{"id":6508,"date":"2014-07-09T09:35:10","date_gmt":"2014-07-09T12:35:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=6508"},"modified":"2014-07-09T10:36:19","modified_gmt":"2014-07-09T13:36:19","slug":"bacia-de-santos-tem-vazamentos-400-vezes-maior-que-campos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/bacia-de-santos-tem-vazamentos-400-vezes-maior-que-campos\/","title":{"rendered":"Bacia de Santos tem vazamentos 400 vezes maior que Campos"},"content":{"rendered":"<p>A atividade petrol\u00edfera na Bacia de Santos, respons\u00e1vel pela maior parte dos reservat\u00f3rios gigantes do pr\u00e9-sal, registrou \u00edndice de vazamentos de \u00f3leo 400 vezes maior do que Campos, bacia onde est\u00e3o concentrados os po\u00e7os mais antigos e boa parte da atual produ\u00e7\u00e3o nacional, mostrou um estudo obtido com exclusividade pela Reuters.<\/p>\n<p>O alto grau de polui\u00e7\u00e3o na bacia onde est\u00e1 grande parte do pr\u00e9-sal e a falta de transpar\u00eancia nos dados sobre vazamentos preocupa especialistas, no momento em que o Brasil se prepara para elevar de forma relevante a produ\u00e7\u00e3o, com o desenvolvimento de \u00e1reas de grande complexidade t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), com base em dados de 2008 a 2012, indicou que a Bacia de Santos jogou no mar um litro de \u00f3leo para cada 33,3 mil litros de petr\u00f3leo produzidos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Bacia de Campos teve um litro vazado para cada 13,58 milh\u00f5es de litros produzidos. A bacia, concentrada no litoral fluminense, \u00e9 respons\u00e1vel hoje por 75 por cento do petr\u00f3leo extra\u00eddo no pa\u00eds, que ainda vem majoritariamente de reservat\u00f3rios que n\u00e3o est\u00e3o nas camadas do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia nacional de vazamentos foi de um litro de \u00f3leo vazado para cada 349,6 mil litros produzidos no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O levantamento da Uerj foi feito com informa\u00e7\u00f5es do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e considerou o despejo de qualquer \u00f3leo danoso ao meio ambiente, como petr\u00f3leo, fluidos de perfura\u00e7\u00e3o, combust\u00edveis e \u00e1gua oleosa, por toda a ind\u00fastria de petr\u00f3leo mar\u00edtima.<\/p>\n<p>Os dados coletados foram analisados de acordo com as coordenadas geogr\u00e1ficas das bacias, sem atribuir os derramamentos \u00e0 profundidade de extra\u00e7\u00e3o. No entanto, a Bacia de Santos, a mais poluidora, teve em maio cerca de 75 por cento de sua produ\u00e7\u00e3o proveniente do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>O professor de oceonografia da Uerj David Man Wai Zee, que realizou o estudo com o aluno Fl\u00e1vio Silva, disse que a maior preocupa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao futuro da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil \u00e9 com o pr\u00e9-sal, com caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas \u00fanicas.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais ousada for a explora\u00e7\u00e3o, maior o risco de ter acidentes perigosos e tamb\u00e9m (a dificuldade) de control\u00e1-los&#8221;, disse Zee \u00e0 Reuters.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre os reservat\u00f3rios do pr\u00e9-sal e a superf\u00edcie do mar \u00e9 de at\u00e9 7 mil metros, o que traz grande complexidade para a explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o. Atualmente, toda a opera\u00e7\u00e3o das plataformas no pr\u00e9-sal brasileiro \u00e9 feita pela Petrobras , sendo que 20 por cento do volume extra\u00eddo fica com empresas s\u00f3cias da estatal brasileira nessas \u00e1reas.<\/p>\n<p>A primeira jazida do pr\u00e9-sal foi descoberta em 2006, no Campo de Lula (ex-Tupi), em Santos. Cerca de dois anos depois, em setembro de 2008, a Petrobras iniciou a produ\u00e7\u00e3o do primeiro \u00f3leo da camada pr\u00e9-sal, no Parque das Baleias, parte capixaba da Bacia de Campos.<\/p>\n<p>Para se ter ideia do grande potencial dessas \u00e1reas, a produ\u00e7\u00e3o comercial na Bacia de Santos mais do que triplicou nos \u00faltimos tr\u00eas anos, para 313,4 mil barris por dia em maio, incluindo um pequeno volume produzido fora do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Por estar no foco da expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o brasileira, grande parte da prov\u00edncia do pr\u00e9-sal est\u00e1 em fase de explora\u00e7\u00e3o, quando s\u00e3o feitas perfura\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises para avaliar os reservat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O estudo da Uerj indicou que \u00e9 justamente na fase explorat\u00f3ria que ocorre a maior parte dos vazamentos de petr\u00f3leo, entre 80 e 90 por cento do volume total. &#8220;Isso mostra que \u00e9 preciso aprimorar a efici\u00eancia operacional nessa fase&#8221;, afirmou Zee.