{"id":67261,"date":"2026-09-08T10:58:07","date_gmt":"2026-09-08T13:58:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=67261"},"modified":"2026-09-08T10:58:07","modified_gmt":"2026-09-08T13:58:07","slug":"cabotagem-pode-reduzir-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-no-transporte-de-grandes-volumes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/cabotagem-pode-reduzir-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-no-transporte-de-grandes-volumes\/","title":{"rendered":"Cabotagem pode reduzir emiss\u00f5es de gases de efeito estufa no transporte de grandes volumes"},"content":{"rendered":"<p>Um navio consome grande quantidade de combust\u00edvel durante uma viagem. Ainda assim, pode emitir proporcionalmente menos gases de efeito estufa. A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1, principalmente, na quantidade de carga que consegue transportar de uma s\u00f3 vez. Uma embarca\u00e7\u00e3o pode movimentar milhares de toneladas em uma \u00fanica viagem. Dessa forma, o consumo de combust\u00edvel e as emiss\u00f5es s\u00e3o distribu\u00eddos por uma quantidade muito maior de mercadorias.<\/p>\n<p>Essa capacidade ajuda a explicar por que a cabotagem pode reduzir emiss\u00f5es em determinadas opera\u00e7\u00f5es log\u00edsticas. O resultado, por\u00e9m, n\u00e3o depende apenas da viagem mar\u00edtima. Tamb\u00e9m entram no c\u00e1lculo os trajetos rodovi\u00e1rios at\u00e9 os portos, a ocupa\u00e7\u00e3o do navio, as dist\u00e2ncias percorridas e as opera\u00e7\u00f5es realizadas nos terminais.<\/p>\n<p>A cabotagem \u00e9 a navega\u00e7\u00e3o entre portos ou pontos do territ\u00f3rio brasileiro. Pode ocorrer pelo mar ou combinar rotas mar\u00edtimas e vias naveg\u00e1veis interiores. Diferentemente da navega\u00e7\u00e3o de longo curso, ligada ao com\u00e9rcio internacional, transporta cargas dentro do pa\u00eds. A defini\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista na Lei n\u00ba 9.432, de 8 de janeiro de 1997.<\/p>\n<p>Em 2025, os gran\u00e9is l\u00edquidos e gasosos, especialmente petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, predominaram na cabotagem brasileira. O modal tamb\u00e9m transportou cargas em cont\u00eaineres, como alimentos, eletrodom\u00e9sticos, roupas, produtos qu\u00edmicos e outros bens destinados ao mercado interno.<\/p>\n<h2 id=\"eficiencia-vem-da-escala\"><strong>Efici\u00eancia vem da escala<\/strong><\/h2>\n<p>Uma das unidades utilizadas para comparar diferentes meios de transporte \u00e9 a tonelada-quil\u00f4metro, ou tkm. Ela representa o transporte de uma tonelada de carga por um quil\u00f4metro e permite relacionar o volume movimentado, a dist\u00e2ncia percorrida e as emiss\u00f5es geradas.<\/p>\n<p>Como refer\u00eancia internacional, os fatores de convers\u00e3o publicados pelo governo brit\u00e2nico para 2025 apontam emiss\u00e3o m\u00e9dia de aproximadamente 16 gramas de di\u00f3xido de carbono equivalente por tonelada-quil\u00f4metro para um navio de carga.<\/p>\n<p>No transporte de cont\u00eaineres, levantamento da Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq) mostrou que os navios de bandeira brasileira empregados na cabotagem tinham, em 2021, capacidade m\u00e9dia de aproximadamente 3,1 mil TEUs.<\/p>\n<p>O TEU corresponde a um cont\u00eainer de 20 p\u00e9s. Como um cont\u00eainer de 40 p\u00e9s equivale a dois TEUs, um navio com capacidade para 3,1 mil TEUs pode oferecer espa\u00e7o equivalente ao de aproximadamente 1.550 carretas, considerando um cont\u00eainer de 40 p\u00e9s por ve\u00edculo.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o \u00e9 ilustrativa. O n\u00famero efetivo de viagens depende do peso e do tipo da carga, do tamanho dos cont\u00eaineres, da ocupa\u00e7\u00e3o do navio e dos limites estabelecidos para o transporte rodovi\u00e1rio.<\/p>\n<h2 id=\"distancia-ate-o-porto-tambem-entra-na-conta\"><strong>Dist\u00e2ncia at\u00e9 o porto tamb\u00e9m entra na conta<\/strong><\/h2>\n<p>A cabotagem tende a ser mais eficiente em opera\u00e7\u00f5es com longas dist\u00e2ncias, grandes volumes, demanda regular e origem e destino pr\u00f3ximos dos portos. Essa vantagem pode diminuir quando a carga precisa percorrer trechos extensos por rodovia antes do embarque ou depois do desembarque.