{"id":67821,"date":"2026-10-08T11:44:48","date_gmt":"2026-10-08T14:44:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=67821"},"modified":"2026-10-08T11:44:48","modified_gmt":"2026-10-08T14:44:48","slug":"falta-de-infraestrutura-e-de-rotas-e-barreiras-regulatorias-travam-multimodalidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/falta-de-infraestrutura-e-de-rotas-e-barreiras-regulatorias-travam-multimodalidade-no-brasil\/","title":{"rendered":"Falta de infraestrutura e de rotas e barreiras regulat\u00f3rias travam multimodalidade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A multimodalidade e a intermodalidade ainda enfrentam um obst\u00e1culo que vai al\u00e9m da disponibilidade de ferrovias, portos, hidrovias e rodovias: a dificuldade de fazer esses diferentes ativos funcionarem de forma verdadeiramente integrada. Falta de previsibilidade, terminais de conex\u00f5es insuficientes, assimetrias regulat\u00f3rias e pouca coordena\u00e7\u00e3o entre os agentes envolvidos est\u00e3o entre os fatores que limitam o aproveitamento dos diferentes modais. \u00c9 o que mostra o novo \u2018Perfil dos Operadores Log\u00edsticos no Brasil\u2019, estudo encomendado pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Operadores Log\u00edsticos (Abol) a cada dois anos ao Instituto de Log\u00edstica e Supply Chain (Ilos).<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, os encadeamentos deficientes entre os modais aparecem, antes de tudo, na falta de op\u00e7\u00f5es de rotas. O problema \u00e9 especialmente evidente nas liga\u00e7\u00f5es que envolvem vias fluviais. 62% dos entrevistados apontam esse entrave na combina\u00e7\u00e3o entre rodovia e hidrovia, percentual que chega a 60% na liga\u00e7\u00e3o entre cabotagem e hidrovia. J\u00e1 a indisponibilidade de infraestrutura pesa mais entre rodovia e ferrovia, citada por 53% dos respondentes. Quando o impasse \u00e9 a qualidade das estruturas existentes, a maior complica\u00e7\u00e3o est\u00e1 entre ferrovias e hidrovias, mencionada por 60%.<\/p>\n<p>No campo regulat\u00f3rio, as maiores restri\u00e7\u00f5es aparecem na integra\u00e7\u00e3o entre o a\u00e9reo e o rodovi\u00e1rio, com 45% apontando as exig\u00eancias normativas como empecilho. Outro eixo de desafio relevante que a pesquisa traz refere-se \u00e0 baixa integra\u00e7\u00e3o entre sistemas, sendo a combina\u00e7\u00e3o cabotagem (mar) &#8211; hidrovia (rios) a que recebeu pior avalia\u00e7\u00e3o (50% dos respondentes).<\/p>\n<p>Os terminais, por sua vez, revelam obst\u00e1culos de cunho regulat\u00f3rio e sist\u00eamico. Nos terminais alfandegados, como portos secos e Centros Log\u00edsticos e Industriais Aduaneiros (CLIAs), 71% mostram as exig\u00eancias regulat\u00f3rias como obje\u00e7\u00e3o. Nos a\u00e9reos, a quest\u00e3o \u00e9 mencionada por 61% dos operadores log\u00edsticos. A baixa integra\u00e7\u00e3o entre sistemas aparece de forma disseminada, apontada por cerca de metade dos participantes do estudo em praticamente todos os tipos de terminais. Ao mesmo tempo, a oferta de instala\u00e7\u00f5es permanece restrita: 55% comentam a pouca quantidade de terminais ferrovi\u00e1rios e 70% fazem a mesma avalia\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos hidrovi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O estudo revela que esse conjunto de limita\u00e7\u00f5es ajuda a explicar por que a matriz brasileira permanece fortemente concentrada no rodovi\u00e1rio. Atualmente, 63% do TKU (Tonelada Quil\u00f4metro \u00datil, medida do esfor\u00e7o de transporte) nacional corresponde ao transporte por rodovias, em compara\u00e7\u00e3o a 50% nos Estados Unidos, 29% na China e 24% na Uni\u00e3o Europeia. A avalia\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios operadores refor\u00e7a o diagn\u00f3stico, j\u00e1 que nenhum dos modais recebeu nota superior a seis, em uma escala de zero a dez. As piores an\u00e1lises foram atribu\u00eddas \u00e0s infraestruturas ferrovi\u00e1rias, com m\u00e9dia de 3,2, e hidrovi\u00e1ria, com 3,4, justamente aquelas apontadas com maior frequ\u00eancia como carentes de rotas e de qualidade.