{"id":67153,"date":"2026-09-02T11:13:19","date_gmt":"2026-09-02T14:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=67153"},"modified":"2026-09-02T11:13:19","modified_gmt":"2026-09-02T14:13:19","slug":"epe-aponta-20-clusters-propicios-para-eolica-offshore-na-costa-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/epe-aponta-20-clusters-propicios-para-eolica-offshore-na-costa-brasileira\/","title":{"rendered":"EPE aponta 20 clusters prop\u00edcios para e\u00f3lica offshore na costa brasileira"},"content":{"rendered":"<div class=\"content\">\n<p>A publica\u00e7\u00e3o de estudo de caracteriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas para e\u00f3lica offshore pela Empresa de Pesquisas Energ\u00e9ticas (EPE) mobilizou entidades ligadas ao setor. A EPE divulgou estudo de caracteriza\u00e7\u00e3o das bases de dados de recursos e\u00f3licos dispon\u00edveis com a agrega\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es geogr\u00e1ficas de acordo com dados de vento considerado. Foram detalhadas as regi\u00f5es de acordo com seu recurso e\u00f3lico. Os dados s\u00e3o relevantes para o planejamento energ\u00e9tico e setorial da fonte e\u00f3lica e poder\u00e3o ser utilizados para a elabora\u00e7\u00e3o de estudos de recursos de vento para as \u00e1reas de offshore e o setor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>O estudo identificou 20 clusters na costa brasileira e, entre estes, tr\u00eas prop\u00edcios \u00e0 gera\u00e7\u00e3o offshore no Brasil, com ventos consistentes entre 7 e 10 metros por segundo. S\u00e3o eles: Cluster no Nordeste entre o Piau\u00ed e o Rio Grande do Norte; Cluster no Sudeste, focado na costa do Rio de Janeiro; e o Cluster no Sul, abrangendo de Santa Catarina ao Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>A Coaliz\u00e3o E\u00f3lica Marinha (CEM), iniciativa empresarial criada por players do setor para acelerar os projetos de e\u00f3lica offshore no pa\u00eds, destacou que o estudo tamb\u00e9m revela a complementaridade dos tr\u00eas clusters. A const\u00e2ncia dos ventos nordestinos proporciona previsibilidade \u00e0 opera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico. No litoral fluminense, os ventos ganham muita for\u00e7a exatamente no pico do ver\u00e3o, ajudando a suprir a alta demanda. J\u00e1 no Sul, a velocidade m\u00e9dia se mant\u00e9m alta o ano inteiro com uma varia\u00e7\u00e3o sazonal muito menor. De modo geral, a costa brasileira registra ventos mais fortes no segundo semestre, com picos de intensidade \u00e0 noite e na madrugada.<\/p>\n<p>Em 2020, no relat\u00f3rio Roadmap E\u00f3lica Offshore Brasil, a EPE havia estimado o potencial t\u00e9cnico da fonte a 100 metros de altura em cerca de 700 gigawatts (GW) em locais com profundidade at\u00e9 50m, e em mais de 900 GW para o limite de profundidade de 100 metros. Outro desafio identificado no relat\u00f3rio \u00e9 a necessidade de conferir maior precis\u00e3o aos dados climatol\u00f3gicos e meteoceanogr\u00e1ficos.<\/p>\n<p>A EPE avalia que esse conhecimento se torna ainda mais relevante e urgente diante da possibilidade de cess\u00e3o de \u00e1reas para a instala\u00e7\u00e3o de projetos, que deve ser informada por uma indica\u00e7\u00e3o locacional das \u00e1reas mais adequadas, que pode considerar, dentre outros crit\u00e9rios, a perspectiva t\u00e9cnico-econ\u00f4mica e energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>O estudo comparou tr\u00eas bases de dados amplamente utilizadas: ERA5, MERRA-2 e GWA, observando discrep\u00e2ncias relevantes entre os modelos \u2014 no Nordeste, ERA5 e MERRA-2 tendem a indicar velocidades maiores do que o GWA, enquanto no Sul e no Sudeste a rela\u00e7\u00e3o se inverte. A pr\u00f3pria EPE ressalta que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel afirmar qual base \u00e9 mais aderente \u00e0 realidade brasileira justamente pela escassez de medi\u00e7\u00f5es em campo.