{"id":64883,"date":"2026-04-13T12:01:00","date_gmt":"2026-04-13T15:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=64883"},"modified":"2026-04-13T12:25:31","modified_gmt":"2026-04-13T15:25:31","slug":"conflito-no-oriente-medio-expoe-fragilidade-das-rotas-maritimas-e-reforca-papel-estrategico-do-poder-naval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/conflito-no-oriente-medio-expoe-fragilidade-das-rotas-maritimas-e-reforca-papel-estrategico-do-poder-naval\/","title":{"rendered":"Conflito no Oriente M\u00e9dio exp\u00f5e fragilidade das rotas mar\u00edtimas e refor\u00e7a papel estrat\u00e9gico do Poder Naval"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\">Em meio a ataques recentes a navios mercantes, interrup\u00e7\u00e3o no fluxo de petr\u00f3leo e instabilidade em uma das regi\u00f5es mais estrat\u00e9gicas do planeta, o Estreito de Ormuz, o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Ir\u00e3 vai al\u00e9m de uma crise regional. O cen\u00e1rio exp\u00f5e a vulnerabilidade das rotas mar\u00edtimas globais e refor\u00e7a o papel das Marinhas na prote\u00e7\u00e3o da economia e da soberania dos pa\u00edses.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A escalada de tens\u00f5es no Oriente M\u00e9dio evidencia como a\u00e7\u00f5es localizadas podem gerar efeitos imediatos sobre cadeias log\u00edsticas, mercados energ\u00e9ticos e fluxos comerciais. A amea\u00e7a ao tr\u00e1fego mar\u00edtimo, mesmo sem bloqueio formal, j\u00e1 \u00e9 suficiente para pressionar custos, seguros e prazos de transporte, com reflexos diretos sobre o com\u00e9rcio internacional e a seguran\u00e7a energ\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para o Subchefe de Estrat\u00e9gia do Estado-Maior da Armada (EMA), Contra-Almirante Sandro Baptista Monteiro, o quadro atual confirma uma tend\u00eancia mais ampla.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>Esse cen\u00e1rio internacional refor\u00e7a a necessidade de que pa\u00edses com grande depend\u00eancia do com\u00e9rcio mar\u00edtimo, como o Brasil, disponham de capacidades navais adequadas para proteger suas pr\u00f3prias rotas mar\u00edtimas\u201d, afirmou.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">Mais do que um epis\u00f3dio localizado, o conflito revela transforma\u00e7\u00f5es em curso na guerra contempor\u00e2nea, na competi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica entre Estados e na vulnerabilidade das cadeias log\u00edsticas globais. O confronto re\u00fane emprego direto da for\u00e7a entre pot\u00eancias militares, disrup\u00e7\u00e3o de Linhas de Comunica\u00e7\u00e3o Mar\u00edtimas (LCM), volatilidade energ\u00e9tica e uso intensivo de tecnologias capazes de produzir efeitos estrat\u00e9gicos com custo aparentemente baixo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ao mesmo tempo, a crise se insere em um ambiente internacional marcado por disputas por hegemonia, descren\u00e7a em mecanismos multilaterais e emprego da coer\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e militar como instrumento de pol\u00edtica externa. Dadas essas circunst\u00e2ncias, a liberdade de navega\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mar\u00edtimo voltam ao centro das preocupa\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Efeitos para o Brasil v\u00e3o al\u00e9m da crise regional<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Para o Brasil, o principal significado do conflito n\u00e3o est\u00e1 no transbordamento imediato da guerra para o Atl\u00e2ntico Sul, mas no agravamento de tend\u00eancias que j\u00e1 vinham se delineando. Entre elas, est\u00e3o a maior vulnerabilidade das rotas mar\u00edtimas globais, a exposi\u00e7\u00e3o de gargalos estrat\u00e9gicos, a prolifera\u00e7\u00e3o de armamentos de precis\u00e3o de longo alcance, a crescente import\u00e2ncia da prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas cr\u00edticas e a necessidade de preserva\u00e7\u00e3o de cadeias log\u00edsticas, sistemas de comando e controle e capacidades efetivas de combate.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Nesse cen\u00e1rio, o Atl\u00e2ntico Sul ganha relev\u00e2ncia adicional. Quando regi\u00f5es como o Mar Vermelho e o Golfo P\u00e9rsico sofrem instabilidade ou t\u00eam suas rotas fragilizadas, a por\u00e7\u00e3o sul do Atl\u00e2ntico se apresenta como alternativa natural para a circula\u00e7\u00e3o mar\u00edtima internacional, conectando Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica, Europa e o Indo-Pac\u00edfico. A seguran\u00e7a dessa \u00e1rea, portanto, passa a ter significado que ultrapassa a dimens\u00e3o regional.