{"id":65447,"date":"2026-05-21T12:07:12","date_gmt":"2026-05-21T15:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=65447"},"modified":"2026-05-21T12:07:12","modified_gmt":"2026-05-21T15:07:12","slug":"cultura-oceanica-invade-escolas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/cultura-oceanica-invade-escolas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Cultura oce\u00e2nica invade escolas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\">J\u00e1 passam de 700 as institui\u00e7\u00f5es de ensino, p\u00fablicas e privadas, a adotar a cultura oce\u00e2nica em seus curr\u00edculos, de forma interdisciplinar. O movimento, que come\u00e7ou em Portugal, vem conquistando cada vez mais escolas brasileiras, que inclu\u00edram voluntariamente o tema em seus programas pedag\u00f3gicos. Esse n\u00famero deve aumentar, caso seja aprovado o Projeto de Lei em tramita\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara dos Deputados que torna o conte\u00fado obrigat\u00f3rio nas salas de aula.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Em Bras\u00edlia (DF), a Escola P\u00fablica Integral Bil\u00edngue \u2013 Libras e Portugu\u00eas \u2013 do Plano Piloto j\u00e1 nasceu sob essa diretriz, em fevereiro do ano passado. Apesar de residirem a mais de 1.100 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do litoral, os cerca de 140 estudantes, de diversas idades, s\u00e3o capazes de entender a influ\u00eancia do oceano sobre suas atividades di\u00e1rias e, principalmente, como suas a\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m interferem na vida marinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Trazer o assunto para a realidade dos alunos n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o f\u00e1cil.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>O maior desafio \u00e9 pensar em estrat\u00e9gias de ensino \u2018pra\u2019 trazer essa tem\u00e1tica do mar no contexto do Plano Piloto. O Distrito Federal n\u00e3o tem acesso direto ao mar, ent\u00e3o isso foge um pouco do que os alunos vivem no dia a dia. E n\u00f3s temos que usar a criatividade\u201d, conta a professora Karoline Rodrigues, que leciona para as crian\u00e7as surdas ou com defici\u00eancia auditiva do 1\u00ba e 2\u00ba anos do Ensino Fundamental.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<h5 class=\"text-align-justify\">\u201c\u00c1gua para qu\u00ea?\u201d<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Embora n\u00e3o tenham contato com a \u00e1gua salgada, os alunos aprendem a comparar com os problemas dos ecossistemas que conhecem. O trabalho tem rendido frutos: a institui\u00e7\u00e3o de ensino foi vencedora do 14\u00ba Circuito de Ci\u00eancias do Distrito Federal, na categoria \u201cEnsino M\u00e9dio Regular\u201d do Plano Piloto. O concurso, realizado pela Secretaria de Estado de Educa\u00e7\u00e3o no ano passado, teve como tema \u201c\u00c1gua para qu\u00ea?\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A escola foi premiada com o trabalho \u201cO processo de eutrofiza\u00e7\u00e3o: comparativo da an\u00e1lise dos experimentos simulados com as coletas do Lago Parano\u00e1\u201d. Um dos autores, o aluno Juca Poljack, conta o que aprendeu com o estudo. \u201cA qualidade da \u00e1gua interfere na nossa qualidade de vida e estamos todos interconectados. N\u00e3o podemos achar que uma a\u00e7\u00e3o nossa n\u00e3o interfere no mundo. Precisamos cuidar dos nossos microespa\u00e7os para que isso resulte em uma sociedade melhor.\u201d<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Pioneirismo de Santos<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">A cultura oce\u00e2nica j\u00e1 \u00e9 obrigat\u00f3ria nas escolas de Santos (SP), primeira cidade do mundo a aprovar uma lei para implementar atividades relacionadas ao tema na rede municipal de ensino. O\u00a0ent\u00e3o Secret\u00e1rio Municipal do Meio Ambiente, Marcos Lib\u00f3rio, explicou que a iniciativa surgiu da necessidade de um investimento na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u201cA gente precisava criar ou, pelo menos, conscientizar as crian\u00e7as da sua responsabilidade cidad\u00e3 no respeito ao oceano, no respeito \u00e0 nossa praia\u201d, disse ele na ocasi\u00e3o da promulga\u00e7\u00e3o. Mas antes mesmo que a legisla\u00e7\u00e3o entrasse em vigor, em 2022, a escola Professor Jo\u00e3o Papa Sobrinho j\u00e1 adotava o assunto em suas aulas: o projeto Embaixadores do S\u00e9culo XXI buscava formar alunos protagonistas e multiplicadores de a\u00e7\u00f5es relacionadas ao meio ambiente e \u00e0 cultura oce\u00e2nica.<\/p>\n<figure><figcaption class=\"text-end text-dark-emphasis pe-2\">Alunos da escola Professor Jo\u00e3o Papa Sobrinho, em Santos, participam de atividade relacionada \u00e0 cultura oce\u00e2nica. Institui\u00e7\u00e3o foi uma das pioneiras do Brasil a adotar o tema em sala de aula \u2014 Imagem: Prefeitura de Santos<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">Atender \u00e0 nova lei municipal foi, portanto, um caminho natural para a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>Os docentes receberam a iniciativa com entusiasmo, incorporando atividades pr\u00e1ticas e interdisciplinares ligadas ao oceano, enquanto os alunos se engajaram ativamente em campanhas de sustentabilidade, na separa\u00e7\u00e3o correta dos res\u00edduos e no desenvolvimento de projetos criativos de reciclagem\u201d, conta o Coordenador do projeto, Renato Correia.