{"id":63938,"date":"2026-02-11T01:35:03","date_gmt":"2026-02-11T04:35:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=63938"},"modified":"2026-02-11T01:35:03","modified_gmt":"2026-02-11T04:35:03","slug":"ipea-diz-que-mercado-de-trabalho-pode-absorver-fim-da-escala-6x1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/ipea-diz-que-mercado-de-trabalho-pode-absorver-fim-da-escala-6x1\/","title":{"rendered":"Ipea diz que mercado de trabalho pode absorver fim da escala 6&#215;1"},"content":{"rendered":"<p>Os custos de uma eventual redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes hist\u00f3ricos do sal\u00e1rio m\u00ednimo no Brasil, o que indica uma capacidade de absor\u00e7\u00e3o da medida pelo mercado de trabalho.\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1677792&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1677792&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p><strong>A conclus\u00e3o \u00e9 de estudo publicado nesta ter\u00e7a-feira (10) pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), que analisa os efeitos econ\u00f4micos da eventual redu\u00e7\u00e3o da jornada atualmente predominante de 44 horas semanais, associada \u00e0 escala 6&#215;1, que estabelece um dia de descanso a cada seis trabalhados.<\/strong><\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho teria um custo de menos de 1% em grandes setores, como ind\u00fastria e com\u00e9rcio, mas alguns setores de servi\u00e7os que dependem de mais m\u00e3o de obra podem precisar de pol\u00edticas p\u00fablicas, avalia o Ipea.<\/p>\n<p><strong>Os pesquisadores citam, por exemplo, os reajustes hist\u00f3ricos do sal\u00e1rio m\u00ednimo, como os de 12%, em 2001, e 7,6% em 2012, que n\u00e3o reduziram o n\u00edvel de empregos.<\/strong><\/p>\n<p>A jornada geral de 40 horas semanais elevaria o custo do trabalhador celetista em 7,84%, mas, dentro do custo total da opera\u00e7\u00e3o, o efeito \u00e9 menor, diz o pesquisador Felipe Pateo.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Quando a gente olha para a opera\u00e7\u00e3o de grandes empresas na \u00e1rea de com\u00e9rcio, da ind\u00fastria, a gente v\u00ea que o custo com trabalhadores representa \u00e0s vezes menos que 10% do custo operacional da empresa. Ela tem custo grande de forma\u00e7\u00e3o de estoques, custo de investimento em maquin\u00e1rio&#8221;, explica.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 empresas de servi\u00e7os para edif\u00edcios, como vigil\u00e2ncia e limpeza, podem ter um impacto maior, de 6,5% no custo da opera\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Nesses casos, seria necess\u00e1ria uma transi\u00e7\u00e3o gradual para a nova jornada.<\/strong>\u00a0O mesmo serviria para pequenas empresas, que podem ter at\u00e9 mais dificuldade para adaptar as escalas de trabalho, segundo Pateo.<\/p>\n<p>&#8220;A gente v\u00ea que esse tempo de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito importante para as empresas menores. E voc\u00ea precisa abrir possibilidades de contrata\u00e7\u00e3o de trabalhadores em meio per\u00edodo, por exemplo, que possam suprir eventualmente um tempo de funcionamento num fim de semana, caso a redu\u00e7\u00e3o de jornada possa dificultar esse processo&#8221;, observa.<\/p>\n<h2>Combate a desigualdades<\/h2>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que jornadas de 44 horas concentram trabalhadores de menor renda e escolaridade. Para o pesquisador, a redu\u00e7\u00e3o da jornada pode reduzir desigualdades.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Quando a gente reduz a jornada m\u00e1xima para 40 horas, a gente bota esses trabalhadores que est\u00e3o nos empregos de menores sal\u00e1rios, de menor dura\u00e7\u00e3o do tempo de emprego, em p\u00e9 de igualdade, pelo menos na quantidade de horas trabalhadas. E a gente acaba aumentando o valor da hora de trabalho desses trabalhadores. Ent\u00e3o isso faz com que eles se aproximem das condi\u00e7\u00f5es dos trabalhadores nas melhores situa\u00e7\u00f5es trabalhistas&#8221;, argumenta.