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">O peso dessa din\u00e2mica para o Brasil \u00e9 direto. Cerca de 95% do com\u00e9rcio exterior brasileiro transita pelo mar. Tamb\u00e9m no espa\u00e7o mar\u00edtimo nacional se concentram mais de 95% da produ\u00e7\u00e3o brasileira de petr\u00f3leo e g\u00e1s. Para o Contra-Almirante Monteiro, o cen\u00e1rio exige aten\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica do Estado.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>Garantir a seguran\u00e7a desse espa\u00e7o exige que a Marinha do Brasil possua um conjunto equilibrado de capacidades de monitoramento, presen\u00e7a, dissuas\u00e3o e pronta resposta. Trata-se de uma necessidade estrat\u00e9gica do Estado, pois a prote\u00e7\u00e3o dessas rotas \u00e9 fundamental para a soberania, a seguran\u00e7a estrat\u00e9gica e a estabilidade econ\u00f4mica do Pa\u00eds\u201d, destacou.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<h5 class=\"text-align-justify\"><\/h5>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Investimentos cont\u00ednuos e previs\u00edveis em Defesa<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Uma das principais li\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio atual \u00e9 a de que a evolu\u00e7\u00e3o de uma For\u00e7a Naval e a preserva\u00e7\u00e3o de sua prontid\u00e3o dependem de patamares adequados, previs\u00edveis e continuados de investimento em Defesa. Em projetos de elevada complexidade e ciclos longos, a descontinuidade or\u00e7ament\u00e1ria produz atrasos, aumento de custos, obsolesc\u00eancia e, em muitos casos, inviabiliza resultados.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">As Marinhas de guerra, devido \u00e0 elevada depend\u00eancia de tecnologia, apresentam sensibilidade \u00e0 previsibilidade or\u00e7ament\u00e1ria. Nesse contexto, a prepara\u00e7\u00e3o da MB para cen\u00e1rios operacionais mais complexos e tecnologicamente exigentes est\u00e1 associada \u00e0 necessidade de planejamento de longo prazo e \u00e0 estabilidade de investimentos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Al\u00e9m dos programas estruturantes, a prontid\u00e3o depende da preserva\u00e7\u00e3o de capacidades j\u00e1 existentes, da manuten\u00e7\u00e3o dos meios, da disponibilidade real de navios, aeronaves e sistemas e da recomposi\u00e7\u00e3o de estoques cr\u00edticos. Para um Pa\u00eds dependente do mar para o com\u00e9rcio exterior e para o abastecimento de insumos estrat\u00e9gicos, o investimento persistente na MB \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o da soberania, da economia e da credibilidade internacional do Estado.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Na pr\u00e1tica, ao longo de d\u00e9cadas, a compress\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria tem incidido sobretudo sobre os investimentos, com impacto direto na capacidade de moderniza\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Esse cen\u00e1rio afeta especialmente projetos de longo prazo, que exigem previsibilidade de recursos e continuidade de financiamento para evitar atrasos, aumento de custos e perda de capacidades operacionais.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No caso da For\u00e7a Naval, essa depend\u00eancia \u00e9 ainda mais sens\u00edvel, em raz\u00e3o do elevado grau de complexidade tecnol\u00f3gica dos meios empregados e dos ciclos prolongados de desenvolvimento e incorpora\u00e7\u00e3o. A manuten\u00e7\u00e3o da prontid\u00e3o, nesse contexto, est\u00e1 diretamente relacionada n\u00e3o apenas \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de novos meios, mas tamb\u00e9m \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das capacidades j\u00e1 existentes.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\"><\/h5>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Base Industrial de Defesa e autonomia estrat\u00e9gica<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Outra dimens\u00e3o refor\u00e7ada pelo conflito \u00e9 a centralidade da Base Industrial de Defesa (BID) como condi\u00e7\u00e3o de autonomia estrat\u00e9gica e sustenta\u00e7\u00e3o do Poder Militar. Em ambiente internacional sujeito a san\u00e7\u00f5es, cerceamento tecnol\u00f3gico e instabilidade nas cadeias de suprimento, a depend\u00eancia excessiva de fornecedores externos amplia vulnerabilidades e reduz a liberdade de a\u00e7\u00e3o do Estado.