<\/p>\n<p>A clusteriza\u00e7\u00e3o revelou 20 agrupamentos com sazonalidades pr\u00f3prias, evidenciando que o perfil di\u00e1rio e anual do recurso e\u00f3lico offshore varia espacialmente de forma significativa \u2014 informa\u00e7\u00e3o que s\u00f3 poder\u00e1 ser validada por meio de campanhas de medi\u00e7\u00e3o in situ. Isso ratifica, com for\u00e7a t\u00e9cnica, a urg\u00eancia de liberar o acesso \u00e0s \u00e1reas para que os desenvolvedores realizem campanhas anemom\u00e9tricas que confirmem e detalhem o potencial mapeado, transformando modelagem em dado concreto.<\/p>\n<p><strong>Decreto<\/strong><br \/>\nA CEM defendeu a publica\u00e7\u00e3o urgente do decreto regulamentador. \u201cPrecisamos permitir que os desenvolvedores iniciem suas campanhas de medi\u00e7\u00e3o e transformem esse potencial mapeado pela EPE em infraestrutura real e em desenvolvimento industrial para o pa\u00eds\u201d, defendeu a coaliz\u00e3o em uma rede social.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Energia E\u00f3lica (ABEE\u00f3lica) divulgou um documento em que defende que a fonte j\u00e1 demonstrou capacidade de atrair investimentos, interiorizar renda, criar uma cadeia industrial e oferecer eletricidade competitiva e de baixa emiss\u00e3o de carbono. Mas a entidade adverte que o potencial e\u00f3lico passou a ser limitado por cortes crescentes de gera\u00e7\u00e3o, atrasos nas obras de infraestrutura e limita\u00e7\u00f5es do sistema de transmiss\u00e3o, al\u00e9m de dificuldades de acesso \u00e0 rede, sinais econ\u00f4micos distorcidos, insufici\u00eancia de flexibilidade e desacelera\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Armazenamento<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 as novas tecnologias como os Sistemas de Armazenamento de Energia, Data Centers, Hidrog\u00eanio de Baixa Emiss\u00e3o de Carbono, Eletrifica\u00e7\u00e3o Industrial e E\u00f3lica Offshore exigem planejamento energ\u00e9tico e coordena\u00e7\u00e3o institucional de longo prazo. A entidade prop\u00f4s uma agenda em linha com a agenda e as contribui\u00e7\u00f5es do F\u00f3rum das Associa\u00e7\u00f5es do Setor El\u00e9trico (FMASE), da Coaliz\u00e3o do Setor El\u00e9trico CEBDS\/PSR, e da ampla participa\u00e7\u00e3o da Presidente Executiva no Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico Social Sustent\u00e1vel (CDESS).<\/p>\n<p>O documento lista sete prioridades: Governan\u00e7a, previsibilidade e capacidade de execu\u00e7\u00e3o; Plano Nacional para reduzir cortes de gera\u00e7\u00e3o; Expans\u00e3o da transmiss\u00e3o e acesso \u00e0 rede; Investimento em flexibilidade operativa de menor custo e baixa emiss\u00e3o de carbono; Isonomia e sinais econ\u00f4micos eficientes; Eletrifica\u00e7\u00e3o industrial e o acesso \u00e0s novas cargas para reindustrializar o Brasil; e Estrat\u00e9gia Nacional para desenvolver a ind\u00fastria de e\u00f3lica offshore com responsabilidade social.<\/p>\n<p>Para o prioridade de governan\u00e7a, a proposta da ABEE\u00f3lica \u00e9 instituir uma agenda nacional de energia, ind\u00fastria e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, coordenada pela presid\u00eancia, CNDI e CNPE, com prioridades p\u00fablicas, respons\u00e1veis, prazos e acompanhamento trimestral. O programa deve resguardar a continuidade das a\u00e7\u00f5es em andamento, fortalecer a autonomia e a capacidade t\u00e9cnica da Aneel, EPE, ONS e CCEE, dar transpar\u00eancia \u00e0s decis\u00f5es do CNDI, CNPE, Ibama e do CMSE, aprimorar o processo de licenciamento ambiental de infraestruturas estrat\u00e9gicas e priorit\u00e1rias e assegurar a previsibilidade normativa e o respeito aos contratos.