{"id":8648,"date":"2014-10-30T08:05:48","date_gmt":"2014-10-30T10:05:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=8648"},"modified":"2014-10-25T09:48:58","modified_gmt":"2014-10-25T11:48:58","slug":"empresas-do-setor-naval-buscam-talentos-para-gestao-mais-moderna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/empresas-do-setor-naval-buscam-talentos-para-gestao-mais-moderna\/","title":{"rendered":"Empresas do setor naval buscam talentos para gest\u00e3o mais moderna"},"content":{"rendered":"<p>Se a ind\u00fastria petroleira no Brasil atravessa uma fase de estagna\u00e7\u00e3o e mesmo de demiss\u00f5es, a naval e de apoio mar\u00edtimo, que geralmente vem a reboque, tem passado por um per\u00edodo bem mais favor\u00e1vel. Isso acontece porque, mesmo sem novos projetos da Petrobras sendo aprovados, muitos outros j\u00e1 est\u00e3o em andamento.<\/p>\n<p>De acordo com Fernanda Amorim, s\u00f3cia da empresa de sele\u00e7\u00e3o de altos executivos Odgers Berndtson no Brasil, o setor naval come\u00e7ou a crescer h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos e n\u00e3o se desaqueceu. Para dar conta da demanda por diversos tipos de embarca\u00e7\u00e3o, boa parte das companhias de constru\u00e7\u00e3o naval passou a profissionalizar seus quadros de gest\u00e3o e a refor\u00e7ar seus times de m\u00e3o de obra t\u00e9cnica. &#8220;A estrutura\u00e7\u00e3o dos processos est\u00e1 mais industrializada e com um foco em rentabilidade. Os investidores esperam retornos maiores e mais r\u00e1pidos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ao buscar profissionais, essas empresas, geralmente sediadas no Rio, t\u00eam enfrentado dificuldades devido \u00e0s particularidades do segmento. A gest\u00e3o de recursos humanos, por exemplo, precisa entender de aspectos como os turnos de trabalho das tripula\u00e7\u00f5es das embarca\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o departamento est\u00e1 passando por profundas transforma\u00e7\u00f5es nessa ind\u00fastria. &#8220;A cria\u00e7\u00e3o de planos de cargos e sal\u00e1rios e a implementa\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios s\u00e3o tend\u00eancias cada vez mais fortes&#8221;, diz Fernanda.<\/p>\n<p>O radar da procura por talentos na maioria das vezes n\u00e3o rastreia outros ramos de neg\u00f3cio e se limita ao pr\u00f3prio setor naval &#8211; sobretudo para os cargos que requerem conhecimento t\u00e9cnico. Mesmo assim, profissionais do setor &#8220;vizinho&#8221; de \u00f3leo e g\u00e1s t\u00eam se sido uma alternativa, acirrando a disputa pelos melhores talentos.<\/p>\n<p>Uma das sa\u00eddas encontradas pelas companhias para ampliar suas equipes \u00e9 combinar funcion\u00e1rios de perfis complementares, de acordo com Daniel Linhares, diretor de gente e gest\u00e3o do grupo CBO &#8211; Companhia Brasileira de Offshore. Em sua opini\u00e3o, \u00e9 dif\u00edcil encontrar um profissional que tenha conhecimento t\u00e9cnico &#8211; necess\u00e1rio pelas caracter\u00edsticas do neg\u00f3cio &#8211; e compet\u00eancias de gest\u00e3o. &#8220;\u00c9 preciso saber compor o time&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Isso aconteceu na CBO, que, segundo Linhares, tem planos agressivos de crescimento para os pr\u00f3ximos anos, movidos pela venda do grupo para dois fundos de private equity em dezembro do ano passado. Foi por interm\u00e9dio de um deles &#8211; o Vinci Partners &#8211; que o executivo, com passagem pela Vale entre 2001 e 2007, assumiu o cargo atual.<\/p>\n<p>Em sua pr\u00f3pria diretoria, ele aplica a l\u00f3gica da composi\u00e7\u00e3o do quadro com profissionais de habilidades distintas. &#8220;Trouxe pessoas com conhecimentos de metodologias, ferramentas de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho e de cargos e sal\u00e1rios. No entanto, mantive quem entende das particularidades do setor, como a folha de remunera\u00e7\u00e3o dos mar\u00edtimos, que t\u00eam uma rotina bastante espec\u00edfica&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 equilibrar esfor\u00e7os para implementar na empresa um modelo de remunera\u00e7\u00e3o vari\u00e1vel mais agressivo. &#8220;O segmento naval e de apoio mar\u00edtimo ainda \u00e9 muito &#8216;old school&#8217; e possui poucas pr\u00e1ticas de gest\u00e3o modernas. H\u00e1 sal\u00e1rios muito altos e, geralmente, os ganhos vari\u00e1veis s\u00e3o muito baixos ou inexistentes&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>Rafael Faria, diretor e s\u00f3cio da Fesa, companhia de recrutamento de executivos, calcula que um gerente pleno nesse mercado esteja em uma faixa salarial entre R$ 25 mil e R$ 30 mil mensais. O especialista tamb\u00e9m identifica a falta de executivos capacitados para atuar no setor e diz que j\u00e1 viu empresas buscarem profissionais at\u00e9 em segmentos como o de minera\u00e7\u00e3o. &#8220;As empresas querem uma gest\u00e3o mais efetiva em termos de custos operacionais e de manuten\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Entre as exig\u00eancias mais comuns dos empregadores para quem pretende trabalhar nessa ind\u00fastria est\u00e3o boas rela\u00e7\u00f5es comerciais com os principais contratantes e ag\u00eancias controladoras do setor. A falta de profissionais passa tamb\u00e9m pela \u00e1rea do direito, segundo Ronaldo Lima, diretor comercial da CBO e presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Apoio Mar\u00edtimo. &#8220;H\u00e1 uma car\u00eancia muito grande de advogados que conhe\u00e7am direito mar\u00edtimo e legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria. Trata-se de uma especializa\u00e7\u00e3o bastante complexa&#8221;, afirma Lima, que tem notado a migra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m de executivos que fizeram carreira na \u00e1rea administrativo-financeira para a naval.