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A prontid\u00e3o de uma For\u00e7a Naval n\u00e3o depende apenas do invent\u00e1rio de meios e de seus efetivos. Ela exige manuten\u00e7\u00e3o da operacionalidade, reposi\u00e7\u00e3o de estoques, capacidade nacional de manuten\u00e7\u00e3o e aptid\u00e3o para adaptar tecnologias com rapidez. Quando a BID apoia esses atributos, ela passa a contribuir diretamente para o cumprimento da miss\u00e3o da MB.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Essa base precisa ser capaz de fabricar, integrar, manter, modernizar e sustentar meios, sensores, muni\u00e7\u00f5es e sistemas de apoio log\u00edstico. Ao mesmo tempo, a guerra contempor\u00e2nea tem valorizado solu\u00e7\u00f5es inovadoras de custo relativo mais baixo e alto impacto operacional, como sistemas n\u00e3o tripulados, recursos de guerra eletr\u00f4nica e cibern\u00e9tica e sistemas integrados de comunica\u00e7\u00e3o e sensores. O fortalecimento da BID, portanto, amplia a autonomia tecnol\u00f3gica, reduz depend\u00eancias e contribui para a soberania e a resili\u00eancia nacional, com reflexos tamb\u00e9m sobre emprego, renda e desenvolvimento socioecon\u00f4mico.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica n\u00e3o dispensa capacidade militar robusta<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">O conflito tamb\u00e9m evidencia que a superioridade militar n\u00e3o est\u00e1 associada apenas \u00e0 posse de plataformas complexas, mas \u00e0 integra\u00e7\u00e3o entre sensores, armamentos inovadores, sistemas aut\u00f4nomos, guerra eletr\u00f4nica e prote\u00e7\u00e3o cibern\u00e9tica. Nessa perspectiva, a inova\u00e7\u00e3o em Defesa passa a ser considerada um elemento central para a soberania tecnol\u00f3gica e para o desenvolvimento das capacidades de combate.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">As opera\u00e7\u00f5es recentes indicam cen\u00e1rios em que drones, m\u00edsseis e outros tipos de armamento, combinados com vigil\u00e2ncia permanente e satura\u00e7\u00e3o de defesas, podem produzir efeitos estrat\u00e9gicos relevantes. Nessa conjuntura, observa-se a tend\u00eancia de emprego combinado entre meios de elevado conte\u00fado tecnol\u00f3gico e unidades tripuladas de combate, que continuam a desempenhar papel importante na persist\u00eancia dos efeitos e na tomada de decis\u00e3o no ambiente operacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No caso brasileiro, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico nacional tem sido apontado como voltado tanto \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de capacidades avan\u00e7adas quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es com impacto operacional proporcional aos custos envolvidos. Nessa esfera, destacam-se \u00e1reas como sistemas n\u00e3o tripulados, muni\u00e7\u00f5es inteligentes, sistemas distribu\u00eddos de sensores, defesa cibern\u00e9tica, consci\u00eancia situacional mar\u00edtima e recursos voltados \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas cr\u00edticas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Diante desse quadro, o Sistema de Gerenciamento da Amaz\u00f4nia Azul (SisGAAz) aparece como ferramenta relevante para integrar sensores e sistemas de monitoramento capazes de detectar, localizar, acompanhar e identificar o tr\u00e1fego mar\u00edtimo em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, aumentando a efici\u00eancia no emprego de meios navais e aeronavais. O dom\u00ednio nacional de tecnologias cr\u00edticas reduz vulnerabilidades estrat\u00e9gicas e amplia a margem de autonomia do Estado.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O cen\u00e1rio tamb\u00e9m indica que o emprego de tecnologias n\u00e3o substitui integralmente o elemento humano nem implica, necessariamente, na redu\u00e7\u00e3o de custos. Por tr\u00e1s de cada drone, m\u00edssil ou sistema lan\u00e7ado a partir de navios ou bases h\u00e1 uma estrutura que envolve pessoal, plataformas, sistemas computacionais, redes log\u00edsticas, investimentos e pesquisas de longa matura\u00e7\u00e3o. Desse modo, a tecnologia amplia a efetividade das opera\u00e7\u00f5es, mas mant\u00e9m a necessidade de meios, doutrina, treinamento e pessoal qualificado.