<\/p>\n<p>Transbordos, refrigera\u00e7\u00e3o, deslocamentos sem carga e opera\u00e7\u00f5es realizadas nos terminais tamb\u00e9m geram emiss\u00f5es e precisam ser considerados. Com base nos fatores internacionais citados, o transporte de uma tonelada por 2 mil quil\u00f4metros pelo mar geraria aproximadamente 32 quilos de di\u00f3xido de carbono equivalente.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo mostra por que a avalia\u00e7\u00e3o ambiental precisa considerar toda a opera\u00e7\u00e3o, desde a origem da carga at\u00e9 o destino final.<\/p>\n<h2 id=\"tecnologia-ajuda-a-reduzir-o-consumo-dos-navios\"><strong>Tecnologia ajuda a reduzir o consumo dos navios<\/strong><\/h2>\n<p>A efici\u00eancia das pr\u00f3prias embarca\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m influencia o resultado. Ajustes de velocidade e rota, manuten\u00e7\u00e3o e limpeza do casco, aperfei\u00e7oamento de motores e h\u00e9lices, recupera\u00e7\u00e3o de calor e sistemas h\u00edbridos com baterias est\u00e3o entre as medidas capazes de reduzir o consumo de energia.<\/p>\n<p>Outras tecnologias permitem fornecer eletricidade ao navio enquanto permanece atracado, utilizar o vento como apoio \u00e0 propuls\u00e3o ou criar uma camada de ar entre o casco e a \u00e1gua para diminuir o atrito durante a navega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O setor tamb\u00e9m pesquisa ou utiliza combust\u00edveis como biodiesel, biometano, etanol, metanol de baixo carbono, am\u00f4nia, hidrog\u00eanio e op\u00e7\u00f5es sint\u00e9ticas. Cada alternativa apresenta custos, n\u00edveis de desenvolvimento e necessidades espec\u00edficas de infraestrutura.<\/p>\n<p>No Brasil, j\u00e1 foram realizados testes com etanol e autorizados a comercializa\u00e7\u00e3o e o uso do VLS B24, combust\u00edvel mar\u00edtimo de baixo teor de enxofre misturado a 24% de biodiesel. Segundo a Petrobras, o produto pode ser utilizado em motores existentes e reduzir em aproximadamente 20% as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. O percentual pode variar de acordo com a origem da mat\u00e9ria-prima.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio internacional, a Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional estabeleceu como meta alcan\u00e7ar emiss\u00f5es l\u00edquidas zero na navega\u00e7\u00e3o internacional por volta de 2050. A estrat\u00e9gia prev\u00ea ainda reduzir a intensidade de carbono do setor em pelo menos 40% at\u00e9 2030, em compara\u00e7\u00e3o com 2008, e ampliar o uso de tecnologias e combust\u00edveis de emiss\u00e3o zero ou pr\u00f3xima de zero.<\/p>\n<h2 id=\"integracao-entre-os-transportes-define-o-resultado\"><strong>Integra\u00e7\u00e3o entre os transportes define o resultado<\/strong><\/h2>\n<p>A cabotagem n\u00e3o elimina a participa\u00e7\u00e3o dos caminh\u00f5es na cadeia log\u00edstica. Seu potencial est\u00e1 justamente na integra\u00e7\u00e3o entre diferentes meios de transporte: os navios percorrem os trechos em que a capacidade de carga proporciona maior efici\u00eancia, enquanto o transporte rodovi\u00e1rio atende \u00e0s etapas que exigem maior capilaridade e flexibilidade.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o basta comparar isoladamente um navio e um caminh\u00e3o. Para medir as emiss\u00f5es de uma opera\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio considerar todo o percurso da mercadoria, incluindo coleta, transporte at\u00e9 o porto, opera\u00e7\u00f5es nos terminais, viagem mar\u00edtima e entrega ao destino.<\/p>\n<p>Navios com boa ocupa\u00e7\u00e3o, terminais eficientes e trajetos terrestres mais curtos e planejados podem ampliar a vantagem ambiental da cabotagem e contribuir para reduzir as emiss\u00f5es no transporte de grandes volumes pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Fonte: Informativo dos Portos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um navio consome grande quantidade de combust\u00edvel durante uma viagem. Ainda assim, pode emitir proporcionalmente menos gases de efeito estufa. 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