{"id":64352,"date":"2026-03-12T10:57:45","date_gmt":"2026-03-12T13:57:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=64352"},"modified":"2026-03-12T10:57:45","modified_gmt":"2026-03-12T13:57:45","slug":"efeitos-da-emergencia-climatica-no-oceano-preocupam-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/efeitos-da-emergencia-climatica-no-oceano-preocupam-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica no oceano preocupam pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><strong>O oceano tem acumulado diferentes efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. Aquecimento anormal das \u00e1guas, branqueamento massivo de corais, deslocamento de esp\u00e9cies polares, queda na reprodu\u00e7\u00e3o de peixes e mudan\u00e7as nos padr\u00f5es das correntes mar\u00edtimas s\u00e3o alguns desses\u00a0impactos<\/strong>.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1681470&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1681470&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Especialistas reunidos no Rio de Janeiro alertam para a urg\u00eancia de medidas de prote\u00e7\u00e3o desse ecossistema, com um olhar especial para as \u00e1guas internacionais, que correspondem a dois ter\u00e7os do oceano e sobre as quais nenhum pa\u00eds tem jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O 3\u00ba Simp\u00f3sio BBNJ (sigla, em ingl\u00eas, para Biodiversidade Al\u00e9m da Jurisdi\u00e7\u00e3o Nacional) re\u00fane, entre segunda-feira (10) e quarta-feira, cientistas, pol\u00edticos, representantes de organismos internacionais e de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil para discutir a implementa\u00e7\u00e3o do Tratado do Alto-Mar. O acordo entrou em vigor em janeiro deste ano.<\/strong><\/p>\n<p>O texto, ratificado at\u00e9 o momento por 86 pa\u00edses, incluindo o Brasil, \u00e9 o ponto de partida para regulamentar a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a troca de tecnologias marinhas, a cria\u00e7\u00e3o de novos \u00f3rg\u00e3os de governan\u00e7a e o acesso a recursos gen\u00e9ticos.<\/p>\n<p>H\u00e1, no tratado, sete men\u00e7\u00f5es \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.\u00a0<strong>Em resumo, os pa\u00edses signat\u00e1rios reconhecem a necessidade de combater a perda da diversidade biol\u00f3gica e\u00a0a\u00a0degrada\u00e7\u00e3o dos ecossistemas do oceano.\u00a0<\/strong>Problemas como aquecimento, perda de oxig\u00eanio, polui\u00e7\u00e3o e acidifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o destacados. Tamb\u00e9m h\u00e1 um direcionamento para que \u00e1reas vulner\u00e1veis sejam identificadas e protegidas.<\/p>\n<p>\u201cAs Na\u00e7\u00f5es Unidas t\u00eam institui\u00e7\u00f5es, como o IPCC [sigla, em ingl\u00eas, para Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas], que re\u00fanem especialistas sobre o clima. Mas os relat\u00f3rios ainda abordam o oceano de forma muito t\u00edmida. O Tratado do Alto-Mar coloca o oceano no centro das discuss\u00f5es\u201d, diz Segen Farid Estefen, diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Oce\u00e2nicas (INPO).<\/p>\n<h2>Impactos socioecon\u00f4micos<\/h2>\n<p>A professora de Oceanografia F\u00edsica e Clima na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues, destacou os efeitos sociais do aquecimento global.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar amea\u00e7a mais de um bilh\u00e3o de pessoas que vivem em zonas costeiras de baixa altitude. Tr\u00eas bilh\u00f5es de pessoas dependem de frutos do mar como principal fonte de prote\u00edna. Assim, a queda na reprodu\u00e7\u00e3o de peixes amea\u00e7a a seguran\u00e7a alimentar\u201d, explicou Regina Rodrigues.<\/p><\/blockquote>\n<p>A professora destaca que tamb\u00e9m h\u00e1 riscos de deslocamento populacional.