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Escolas azuis<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Institui\u00e7\u00f5es como a de Bras\u00edlia e a de Santos, que assumiram o compromisso de disseminar a cultura oce\u00e2nica, s\u00e3o conhecidas como \u201cescolas azuis\u201d e integram o Programa Escola Azul Brasil, coordenado pelo projeto de extens\u00e3o Mar\u00e9 de Ci\u00eancia, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo. A forma\u00e7\u00e3o de docentes, assim como a legisla\u00e7\u00e3o, a produ\u00e7\u00e3o de material e o engajamento social s\u00e3o as bases da iniciativa, segundo o Coordenador do Mar\u00e9 de Ci\u00eancia, Ronaldo Christofoletti.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>O Brasil, hoje, concentra 25% das escolas azuis do mundo todo, que j\u00e1 est\u00e3o em mais de 70 pa\u00edses. E qual que \u00e9 o objetivo? \u00c9 que cada uma olhe a sua realidade local, onde estiver, perto ou longe do mar, e respondam \u00e0 pergunta: onde est\u00e1 a minha conex\u00e3o com o oceano? E, assim, elas constroem projetos a partir daquele conhecimento, daquela din\u00e2mica. Ent\u00e3o, \u00e9 um movimento que s\u00f3 cresce e que est\u00e1 virando exemplo mundial\u201d, explica Christofoletti.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<figure><figcaption class=\"text-end text-dark-emphasis pe-2\">Segundo o Coordenador do Mar\u00e9 de Ci\u00eancia, Ronaldo Christofoletti, Brasil se tornou exemplo mundial ao adotar cultura oce\u00e2nica no curr\u00edculo escolar \u2014 Imagem: Congresso em Foco<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">Com a possibilidade de tornar obrigat\u00f3ria a cultura oce\u00e2nica no curr\u00edculo escolar nacional, a a\u00e7\u00e3o ganha outra dimens\u00e3o. \u201cHoje, temos 23 munic\u00edpios e sete estados brasileiros com legisla\u00e7\u00f5es para a cultura oce\u00e2nica, al\u00e9m de uma discuss\u00e3o ampla no Minist\u00e9rio de Educa\u00e7\u00e3o e no Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o para a inclus\u00e3o em n\u00edvel nacional, processo pelo qual o Brasil se transformou refer\u00eancia mundial pela UNESCO\u201d, ressalta o Coordenador.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\n<h5 class=\"text-align-justify\">Pol\u00edtica nacional<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">A promo\u00e7\u00e3o da cultura oce\u00e2nica na sociedade brasileira tamb\u00e9m \u00e9 foco do Plano Setorial para os Recursos do Mar, que estabelece as metas da Pol\u00edtica Nacional para os Recursos do Mar at\u00e9 2027. Por isso, a Marinha do Brasil (MB), como coordenadora da Comiss\u00e3o Interministerial para os Recursos do Mar, apoia iniciativas como as escolas azuis. O Projeto est\u00e1 alinhado a outras a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pela MB nesse contexto, como o Programa de Mentalidade Mar\u00edtima (PROMAR).<\/p>\n<figure><figcaption class=\"text-end text-dark-emphasis pe-2\">Durante a COP-30, alunos da Escola Municipal Vereador Genaro Apollaro, de Barcarena (PA), visitaram o Navio-Aer\u00f3dromo Multiprop\u00f3sito \u201cAtl\u00e2ntico\u201d, pelo Programa Escola Azul Brasil \u2014 Imagem: Marinha do Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">O Assessor Especial em Gerenciamento Costeiro da Secretaria da Comiss\u00e3o Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), Capit\u00e3o de Mar e Guerra (Reserva) Rodrigo Carvalho, explica que o PROMAR atua na promo\u00e7\u00e3o da mentalidade mar\u00edtima e da cultura oce\u00e2nica, principalmente entre crian\u00e7as, jovens e educadores, buscando ampliar o conhecimento sobre a Amaz\u00f4nia Azul, os recursos marinhos e a import\u00e2ncia do oceano para o desenvolvimento sustent\u00e1vel do Pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>O fortalecimento de iniciativas como o Programa Escola Azul Brasil evidencia a relev\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e sociedade para a constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira cultura oce\u00e2nica no Pa\u00eds. Ao apoiar a\u00e7\u00f5es dessa natureza, a Marinha do Brasil e a SECIRM contribuem para formar novas gera\u00e7\u00f5es mais conscientes, preparadas e comprometidas com a prote\u00e7\u00e3o do oceano e com o desenvolvimento sustent\u00e1vel da na\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, conclui o Assessor.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Marinha de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 passam de 700 as institui\u00e7\u00f5es de ensino, p\u00fablicas e privadas, a adotar a cultura oce\u00e2nica em seus curr\u00edculos, de forma interdisciplinar. 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