{"id":7208,"date":"2014-08-15T08:18:26","date_gmt":"2014-08-15T11:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=7208"},"modified":"2014-08-14T21:20:55","modified_gmt":"2014-08-15T00:20:55","slug":"em-busca-de-gas-natural-empresa-dos-eua-aposta-alto-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/em-busca-de-gas-natural-empresa-dos-eua-aposta-alto-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Em busca de g\u00e1s natural, empresa dos EUA aposta alto em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>Poucas estradas chegam at\u00e9 essa vila de pescadores nas praias do leste da \u00c1frica. H\u00e1 falta de \u00e1gua pot\u00e1vel e eletricidade. Cobras venenosas, mosquitos transmissores da mal\u00e1ria e rebeldes armados s\u00e3o alguns dos perigos da regi\u00e3o. Mas \u00e9 aqui que a Anadarko Petroleum Corp. quer construir um dos maiores projetos j\u00e1 idealizados por uma empresa ocidental de energia. Ela se comprometeu a construir pr\u00e9dios com ar condicionado, uma pista de pouso e um porto &#8211; e realocar quase 3.000 habitantes da vila que hoje moram em casas de barro. A procura por petr\u00f3leo tem levado empresas a lugares remotos ao longo da hist\u00f3ria da ind\u00fastria petrol\u00edfera. Mas a Anadarko n\u00e3o est\u00e1 aqui pelo ouro negro. <\/p>\n<p>A empresa americana est\u00e1 atr\u00e1s de algo mais abundante, embora menos lucrativo: g\u00e1s natural localizado a cerca de 50 quil\u00f4metros mar adentro. &#8220;Petr\u00f3leo \u00e9 provavelmente mais f\u00e1cil&#8221;, diz Don MacLiver, o executivo respons\u00e1vel pelo desenvolvimento do projeto em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>Mas como muitas empresas, a Anadarko atua conforme as oportunidades dispon\u00edveis. Entre elas, diz ele, est\u00e3o as &#8220;grandes descobertas de g\u00e1s natural em regi\u00f5es remotas&#8221;. Esse \u00e9 o desafio para muitas das principais empresas de energia: o g\u00e1s natural, n\u00e3o o petr\u00f3leo, representa cerca de 65% das reservas encontradas nos \u00faltimos dez anos, segundo a consultoria IHC Inc. E muitas das maiores descobertas s\u00e3o em lugares bem longe de casa. <\/p>\n<p>O projeto em Mo\u00e7ambique, que j\u00e1 consumiu US$ 1 bilh\u00e3o em investimentos da Anadarko at\u00e9 agora, est\u00e1 entre as iniciativas mais extremas para transformar essas descobertas em energia comercializ\u00e1vel. Com os consumidores t\u00e3o longe dali, a Anadarko planeja construir uma esp\u00e9cie de freezer gigante para resfriar o g\u00e1s \u00e0 temperatura da lua incrustrada de gelo que orbita J\u00fapiter. O processo converte g\u00e1s em estado l\u00edquido, assim ele pode ser transportado em tanques refrigerados pelo mar, como o petr\u00f3leo. Exportar este combust\u00edvel gera um fluxo de caixa mais est\u00e1vel e duradouro que a extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, mas sem a grande margem de lucro do petr\u00f3leo bruto.<\/p>\n<p>Outras grandes petrol\u00edferas est\u00e3o trabalhando em projetos similares, como a italiana Eni SpA, a brit\u00e2nica BG Group e a norueguesa Statoil ASA. Muitos analistas estimam que a demanda global por g\u00e1s natural liquefeito, ou GNL, ir\u00e1 dobrar em 20 anos, impulsionada pelo crescimento r\u00e1pido das economias asi\u00e1ticas. A demanda europeia pelo g\u00e1s importado por vias mar\u00edtimas tamb\u00e9m cresce \u00e0 medida que o bloco busca alternativas ao g\u00e1s importado da R\u00fassia. A aposta da Anadarko em Mo\u00e7ambique \u00e9 particularmente ousada. Com um valor de mercado de US$ 54,9 bilh\u00f5es, ela se tornar\u00e1 a primeira petrol\u00edfera americana de seu porte a explorar, liquefazer e exportar g\u00e1s. Tais projetos costumavam ser dominados por gigantes como a Exxon Mobil Corp. e Royal Dutch Shell PLC, que superam em 30 vezes o faturamento da Anadarko.