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Flexibilidade e versatilidade do Poder Naval<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Outra evid\u00eancia trazida pelo cen\u00e1rio atual \u00e9 a centralidade de caracter\u00edsticas tradicionais do Poder Naval: flexibilidade e versatilidade. Em ambiente operacional saturado por m\u00edsseis, drones, guerra cibern\u00e9tica, guerra eletr\u00f4nica e amea\u00e7as a infraestruturas cr\u00edticas, estruturas r\u00edgidas e excessivamente especializadas tornam-se mais vulner\u00e1veis e menos aptas \u00e0 adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">For\u00e7as com baixa flexibilidade enfrentam dificuldades quando precisam atuar em miss\u00f5es diversificadas, como \u00e9 t\u00edpico dos teatros operacionais contempor\u00e2neos. A velocidade com que crises internacionais evoluem refor\u00e7a a import\u00e2ncia de uma Marinha capaz de transitar rapidamente de uma postura de paz para uma situa\u00e7\u00e3o de conflito.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Essa exig\u00eancia tamb\u00e9m recai sobre os recursos humanos. A guerra contempor\u00e2nea imp\u00f5e a necessidade de revisitar doutrinas, conceitos, procedimentos e prioridades. Profissionais qualificados, adapt\u00e1veis e experientes tornam-se pe\u00e7a central da capacidade de resposta da For\u00e7a. O aprofundamento do profissionalismo, ent\u00e3o, \u00e9 apresentado como fator decisivo para manter a adaptabilidade da MB.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Outra li\u00e7\u00e3o destacada \u00e9 a de que a coer\u00e7\u00e3o pode produzir efeitos econ\u00f4micos expressivos sem necessidade de combate naval direto ou de bloqueio formal. Basta tornar o ambiente mar\u00edtimo suficientemente arriscado, oneroso e imprevis\u00edvel para alterar o comportamento de armadores, seguradoras, operadores log\u00edsticos e mercados. A amea\u00e7a de minas, m\u00edsseis antinavio, drones e ataques a instala\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas j\u00e1 \u00e9 suficiente para reduzir fluxos, elevar custos, atrasar embarques e pressionar cadeias globais de suprimento.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Essa realidade refor\u00e7a a import\u00e2ncia de uma Marinha equilibrada, que conjugue meios de concep\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica com outros tecnologicamente emergentes, seja logisticamente sustentada e apoiada, no maior grau poss\u00edvel, por uma BID robusta. Fragatas, Submarinos, Navios-Aer\u00f3dromos e Fuzileiros Navais seguem como vetores essenciais para garantir soberania e liberdade econ\u00f4mica.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Margem Equatorial amplia exig\u00eancias sobre presen\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">Se o conflito no Oriente M\u00e9dio evidencia a vulnerabilidade das rotas mar\u00edtimas globais, o avan\u00e7o da Margem Equatorial como fronteira energ\u00e9tica brasileira amplia, no plano interno, as exig\u00eancias de presen\u00e7a, vigil\u00e2ncia e pronta resposta por parte do Estado.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para o Comandante de Opera\u00e7\u00f5es Mar\u00edtimas e Prote\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia Azul (COMPAAz), Contra-Almirante Luciano Calixto de Almeida Junior, a regi\u00e3o vem se consolidando como ativo estrat\u00e9gico de alto valor econ\u00f4mico e energ\u00e9tico.<\/p>\n<figure class=\"bg-light p-3 p-md-5 my-3 rounded\">\n<blockquote class=\"blockquote\"><p>A aus\u00eancia de vigil\u00e2ncia, presen\u00e7a permanente e capacidade de pronta resposta nessa regi\u00e3o representa uma s\u00e9ria vulnerabilidade \u00e0 soberania do Brasil\u201d, afirmou.<\/p><\/blockquote>\n<\/figure>\n<p class=\"text-align-justify\">Ainda de acordo com o Oficial, o potencial da Margem Equatorial pode ser compar\u00e1vel, em ordem de grandeza, ao da prov\u00edncia petrol\u00edfera <em>offshore<\/em> da Guiana, &#8220;mas ainda distante das reservas provadas da Venezuela, que concentram alguns dos maiores volumes do mundo\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A explora\u00e7\u00e3o da \u00e1rea pode representar um novo ciclo de crescimento para o Pa\u00eds, com potencial de atra\u00e7\u00e3o de investimentos, gera\u00e7\u00e3o de empregos, amplia\u00e7\u00e3o de <em>royalties<\/em> e fortalecimento de cadeias industriais e log\u00edsticas, especialmente nas regi\u00f5es Norte e Nordeste. Esse quadro evidencia que a expans\u00e3o da atividade <em>offshore<\/em> na Margem Equatorial tende a gerar aumento expressivo do n\u00famero de plataformas, embarca\u00e7\u00f5es de apoio e do fluxo de pessoal embarcado, ampliando a demanda por fiscaliza\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego aquavi\u00e1rio, inspe\u00e7\u00f5es navais, salvaguarda da vida humana no mar, forma\u00e7\u00e3o e certifica\u00e7\u00e3o de profissionais mar\u00edtimos e prote\u00e7\u00e3o de infraestruturas cr\u00edticas <em>offshore<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Como Autoridade Mar\u00edtima, o incremento das atividades dever\u00e1 impactar diretamente as Capitanias dos Portos do Amap\u00e1 e da Amaz\u00f4nia Oriental, que enfrentar\u00e3o um aumento expressivo da demanda por inspe\u00e7\u00f5es, certifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, emiss\u00e3o de documentos n\u00e1uticos e capacita\u00e7\u00e3o de aquavi\u00e1rios, bem como os centros de forma\u00e7\u00e3o profissional mar\u00edtima, que provavelmente precisar\u00e3o ampliar a forma\u00e7\u00e3o de pessoal especializado. Tamb\u00e9m dever\u00e1 crescer a necessidade de refor\u00e7o em hidrografia, cartografia e sinaliza\u00e7\u00e3o n\u00e1utica, especialmente em uma \u00e1rea onde os po\u00e7os explorat\u00f3rios poder\u00e3o estar a mais de 160 quil\u00f4metros da costa.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Hoje, a presen\u00e7a da Marinha na regi\u00e3o est\u00e1 estruturada por meio dos Comandos do 3\u00ba e do 4\u00ba Distritos Navais, sediados em Natal (RN) e Bel\u00e9m (PA), respectivamente, com organiza\u00e7\u00f5es subordinadas, dois Grupamentos de Patrulha Naval, 14 navios de m\u00e9dio e pequeno porte, embarca\u00e7\u00f5es menores, um esquadr\u00e3o de helic\u00f3pteros e unidades de Fuzileiros Navais. Esses meios executam a\u00e7\u00f5es de patrulha, inspe\u00e7\u00e3o naval, busca e salvamento e salvaguarda da vida humana no mar.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Em compara\u00e7\u00e3o com o restante do territ\u00f3rio nacional, por\u00e9m, a atual distribui\u00e7\u00e3o do Poder Naval reflete prioridades adotadas ao longo de d\u00e9cadas. A regi\u00e3o Sudeste concentra cerca de 70% do efetivo da MB e abriga a Esquadra, enquanto os 3\u00ba e 4\u00ba Distritos Navais somam menos de 10% do efetivo da For\u00e7a. Na avalia\u00e7\u00e3o do Contra-Almirante Calixto, a crescente relev\u00e2ncia da Margem Equatorial exige presen\u00e7a mais frequente da Esquadra na regi\u00e3o, com comiss\u00f5es operativas, exerc\u00edcios navais, a\u00e7\u00f5es interag\u00eancias e emprego de meios de maior porte e autonomia.<\/p>\n<h5 class=\"text-align-justify\">Programas estrat\u00e9gicos, amplia\u00e7\u00e3o da Esquadra e previsibilidade or\u00e7ament\u00e1ria<\/h5>\n<p class=\"text-align-justify\">O atual esfor\u00e7o da Marinha em programas estrat\u00e9gicos, como a constru\u00e7\u00e3o de Navios-Patrulha, Fragatas e Submarinos, tem por objetivo inicial substituir meios antigos e preservar a capacidade m\u00ednima operativa da For\u00e7a. Mas o cen\u00e1rio da Margem Equatorial, somado \u00e0s exig\u00eancias mais amplas do ambiente internacional, imp\u00f5e demandas que v\u00e3o al\u00e9m da simples reposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No caso das Fragatas, o planejamento prev\u00ea que as unidades da Classe \u201cTamandar\u00e9\u201d constituam o n\u00facleo da for\u00e7a de combate naval. No entanto, segundo o Contra-Almirante Calixto, a recomposi\u00e7\u00e3o do n\u00famero m\u00ednimo planejado de oito escoltas exige a contrata\u00e7\u00e3o de um segundo lote, j\u00e1 que h\u00e1 contrato em vigor para quatro unidades. De forma complementar, submarinos permanecem essenciais como vetor de dissuas\u00e3o e de nega\u00e7\u00e3o do uso do mar, enquanto navios-patrulha asseguram presen\u00e7a cont\u00ednua, fiscaliza\u00e7\u00e3o e pronta resposta nas \u00c1guas Jurisdicionais Brasileiras.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Marinha de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a ataques recentes a navios mercantes, interrup\u00e7\u00e3o no fluxo de petr\u00f3leo e instabilidade em uma das regi\u00f5es mais estrat\u00e9gicas do planeta, o Estreito&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":64884,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-64883","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64883"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64883\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64886,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64883\/revisions\/64886"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64884"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64883"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}