{"id":9212,"date":"2014-11-24T09:54:30","date_gmt":"2014-11-24T11:54:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=9212"},"modified":"2014-11-24T09:54:30","modified_gmt":"2014-11-24T11:54:30","slug":"navios-da-marinha-passam-meses-a-fio-no-amazonas-para-cuidar-da-saude-de-ribeirinhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/navios-da-marinha-passam-meses-a-fio-no-amazonas-para-cuidar-da-saude-de-ribeirinhos\/","title":{"rendered":"Navios da Marinha passam meses a fio no Amazonas para cuidar da sa\u00fade de ribeirinhos"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Dentista usa alicate para extrair dentes de pacientes. Embarca\u00e7\u00f5es navegam 10 mil quil\u00f4metros pelos rios na regi\u00e3o Norte<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Bruno Grana usa seus alicates e um cortador de fios na boca dos pacientes que costuma atender. Sem luz el\u00e9trica, ele os recebe debaixo da copa de uma \u00e1rvore na comunidade do Caborini, portando uma lanterna, a 648 quil\u00f4metros de Manaus, no Amazonas. Grana \u00e9 dentista da Marinha do Brasil h\u00e1 quatro anos e acredita que o problema de todos os ribeirinhos que atende na Amaz\u00f4nia \u00e9 o mesmo:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o com a limpeza bucal. Aqui na ribeira acreditam que escovar os dentes \u00e9 coisa de gente \u201cfresca\u201d. S\u00f3 caem na real quando eu informo que precisam arrancar oito dentes de uma vez \u2014 explica.<\/p>\n<p>Segundo ele, o pior n\u00e3o \u00e9 ter que trabalhar sem os instrumentos de um consult\u00f3rio \u2014 a maior dificuldade \u00e9 convencer o ribeirinho que limpar o dente \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u2014 Eu come\u00e7o dizendo que vou \u201cdar uma olhada\u201d. Quando se distraem, eu j\u00e1 aplico a anestesia. Sou r\u00e1pido. Arranco um dente por minuto \u2014 diz, retirando um molar de dois cent\u00edmetros e meio da boca de um morador.<\/p>\n<p>Grana faz parte da tripula\u00e7\u00e3o formada por 58 homens e tr\u00eas mulheres do navio Carlos Chagas, da Marinha. A embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos quatro Navios de Assist\u00eancia Hospitalar (NAsH) que cumprem miss\u00f5es anuais na regi\u00e3o amaz\u00f4nica. S\u00e3o cerca de 10 mil quil\u00f4metros navegando pelos rios na regi\u00e3o Norte. Os n\u00fameros mostram a import\u00e2ncia das miss\u00f5es da regi\u00e3o: desde 1984, ano de estreia do programa da Marinha de atendimento ao ribeirinho, j\u00e1 foram realizados 4,2 milh\u00f5es de atendimentos m\u00e9dicos e dent\u00e1rios. Para acompanhar o trabalho da for\u00e7a armada, a reportagem do GLOBO acompanhou por 18 dias o trabalho na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Sentada na Pra\u00e7a D\u2019Armas do navio, a tripula\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u00e0 espera do comandante Caetano Quinaia, chefe da opera\u00e7\u00e3o, para o almo\u00e7o. Quinaia chega, todos se levantam e esperam que ele se sirva \u2014 o almo\u00e7o s\u00f3 come\u00e7a depois que o comandante toca no garfo. N\u00e3o h\u00e1 do que reclamar das refei\u00e7\u00f5es do navio. O card\u00e1pio \u00e9 fruto do bom planejamento dos sargentos que cuidam da prepara\u00e7\u00e3o do almo\u00e7o. Para uma miss\u00e3o de 30 dias dentro da Amaz\u00f4nia, s\u00e3o compradas quase tr\u00eas toneladas de comida.<\/p>\n<p>\u2014 Estou de regime e morrendo por dentro por n\u00e3o poder comer pir\u00e3o e um belo peda\u00e7o de peixe frito \u2014 lamenta Quinaia, que coloca no prato duas colheres de arroz, uma de atum mo\u00eddo e seis ovos de codorna.<\/p>\n<p>Enquanto come, o comandante passa as instru\u00e7\u00f5es para os atendimentos que ser\u00e3o feitos no per\u00edodo da tarde. Para chegar at\u00e9 a comunidade da Boca do Tigre, ser\u00e3o usados a lancha e o helic\u00f3ptero que fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no heliporto do navio. Para coordenar toda a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso mobilizar 32 integrantes, mais a equipe m\u00e9dica (quatro m\u00e9dicos e quatro dentistas) que ir\u00e1 fazer os atendimentos em terra.<\/p>\n<p>O navio \u00e9 um hospital sobre a \u00e1gua. No segundo pavimento, local onde tamb\u00e9m est\u00e1 a ala dos sargentos e suboficiais, est\u00e3o os consult\u00f3rios. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma de estar em uma cl\u00ednica m\u00e9dica. H\u00e1 dois ambulat\u00f3rios m\u00e9dicos e odontol\u00f3gicos, uma sala para exames, uma m\u00e1quina para raio-X e uma sala de cirurgia. Para serem feitas no navio, as opera\u00e7\u00f5es precisam ser r\u00e1pidas e simples.<\/p>\n<p><strong>A miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O itiner\u00e1rio do navio \u00e9 decidido com muita anteced\u00eancia. O objetivo de cada embarca\u00e7\u00e3o \u00e9 atender o m\u00e1ximo de comunidades poss\u00edvel. A dura\u00e7\u00e3o de cada uma das miss\u00f5es \u00e9 de aproximadamente 50 dias. Mas, de acordo com o cronograma anual, uma miss\u00e3o pode come\u00e7ar dois dias ap\u00f3s o encerramento de outra. \u00c9 comum um marinheiro passar at\u00e9 dez meses longe de casa.<\/p>\n<p>Os pain\u00e9is de controle com bot\u00f5es e alavancas lembram um laborat\u00f3rio de filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A sala de controle monitora tudo 24 horas por dia. No lugar, marinheiros se revezam em turnos de quatro horas todos os dias, de domingo a domingo. Ao lado do painel, marinheiros com especializa\u00e7\u00e3o em cartografia ficam a todo tempo calculando o caminho para que n\u00e3o haja erros durante a rota.<\/p>\n<p>Diferentemente do que possa parecer, a navega\u00e7\u00e3o pelos rios da Amaz\u00f4nia n\u00e3o \u00e9 simples. Apesar de apresentar menos riscos em rela\u00e7\u00e3o a uma viagem no mar, pela aus\u00eancia de ondas, h\u00e1 o perigo constante dos bancos de areia, que podem fazer o navio encalhar. Para isso, dentro da sala de comando do NAsH, h\u00e1 tr\u00eas radares que medem a profundidade do casco da embarca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o. Mas, como os bancos de areia s\u00e3o m\u00f3veis, devido \u00e0 correnteza do rio, a profundidade pode ser alterada de 30 para cinco metros rapidamente; outra preocupa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as margens, que, \u00e0s vezes, estreitam tanto o rio que seria imposs\u00edvel dois barcos passarem pelo mesmo ponto um ao lado do outro.<\/p>\n<p>Para um civil, a hierarquia militar pode parecer exagerada num primeiro momento. Tudo \u00e9 feito de forma meticulosamente calculada. Para que o helic\u00f3ptero decole, por exemplo, \u00e0s 13h, com destino a uma comunidade pr\u00f3xima, uma hora antes come\u00e7a a prepara\u00e7\u00e3o para o lan\u00e7amento. Se o navio vai ancorar, praticamente todos os homens do navio assumem um posto pr\u00e9-determinado \u2014 mesmo quem n\u00e3o v\u00e1 desempenhar qualquer fun\u00e7\u00e3o na opera\u00e7\u00e3o. \u00c9 raro haver algum tipo de acidente numa miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nem tudo \u00e9 trabalho durante a expedi\u00e7\u00e3o. Nas horas livres, cada integrante do navio busca uma forma de se divertir. No andar mais baixo do navio, destinado aos cabos e marinheiros, o videogame \u00e9 a principal forma de entretenimento. No pavimento superior, sargentos e suboficiais se enfrentam em partidas de \u201cdominado\u201d, jogo de tabuleiro que lembra o ludo, com algumas regras diferentes. O uso de celulares \u00e9 proibido em todo o navio \u2014 n\u00e3o faz diferen\u00e7a, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 sinal de celular.<\/p>\n<p>Fonte: O Globo \/ Por Renan Fran\u00e7a<\/p>\n<p><strong><em><\/p>\n<p><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dentista usa alicate para extrair dentes de pacientes. Embarca\u00e7\u00f5es navegam 10 mil quil\u00f4metros pelos rios na regi\u00e3o Norte Bruno Grana usa seus alicates e um&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":4185,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-9212","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9212","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9212"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9212\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9213,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9212\/revisions\/9213"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4185"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9212"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9212"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9212"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}