<\/p>\n<p>Com isso, o governo deixaria de reagir a ciclos econ\u00f4micos isolados e passa a operar um projeto nacional integrado para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social que considera uma vis\u00e3o ampla das a\u00e7\u00f5es envolvendo: amplia\u00e7\u00e3o de rede, flexibilidade no Sistema Interligado Nacional (SIN), defini\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de cortes de gera\u00e7\u00e3o, novas cargas, crescimento da ind\u00fastria e\u00f3lica e desenvolvimento da ind\u00fastria de e\u00f3licas offshore sob a mesma l\u00f3gica de custo sist\u00eamico total.<\/p>\n<p>Para a segunda prioridade, a entidade prop\u00f5e criar um Plano Nacional de Redu\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Curtailment<\/em>, com diagn\u00f3stico p\u00fablico por causa e regi\u00e3o, crit\u00e9rios objetivos e reproduz\u00edveis para classificar restri\u00e7\u00f5es, metas anuais de redu\u00e7\u00e3o e carteira de solu\u00e7\u00f5es. A pol\u00edtica deve combinar refor\u00e7os de rede, melhoria operativa, armazenamento, resposta da demanda, conex\u00e3o flex\u00edvel e novas cargas localizadas de modo eficiente.<\/p>\n<p>No caso da Transmiss\u00e3o, a ABEE\u00f3lica destaca que a PNAST \u2014 Pol\u00edtica Nacional de Acesso ao Sistema de Transmiss\u00e3o, institu\u00edda recentemente pelo Decreto 12.772, de 5 de dezembro de 2025, vem com a promessa de otimizar a contrata\u00e7\u00e3o do uso do sistema de transmiss\u00e3o a fim de dar maior isonomia, efici\u00eancia e modicidade tarif\u00e1ria ao consumidor. Mas a entidade entende que a PNAST representa parte de um conjunto sofisticado de medidas que ainda precisam ser executadas para adaptar-se \u00e0 nova realidade operativa com as novas necessidades sist\u00eamicas de forma transparente, segura e sustent\u00e1vel. E defende o reconhecimento e fortalecimento da EPE.<\/p>\n<p>A proposta para armazenamento \u00e9 concluir o marco regulat\u00f3rio dos sistemas de armazenamento que deve contemplar diferentes formas de uso das baterias, evitar cobran\u00e7as duplicadas pelo uso da rede e permitir que esses sistemas sejam remunerados pelos diversos benef\u00edcios que oferecem. Tamb\u00e9m deve estabelecer regras de conex\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de condi\u00e7\u00f5es adequadas de tributa\u00e7\u00e3o e financiamento.<\/p>\n<p>No tocante \u00e0 isonomia, a ABEE\u00f3lica prop\u00f5e revisar o modelo de subs\u00eddios existentes, os encargos e as regras de rateio com base em causalidade, benef\u00edcio econ\u00f4mico e social mensur\u00e1vel. Para a MMGD, a pol\u00edtica deve medir custos e benef\u00edcios locacionais e hor\u00e1rios, aprimorar medi\u00e7\u00e3o e resposta a sinais operativos, para coibir irregularidades e garantir isonomia competitiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais fontes despach\u00e1veis pelo operador.<\/p>\n<p>Por fim, a ABEE\u00f3lica defende implementar integralmente a Lei 15.097\/2025 por meio de uma Estrat\u00e9gia Nacional de Gera\u00e7\u00e3o E\u00f3lica Offshore, com governan\u00e7a interministerial, portal \u00fanico de informa\u00e7\u00f5es, planejamento espacial marinho, crit\u00e9rios de cess\u00e3o de \u00e1reas, licenciamento ambiental robusto, regras de conex\u00e3o, estrat\u00e9gia portu\u00e1ria e roteiro para o primeiro certame.<\/p>\n<p><strong>Fonte:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.portosenavios.com.br\/noticias\/offshore\/epe-aponta-20-clusters-propicios-para-eolica-offshore-na-costa-brasileira\">Portos e Navios<\/a>.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A publica\u00e7\u00e3o de estudo de caracteriza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas para e\u00f3lica offshore pela Empresa de Pesquisas Energ\u00e9ticas (EPE) mobilizou entidades ligadas ao setor. 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