<\/p>\n<p>Rela\u00e7\u00f5es com players do segmento \u00e9 algo que se conquista com o tempo. Dessa maneira, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que se busquem executivos j\u00e1 atuantes no setor para as vagas de gest\u00e3o. Graduado em engenharia civil, Lima conta que, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980, passou a trabalhar em um estaleiro devido \u00e0 baixa demanda por profissionais de sua \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. Em 1991, foi convidado para presidir uma empresa de apoio mar\u00edtimo, na qual ficou por 16 anos. Depois, se transferiu para a CBO, onde est\u00e1 h\u00e1 quase dez.<\/p>\n<p>O executivo afirma que h\u00e1 um &#8220;gap&#8221; na forma\u00e7\u00e3o de engenheiros navais, muito devido \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o do mercado de constru\u00e7\u00e3o naval no final da d\u00e9cada de 1980 e nos anos 1990. &#8220;Sem emprego, v\u00e1rios engenheiros foram abrir pizzarias em Niter\u00f3i. No in\u00edcio dos anos 2000, houve uma retomada no aquecimento do mercado de constru\u00e7\u00e3o de barcos de apoio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Foi depois disso que a carreira do portugu\u00eas Francisco Nunes Neves, atualmente CEO da Bravante, empresa de apoio mar\u00edtimo, constru\u00e7\u00e3o e reparo naval e prote\u00e7\u00e3o ambiental, enveredou pela \u00e1rea. Sua trajet\u00f3ria come\u00e7ou nos anos 1990 na Brahma (atual Ambev), onde trabalhou por cerca de tr\u00eas anos na \u00e1rea de vendas. &#8220;Em 2001, decidi aceitar o desafio de atuar na \u00e1rea de log\u00edstica portu\u00e1ria e ferrovi\u00e1ria da Vale&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>O executivo entrou na companhia como diretor e saiu em 2007, em busca de novas oportunidades profissionais. Por sete meses foi presidente da Cemar &#8211; Companhia Energ\u00e9tica do Maranh\u00e3o. Em seguida, foi para a Odebrecht, onde se tornou respons\u00e1vel pela \u00e1rea portu\u00e1ria da OTP, bra\u00e7o de infraestrutura do grupo. No fim de 2011, assumiu a presid\u00eancia de uma empresa de gerenciamento de res\u00edduos, at\u00e9 ser contratado pela Bravante.<\/p>\n<p>O que mais o atraiu na empresa, segundo ele, foi o ritmo acelerado de crescimento. &#8220;H\u00e1 um programa de constru\u00e7\u00e3o de 15 novos barcos, decis\u00e3o tomada nos \u00faltimos quatro anos. Percebi que era um momento muito favor\u00e1vel na ind\u00fastria&#8221;. Neves afirma que sua experi\u00eancia foi decisiva para ocupar o cargo de CEO. &#8220;Trouxe um modelo de gest\u00e3o que aprendi ao longo de minha vida profissional, calcado em tr\u00eas pilares: pessoas treinadas e motivadas, disciplina nos processos para a entrega do melhor servi\u00e7o e a constitui\u00e7\u00e3o de um neg\u00f3cio que seja rent\u00e1vel para os s\u00f3cios&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Ronaldo Lima, da CBO, a frota do setor de apoio mar\u00edtimo, que atualmente conta com cerca de 500 embarca\u00e7\u00f5es, deve chegar a cerca de 700 at\u00e9 2020. Neves, da Bravante, estima a necessidade de um contingente de 200 a 250 novos barcos para os pr\u00f3ximos cinco ou sete anos. E constru\u00ed-los no Brasil, de acordo com Fernanda Amorim, s\u00f3cia da Odgers Berndtson, acaba sendo mais barato que no exterior.<\/p>\n<p>As contrata\u00e7\u00f5es no mercado de \u00f3leo e g\u00e1s, por sua vez, continuam em compasso de espera. No entanto, Karim Warrak, s\u00f3cio-diretor da Asap Recruiters, consultoria de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o de executivos, afirma que esse quadro tende a se modificar a partir de 2015, o que tamb\u00e9m beneficiar\u00e1 as movimenta\u00e7\u00f5es no segmento de apoio mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>Segundo ele, a previs\u00e3o \u00e9 que o Brasil dobre o volume de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo at\u00e9 2020 com o pr\u00e9-sal. Em raz\u00e3o disso, novas plataformas v\u00e3o come\u00e7ar a operar no pa\u00eds a partir do ano que vem &#8211; demandando profissionais n\u00e3o somente de n\u00edvel t\u00e9cnico, mas tamb\u00e9m em cargos de gest\u00e3o. &#8220;Ser\u00e1 preciso contratar mais pessoas de suporte, de recursos humanos, de finan\u00e7as e da \u00e1rea jur\u00eddica. J\u00e1 come\u00e7amos a sentir um movimento nesse sentido&#8221;, afirma Warrak.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico\/Edson Valente | De S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a ind\u00fastria petroleira no Brasil atravessa uma fase de estagna\u00e7\u00e3o e mesmo de demiss\u00f5es, a naval e de apoio mar\u00edtimo, que geralmente vem a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":3239,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-8648","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8648"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8649,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8648\/revisions\/8649"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}