<\/p>\n<p>O valor estimado para perfurar os po\u00e7os e construir as duas f\u00e1bricas iniciais para resfriar o g\u00e1s em Palma &#8211; de US$ 16 bilh\u00f5es &#8211; \u00e9 maior que o produto interno bruto de Mo\u00e7ambique em 2013, de US$ 15,3 bilh\u00f5es. Com uma fatia de 26,5%, a participa\u00e7\u00e3o da Anadarko nos custos seria de cerca de US$ 4,2 bilh\u00f5es. A empresa tem planos ainda mais ambiciosos. Nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, ela pretende construir at\u00e9 14 f\u00e1bricas refrigeradas aqui, diz MacLiver, o executivo da Anadarko. Tal escala pode rivalizar com o maior centro mundial de exporta\u00e7\u00e3o de g\u00e1s liquefeito, que fica no Catar. Mas o custo pode crescer consideravelmente. Desde 2000, o custo de constru\u00e7\u00e3o de projetos de GNL mais que triplicou, de acordo com a consultoria Merlin Advisors LLC. O GNL \u00e9 t\u00e3o caro que a Anadarko e seus s\u00f3cios n\u00e3o entrariam no neg\u00f3cio sem alguma garantia de lucratividade.<\/p>\n<p>Atualmente, eles tentam fechar acordos com compradores asi\u00e1ticos para cerca de 60% do GNL, em contratos que podem durar d\u00e9cadas. At\u00e9 o momento, contudo, o cons\u00f3rcio &#8211; que inclui empresas do Jap\u00e3o, Tail\u00e2ndia e a estatal de energia de Mo\u00e7ambique &#8211; anunciou apenas tentativas de acordos preliminares. &#8220;Estamos noivos e conversando sobre o casamento&#8221;, disse em maio o diretor-presidente da Anadarko, Al Walker, sobre os acordos. Os contratos finais deixariam cerca de 40% de GNL para ser vendido no mercado livre. A Anadarko deve decidir sobre os pr\u00f3ximos passos do projeto apenas em 2015. O objetivo \u00e9 come\u00e7ar a vender GNL em 2019 &#8211; meta considerada ambiciosa demais por muitos analistas. Enquanto isso, os desafios permanecem. Palma est\u00e1 entre as regi\u00f5es menos desenvolvidas da antiga col\u00f4nia portuguesa. Mesmo hoje, as mulheres carregam baldes na cabe\u00e7a para transportar \u00e1gua das bicas coletivas para casa. Os pescadores trabalham em pequenos barcos de madeira e secam os peixes na praia, em redes suspensas.<\/p>\n<p>Mas a descoberta de g\u00e1s natural em 2010 j\u00e1 come\u00e7ou a dar sinais vis\u00edveis de melhora na vida dos habitantes da regi\u00e3o. Homens em bicicleta agora compartilham a estrada com grandes camionetes com a logomarca da Anadarko. &#8220;O g\u00e1s \u00e9 uma promessa de desenvolvimento&#8221;, diz Abdul Razak Noormahomed, o viceministro de Recursos Minerais de Mo\u00e7ambique. O governo, diz ele, quer que parte do g\u00e1s permane\u00e7a no pa\u00eds para impulsionar o desenvolvimento industrial. Ao contr\u00e1rio dos planos de exporta\u00e7\u00e3o da Anadarko, uma empresa brasileira quer produzir energia em Mo\u00e7ambique para que seja utilizada no desenvolvimento sustent\u00e1vel do pa\u00eds. <\/p>\n<p>A usina Guarani, parceria entre a cooperativa francesa de commodities Tereos e a Petrobras Biocombust\u00edvel, j\u00e1 produz a\u00e7\u00facar a partir de cana-de-a\u00e7\u00facar no pa\u00eds desde 2007 e se prepara para produzir etanol. No fim de 2011, um protocolo de inten\u00e7\u00f5es foi assinado, em Maputo, capital de Mo\u00e7ambique, entre a Petrobras Biocombust\u00edvel, a Guarani e a Petr\u00f3leos Mo\u00e7ambique para a produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de etanol no pa\u00eds africano.<\/p>\n<p>Segundo pessoas a par do assunto, o protocolo de inten\u00e7\u00f5es deve se transformar em parceria assim que o governo local introduzir a mistura de 10% de etanol na gasolina. Na \u00e9poca do an\u00fancio do protocolo, a Petrobras Biocombust\u00edvel estimou os investimentos na iniciativa em US$ 20 milh\u00f5es. A expectativa \u00e9 de que a produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar da Guarani em Mo\u00e7ambique atinja 550.000 toneladas na safra atual comparado com 470.000 toneladas da anterior, segundo balan\u00e7o financeiro divulgado ontem pela Tereos, controladora da Guarani. <\/p>\n<p>De acordo com o documento, a receita l\u00edquida no primeiro trimestre das opera\u00e7\u00f5es na \u00c1frica e no Oceano \u00cdndico, onde a unidade de Mo\u00e7ambique est\u00e1 inclu\u00edda, ficou em R$ 190 milh\u00f5es, praticamente est\u00e1vel. (Colaborou Eduardo Magossi.)<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4micoDevon Maylie e Daniel Gilbert | The Wall Street Journal, de Palma, Mo\u00e7ambique<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucas estradas chegam at\u00e9 essa vila de pescadores nas praias do leste da \u00c1frica. 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