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Segundo a pesquisa, a remunera\u00e7\u00e3o m\u00e9dia para quem trabalha at\u00e9 40 horas por semana \u00e9 de R$ 6,2 mil.<\/strong>\u00a0J\u00e1 os trabalhadores de 44 horas recebem, em m\u00e9dia, menos da metade. Esses trabalhadores com jornada maior tamb\u00e9m t\u00eam menor escolaridade.<\/p>\n<p>Segundo o estudo do Ipea, mais de 83% dos v\u00ednculos de pessoas com at\u00e9 o ensino m\u00e9dio completo est\u00e3o nessa condi\u00e7\u00e3o, propor\u00e7\u00e3o que cai para 53% entre aqueles com ensino superior completo. Diferentemente de outras caracter\u00edsticas sociodemogr\u00e1ficas, a incid\u00eancia de jornadas estendidas mostra forte associa\u00e7\u00e3o com o n\u00edvel de escolaridade.<\/p>\n<p><strong>A grande maioria dos 44 milh\u00f5es de trabalhadores celetistas registrados na Rela\u00e7\u00e3o Anual de Informa\u00e7\u00f5es Sociais (Rais) em 2023 tinha jornada de 44 horas semanais.<\/strong>\u00a0Ao todo, eles somam 31.779.457, o que equivale a 74% dos que tinham jornada informada. Em 31 dos 87 setores econ\u00f4micos analisados, mais de 90% dos trabalhadores t\u00eam jornadas acima de 40 horas semanais.<\/p>\n<p>A Rais \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria na qual empresas brasileiras informam ao Minist\u00e9rio do Trabalho dados sobre seus funcion\u00e1rios, v\u00ednculos empregat\u00edcios e sal\u00e1rios.<\/p>\n<h2>Empresas menores<\/h2>\n<p><strong>Um desafio apontado no estudo do Ipea \u00e9 para as empresas de menor porte, pois elas t\u00eam, proporcionalmente, mais trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas.<\/strong>\u00a0Enquanto a m\u00e9dia nacional indica que 79,7% dos trabalhadores t\u00eam jornadas superiores a 40 horas semanais, esse percentual sobe para 87,7% nas empresas com at\u00e9 quatro empregados e para 88,6% naquelas que empregam entre cinco e nove trabalhadores.<\/p>\n<p>Os trabalhadores atualmente submetidos a jornadas superiores a 40 horas somam 3,39 milh\u00f5es nas empresas com at\u00e9 quatro empregados e 6,64 milh\u00f5es quando se consideram aquelas com at\u00e9 nove trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Esses setores incluem, por exemplo, segmentos da \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, atividades de organiza\u00e7\u00f5es associativas e outros servi\u00e7os pessoais, como lavanderias e cabeleireiros, nos quais predominam jornadas estendidas entre empresas com at\u00e9 quatro trabalhadores.<\/strong><\/p>\n<h2>Debate<\/h2>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas e o fim da escala 6&#215;1\u00a0entraram de vez no radar pol\u00edtico do pa\u00eds neste in\u00edcio de ano.<\/p>\n<p>Nesta ter\u00e7a-feira, o presidente da C\u00e2mara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que uma das\u00a0prioridades da Casa neste ano \u00e9 justamente votar esses direitos trabalhistas. Em suas redes sociais, Motta escreveu que a an\u00e1lise pelos deputados pode se dar em maio.<\/p>\n<p>Atualmente, duas propostas est\u00e3o sendo discutidas na Casa sobre o assunto: uma da deputada Erika Hilton, a\u00a0PEC 8\/25, e outra pelo deputado Reginaldo Lopes, a\u00a0PEC 221\/19.<\/p>\n<p>Na mensagem enviada ao Congresso Nacional, na semana passada, o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva tamb\u00e9m\u00a0colocou o tema entre as prioridades do governo para o semestre.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os custos de uma eventual redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho para 40 horas semanais seriam similares aos impactos observados em reajustes hist\u00f3ricos do sal\u00e1rio m\u00ednimo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":63939,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-63938","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63938"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63938\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63940,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63938\/revisions\/63940"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}