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;E os riscos de conflitos provocados pelo clima s\u00e3o altos em regi\u00f5es dependentes do oceano, especialmente no Pac\u00edfico, na Ba\u00eda de Bengala e na \u00c1frica Ocidental\u201d, complementa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para avan\u00e7ar em resolu\u00e7\u00f5es efetivas, a professora defende uma conex\u00e3o mais estreita entre os trabalhos do Tratado do Alto-Mar e os da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (UNFCCC, na sigla em ingl\u00eas). Hoje, os tratados funcionam de forma paralela.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/A3OVuZkeuXQ1Zvnwxqfor7DtQwY=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/03\/10\/_rbr4765.jpg?itok=cWaoLkiy\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 10\/03\/2026 - A professora da Universidade Federal de Santa Catarina  (UFSC), Regina R. Rodrigues, fala durante o 3\u00ba Simp\u00f3sio BBNJ (sigla, em ingl\u00eas, para Biodiversidade Al\u00e9m da Jurisdi\u00e7\u00e3o Nacional), primeiro grande encontro cient\u00edfico internacional ap\u00f3s a entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar, no Museu do Amanh\u00e3, centro da cidade. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Regina Rodrigues destaca os riscos de conflitos causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas-\u00a0<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cPrecisamos nos perguntar se nossos sistemas de governan\u00e7a, nacionais e internacionais, correspondem \u00e0 escala, \u00e0 velocidade e \u00e0 natureza transfronteiri\u00e7a dos impactos clim\u00e1ticos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Regina Rodrigues\u00a0destaca\u00a0 que a\u00a0governan\u00e7a precisa ser adapt\u00e1vel, porque as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas continuar\u00e3o evoluindo. &#8220;Devemos aplicar o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o. E devemos aprender com o processo da UNFCCC para n\u00e3o repetir os mesmos erros\u201d, complementa.<\/p>\n<h2>Pesca<\/h2>\n<p><strong>O pesquisador brasileiro do Instituto para os Oceanos e Pescas da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, Juliano Palacios Abrantes, destacou como o aquecimento global tem impactado a pesca em todo o mundo.<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/31Y-qSF-0AFGLYq95qcZOtfssQk=\/754x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/03\/10\/_rbr4718.jpg?itok=6Kug9ovY\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 10\/03\/2026 - O pesquisadpr da University of Britsh Columbia (UBC), Juliano Palacios-Abrantes, fala durante o 3\u00ba Simp\u00f3sio BBNJ (sigla, em ingl\u00eas, para Biodiversidade Al\u00e9m da Jurisdi\u00e7\u00e3o Nacional), primeiro grande encontro cient\u00edfico internacional ap\u00f3s a entrada em vigor do Tratado do Alto-Mar, no Museu do Amanh\u00e3, centro da cidade. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\">Juliano Palacios Abrantes destacou as\u00a0complexidade na forma como os estoques de peixes\u00a0s\u00e3o gerenciados em \u00e1guas internacionais-\u00a0<strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Abrantes pontuou que h\u00e1 complexidade na forma como os estoques de peixes\u00a0s\u00e3o gerenciados em \u00e1guas internacionais, porque atravessam m\u00faltiplas jurisdi\u00e7\u00f5es e envolvem muitos pa\u00edses interessados.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEm um estudo recente, descobrimos que muitos estoques de peixes tropicais est\u00e3o se movendo das zonas econ\u00f4micas exclusivas em dire\u00e7\u00e3o ao alto-mar. Isso pode gerar conflitos internacionais, como j\u00e1 vimos na Europa com o caso da cavala\u201d, diz Juliano Palacios Abrantes.<\/p><\/blockquote>\n<p>Outra possibilidade de acordo com o pesquisador,\u00a0\u00e9 o deslocamento de estoques para \u00e1reas onde n\u00e3o existem acordos ou onde eles n\u00e3o s\u00e3o protegidos ou geridos. &#8220;E pode aumentar as desigualdades, porque apenas um n\u00famero limitado de pa\u00edses ricos tem capacidade para pescar em alto-mar\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O oceano tem acumulado diferentes efeitos da emerg\u00eancia clim\u00e1tica. 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