<\/p>\n<p>A Petrobras produziu em maio 1,93 milh\u00e3o de barris de petr\u00f3leo por dia (bpd) no pa\u00eds, sendo que 447 mil bpd foram extra\u00eddos diariamente no pr\u00e9-sal. At\u00e9 2018, a estatal pretende elevar sua produ\u00e7\u00e3o total a 3,2 milh\u00f5es de bpd, com o volume no pr\u00e9-sal mais que triplicando para 1,66 milh\u00e3o de bpd.<\/p>\n<p>Procurada, a Petrobras afirmou que \u00e9 &#8220;absolutamente improcedente a afirma\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 mais vazamentos no pr\u00e9-sal que nas demais \u00e1reas explorat\u00f3rias da companhia&#8221; e disse que os volumes de vazamentos t\u00eam ca\u00eddo nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Neste ano de 2014, por exemplo, n\u00e3o houve um \u00fanico vazamento de \u00f3leo na Bacia de Santos, onde se concentra a maior parte das atividades no pr\u00e9-sal&#8221;, afirmou a companhia.<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m disse que ainda que houvesse mais vazamentos nas \u00e1reas do pr\u00e9-sal, seria um equ\u00edvoco vincular as ocorr\u00eancias \u00e0 camada geol\u00f3gica. Isso porque, segundo a Petrobras, os vazamentos em sua imensa maioria ocorrem em instala\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie, como plataformas e embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O ex-diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) David Zylbersztajn ponderou que a ind\u00fastria petrol\u00edfera mundial tem vazamentos com frequ\u00eancia e que o Brasil tem que estar preparado para prevenir e tamb\u00e9m para agir em casos de acidentes graves.<\/p>\n<p>&#8220;O vazamento da Chevron serviu para mostrar que n\u00e3o h\u00e1 transpar\u00eancia&#8221;, afirmou Zylbersztajn, referindo-se aos vazamentos no campo de Frade, em Campos, em novembro de 2011 e em mar\u00e7o de 2012, quando foi derramado no mar do Rio de Janeiro o equivalente a mais de 560 mil litros.<\/p>\n<p>Apesar de os volumes despejados n\u00e3o terem sido de grande propor\u00e7\u00e3o, na compara\u00e7\u00e3o com grandes desastres da ind\u00fastria mundial, o epis\u00f3dio de Frade mostrou a fragilidade do Brasil para lidar com a situa\u00e7\u00e3o, disse Zylbersztajn.<\/p>\n<p>A Bacia de Santos apresentou nos \u00faltimos anos indicadores piores at\u00e9 do que os dos Estados Unidos, onde o \u00edndice de vazamentos \u00e9 maior que a m\u00e9dia brasileira. Segundo pesquisa do Instituto Americano de Petr\u00f3leo (API, na sigla em ingl\u00eas), entre 1999 e 2009, para cada litro vazado nos EUA foram produzidos 50 mil litros de petr\u00f3leo, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Procurada, a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP) disse que n\u00e3o iria comentar os dados do estudo da Uerj, por recolher dados distintos do Ibama. A autarquia destacou que fiscaliza a seguran\u00e7a de unidades de perfura\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s e s\u00f3 tem a atribui\u00e7\u00e3o legal de investigar derramamentos acima de 8 mil litros.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante observar que na regi\u00e3o da Bacia de Santos existe um intenso tr\u00e1fego mar\u00edtimo devido ao Porto de Santos. \u00c9 sabido que os navios que utilizam este porto s\u00e3o respons\u00e1veis por derramamentos de \u00f3leo na regi\u00e3o. Esse tipo de vazamento est\u00e1 fora da al\u00e7ada da Ag\u00eancia&#8221;, afirmou a ANP em nota.<\/p>\n<p>A Petrobras disse que trabalha com rigor na preven\u00e7\u00e3o e, caso necess\u00e1rio, na mitiga\u00e7\u00e3o de acidentes, ressaltando que em 2012 criou o Plano Vazamento Zero, com o objetivo de aprimorar ainda mais sua atua\u00e7\u00e3o frente esse tipo de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Petrobras<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A atividade petrol\u00edfera na Bacia de Santos, respons\u00e1vel pela maior parte dos reservat\u00f3rios gigantes do pr\u00e9-sal, registrou \u00edndice de vazamentos de \u00f3leo 400 vezes maior&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-6508","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6508","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6508"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6508\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6510,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6508\/revisions\/6510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6508"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6508"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6508"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}