{"id":67584,"date":"2026-09-23T13:57:45","date_gmt":"2026-09-23T16:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=67584"},"modified":"2026-09-23T13:57:45","modified_gmt":"2026-09-23T16:57:45","slug":"marinha-abre-canal-de-45-km-para-retirar-navio-mercante-encalhado-proximo-a-foz-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/marinha-abre-canal-de-45-km-para-retirar-navio-mercante-encalhado-proximo-a-foz-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Marinha abre canal de 45 km para retirar navio mercante encalhado pr\u00f3ximo \u00e0 foz do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>O salvamento do <em>Shri Ganesha<\/em> virou uma opera\u00e7\u00e3o de hidrografia aplicada. Sem propuls\u00e3o e encalhado em uma \u00e1rea assoreada e n\u00e3o cartografada do Amap\u00e1, o mercante s\u00f3 p\u00f4de ser retirado depois que a \u00a0<span class=\"google-anno-t\">Marinha<\/span> mapeou profundidades, acompanhou as mar\u00e9s e identificou um canal de aproximadamente 45 quil\u00f4metros ligando o ponto do encalhe a \u00e1guas j\u00e1 conhecidas.<\/p>\n<h2>Falha de propuls\u00e3o levou navio a encalhar em \u00e1rea n\u00e3o cartografada<\/h2>\n<p>A ocorr\u00eancia come\u00e7ou em 30 de agosto de 2026, quando o agente do navio mercante <strong>Shri Ganesha<\/strong>, de bandeira da Tanz\u00e2nia, acionou o SALVAMAR NORTE ap\u00f3s uma avaria na pra\u00e7a de m\u00e1quinas. O navio apresentava alagamento e havia perdido a propuls\u00e3o enquanto navegava na costa do Amap\u00e1.<\/p>\n<p>Naquele momento, a embarca\u00e7\u00e3o estava a cerca de <strong>161 milhas n\u00e1uticas, aproximadamente 300 quil\u00f4metros, ao norte de Santana (AP)<\/strong>. A bordo permaneciam nove tripulantes. Sob influ\u00eancia de ventos fortes e correntes mar\u00edtimas, o mercante ficou \u00e0 deriva at\u00e9 encalhar em uma \u00e1rea rasa, assoreada e n\u00e3o cartografada, a aproximadamente 3,5 milhas n\u00e1uticas, ou 6,4 quil\u00f4metros, da Ilha de Marac\u00e1.<\/p>\n<div class=\"td-a-rec td-a-rec-id-content_inline  tdi_2 td_block_template_11\"><\/div>\n<p>O cen\u00e1rio reunia riscos simult\u00e2neos. Al\u00e9m do alagamento e da aus\u00eancia de propuls\u00e3o, o navio transportava \u00f3leo combust\u00edvel e permanecia apoiado no fundo durante parte do ciclo de mar\u00e9. Essa condi\u00e7\u00e3o elevava o esfor\u00e7o sobre o casco e criava preocupa\u00e7\u00e3o com poss\u00edveis fissuras e eventual vazamento, especialmente em uma regi\u00e3o ambientalmente sens\u00edvel pr\u00f3xima \u00e0 foz do Rio Amazonas.<\/p>\n<p>Os nove tripulantes permaneceram em seguran\u00e7a durante todo o per\u00edodo. Segundo a Ag\u00eancia Marinha de Not\u00edcias, n\u00e3o houve registro de v\u00edtimas nem de danos ambientais ao longo da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2>Hidrografia identificou canal de 45 km para viabilizar o reboque<\/h2>\n<p>O desafio principal n\u00e3o era apenas colocar um rebocador ao lado do navio. Como o <em>Shri Ganesha<\/em> havia encalhado em uma \u00e1rea sem dados cartogr\u00e1ficos adequados de profundidade e relevo do fundo, era necess\u00e1rio primeiro compreender o ambiente onde a manobra seria realizada.<\/p>\n<p>Para isso, o Navio Hidrogr\u00e1fico Balizador <strong>Tenente Castelo<\/strong> realizou sondagens e an\u00e1lises no entorno do mercante, especialmente durante per\u00edodos de baixa-mar. O levantamento permitiu identificar um canal com aproximadamente <strong>450 jardas de largura, cerca de 411 metros, e 24,4 milhas n\u00e1uticas de extens\u00e3o, aproximadamente 45 quil\u00f4metros<\/strong>.<\/p>\n<p>Esse corredor ligava a posi\u00e7\u00e3o do navio avariado a uma \u00e1rea previamente cartografada e forneceu a refer\u00eancia necess\u00e1ria para planejar a retirada com maior seguran\u00e7a. Na pr\u00e1tica, a Marinha precisou produzir informa\u00e7\u00e3o hidrogr\u00e1fica nova durante a pr\u00f3pria opera\u00e7\u00e3o de salvamento.