileira é conduzida por especialistas da SecNSNQ, entre eles o Capitão de Corveta (Engenheiro Naval) Amilton de Sousa, o Engenheiro Nuclear Andrey Thomé e o Engenheiro Mecânico Felippe Barbosa.
A equipe reúne conhecimentos em engenharia naval, tecnologia nuclear, sistemas de plataformas marítimas e acordos internacionais, contribuindo tecnicamente para a construção do futuro arcabouço regulatório da IMO.
As contribuições brasileiras concentram-se especialmente em aspectos relacionados à segurança nuclear naval e aos requisitos técnicos para o emprego seguro da energia nuclear em embarcações.
Participação fortalece presença brasileira nos fóruns internacionais
A atuação da Marinha do Brasil nos grupos de trabalho da IMO reforça a presença do país nas discussões que definirão os padrões internacionais para a próxima geração de tecnologias marítimas.
Além de contribuir para o desenvolvimento de normas de segurança, a participação permite acompanhar a evolução regulatória de um segmento que poderá influenciar o futuro da indústria naval mundial e da descarbonização do transporte marítimo.
Ao integrar especialistas nacionais ao processo de construção dessas normas, a Marinha fortalece a capacidade técnica brasileira e amplia sua contribuição para temas estratégicos relacionados à inovação, à segurança da navegação e ao desenvolvimento sustentável do setor marítimo.
Fonte: Defesa em Foco