<\/p>\n<p>\u201cA multimodalidade no pa\u00eds depende de infraestrutura e sistemas conectados, regula\u00e7\u00e3o coordenada e planejamento de longo prazo. \u00c9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que os diferentes modais se complementem e para que o setor privado consiga planejar suas opera\u00e7\u00f5es com mais previsibilidade. Ou seja, precisamos que a multimodalidade seja tratada como uma pol\u00edtica de estado, e n\u00e3o de governo, para garantir a sua evolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a diretora executiva da Abol, Marcella Cunha.<\/p>\n<p>Atualmente, 31% dos operadores log\u00edsticos oferecem servi\u00e7os multimodais. Desses, 17% movimentam produtos utilizando dois modais e, apenas 3% conectam tr\u00eas modalidades de transporte numa mesma opera\u00e7\u00e3o. Entre as empresas de grande porte, o percentual da multimodalidade chega a 44%, ante 29% nas m\u00e9dias e 19% nas pequenas.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da multimodalidade, no entanto, depende de fatores que ultrapassam a decis\u00e3o individual das organiza\u00e7\u00f5es. Para 88%, o avan\u00e7o desse modelo exige coordena\u00e7\u00e3o entre governos e iniciativa privada, combinando pol\u00edticas p\u00fablicas, recursos financeiros e capacidade de execu\u00e7\u00e3o. Entre os fatores apontados como capazes de destravar a eleva\u00e7\u00e3o da multimodalidade, 52% destacam maior previsibilidade, 39% melhor conex\u00e3o entre os modais e 36% a aprimoramento das rodovias.<\/p>\n<p>\u201cMultimodalidade se decide com dados de origem\/destino, tipo de carga, prazo, custo, risco, n\u00edvel de servi\u00e7o. Precisamos tirar do rodovi\u00e1rio aquilo que outros modais podem fazer melhor em determinadas geografias, rotas, dist\u00e2ncias e volumes\u201d, refor\u00e7ou Marcella.<\/p>\n<p><strong>Receita, arrecada\u00e7\u00e3o e empregos<\/strong><br \/>\nO relat\u00f3rio revelou tamb\u00e9m que, em 2025, os Operadores Log\u00edsticos registraram Receita Operacional Bruta (ROB) de R$ 247 bilh\u00f5es, alta de 18% em rela\u00e7\u00e3o ao registrado em 2023. O montante corresponde a quase 2% do PIB e a cerca de 20% dos gastos nacionais com transporte e armazenagem. O crescimento acompanha a expans\u00e3o do segmento, que hoje re\u00fane cerca de 1.500 empresas, 15% a mais do que na edi\u00e7\u00e3o\u00a0anterior. Al\u00e9m disso, 64% das companhias ampliaram sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o desde 2022.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se reflete na gera\u00e7\u00e3o de empregos. Os OLs foram respons\u00e1veis por 983 mil postos diretos e, considerando os empregos indiretos e as cadeias perif\u00e9ricas, chegaram a 2,8 milh\u00f5es de pessoas, equivalentes a 2,7% da popula\u00e7\u00e3o ocupada no Brasil. Na arrecada\u00e7\u00e3o, foram gerados R$ 57 bilh\u00f5es em tributos e encargos, dos quais R$ 8,5 bilh\u00f5es est\u00e3o relacionados \u00e0s associadas \u00e0 Abol.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A multimodalidade e a intermodalidade ainda enfrentam um obst\u00e1culo que vai al\u00e9m da disponibilidade de ferrovias, portos, hidrovias e rodovias: a dificuldade de fazer esses&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":67822,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-67821","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67821","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67821"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67821\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67823,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67821\/revisions\/67823"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/67822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}