<\/p>\n<p>O trabalho n\u00e3o se limitou \u00e0 profundidade. Com base nas observa\u00e7\u00f5es locais das varia\u00e7\u00f5es da mar\u00e9 e em coordena\u00e7\u00e3o com o <strong>Centro de Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o do Norte<\/strong>, foi elaborada uma t\u00e1bua de mar\u00e9s espec\u00edfica para a regi\u00e3o pr\u00f3xima ao navio. A combina\u00e7\u00e3o entre batimetria e comportamento das mar\u00e9s ajudou a definir janelas mais seguras para as manobras.<\/p>\n<p>Esse aspecto transforma o caso em um exemplo concreto de emprego da hidrografia para a seguran\u00e7a mar\u00edtima. Levantamentos do fundo, dados de mar\u00e9 e an\u00e1lise de navegabilidade deixaram de ser apenas instrumentos de cartografia e passaram a orientar diretamente a tomada de decis\u00e3o em uma emerg\u00eancia real.<\/p>\n<h2>Opera\u00e7\u00e3o de tr\u00eas semanas reuniu Marinha, Petrobras e setor offshore<\/h2>\n<p>Logo ap\u00f3s o pedido de socorro, o Navio-Patrulha <strong>Guaruj\u00e1<\/strong> deixou Bel\u00e9m levando bombas de esgoto de grande porte, alimentos e \u00e1gua pot\u00e1vel para apoiar a tripula\u00e7\u00e3o e contribuir para o controle do alagamento. O Navio-Patrulha <strong>Bocaina<\/strong> tamb\u00e9m participou do apoio log\u00edstico.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o envolveu ainda a Petrobras e a Bram Offshore. A empresa disponibilizou o rebocador <strong>Mr. Chafic<\/strong>, empregado em atividades na Margem Equatorial, para auxiliar na retirada do navio. O uso de um meio civil especializado mostrou a complementaridade entre capacidade militar, coordena\u00e7\u00e3o da Autoridade Mar\u00edtima e recursos do setor offshore em uma ocorr\u00eancia complexa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o controle do alagamento e o planejamento das manobras, o Comando do 4\u00ba Distrito Naval e a Capitania dos Portos do Amap\u00e1 coordenaram os procedimentos de reboque com as empresas envolvidas. O <em>Mr. Chafic<\/em> iniciou a opera\u00e7\u00e3o na manh\u00e3 de 18 de setembro.<\/p>\n<p>O reboque foi conclu\u00eddo em 21 de setembro, com a chegada do <em>Shri Ganesha<\/em> ao Porto de Outeiro, em Bel\u00e9m, onde a embarca\u00e7\u00e3o passaria por reparos. Ao todo, a resposta durou cerca de tr\u00eas semanas e envolveu controle de avaria, apoio log\u00edstico, hidrografia, an\u00e1lise de mar\u00e9s, coordena\u00e7\u00e3o com empresas privadas e reboque de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caso ganha relev\u00e2ncia adicional porque n\u00e3o foi o primeiro epis\u00f3dio semelhante em 2026 na costa do Amap\u00e1. Em abril, outro navio de bandeira da Tanz\u00e2nia, o <em>M.V. Latifa<\/em>, tamb\u00e9m perdeu capacidade de propuls\u00e3o na regi\u00e3o e precisou ser socorrido em opera\u00e7\u00e3o coordenada pela \u00a0<span class=\"google-anno-t\">Marinha<\/span>.<\/p>\n<p>A repeti\u00e7\u00e3o de ocorr\u00eancias desse tipo refor\u00e7a a import\u00e2ncia de capacidades permanentes de busca e salvamento, patrulha, hidrografia e apoio mar\u00edtimo no extremo Norte do pa\u00eds. Em uma \u00e1rea marcada por fortes correntes, grandes amplitudes de mar\u00e9, bancos de sedimentos e crescente atividade mar\u00edtima e offshore, a disponibilidade de dados e meios de resposta pode ser decisiva para proteger tripula\u00e7\u00f5es, navega\u00e7\u00e3o e meio ambiente.<\/p>\n<p>No caso do <em>Shri Ganesha<\/em>, o resultado foi obtido sem v\u00edtimas e sem registro de dano ambiental. Mais do que retirar um mercante encalhado, a opera\u00e7\u00e3o mostrou como conhecimento hidrogr\u00e1fico, presen\u00e7a naval e coordena\u00e7\u00e3o entre meios p\u00fablicos e privados podem transformar uma \u00e1rea desconhecida em uma rota segura de salvamento.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O salvamento do Shri Ganesha virou uma opera\u00e7\u00e3o de hidrografia aplicada. 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