{"id":63239,"date":"2026-01-06T11:03:46","date_gmt":"2026-01-06T14:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=63239"},"modified":"2026-01-06T11:03:46","modified_gmt":"2026-01-06T14:03:46","slug":"pesquisadores-avaliam-que-oceanos-ultrapassaram-marco-na-acidificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pesquisadores-avaliam-que-oceanos-ultrapassaram-marco-na-acidificacao\/","title":{"rendered":"Pesquisadores avaliam que oceanos ultrapassaram marco na acidifica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Em 2025, cientistas alertaram que o limite planet\u00e1rio para a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos havia sido ultrapassado. Segundo pesquisas, os \u00faltimos 12 meses mostraram dados preocupantes para os que estudam a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos oceanos e h\u00e1 cada vez mais evid\u00eancias que as atividades humanas est\u00e3o alterando fundamentalmente as condi\u00e7\u00f5es dos mares em dire\u00e7\u00e3o ao aumento da acidez.<\/p>\n<p>No fim de 2025, explicaram os pesquisadores, levantamos revelaram que a acidifica\u00e7\u00e3o, consequ\u00eancia do ciclo global do carbono, est\u00e1 empurrando o maior habitat da Terra para uma zona de risco. Quando o di\u00f3xido de carbono se dissolve na \u00e1gua, forma \u00e1cido carb\u00f4nico, que libera \u00edons de hidrog\u00eanio, que, por sua vez, diminuem o equil\u00edbrio do pH da \u00e1gua do mar.<\/p>\n<p>Uma escala de 14 pontos indica o equil\u00edbrio \u00e1cido\/alcalino de uma solu\u00e7\u00e3o. A posi\u00e7\u00e3o 1 indica a maior acidez e a 14 a maior alcalinidade. Isso significa potencial de hidrog\u00eanio, pois a escala \u00e9 determinada pela concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons desse g\u00e1s.<\/p>\n<p>O di\u00f3xido de carbono emitido por atividades humanas pode ser liberado em grande parte na atmosfera, mas nem tudo permanece l\u00e1, e enormes quantidades s\u00e3o absorvidas pelos oceanos. Estudo publicado em 2023 revelou que os mares absorveram 25% do CO2 antropog\u00eanico emitido do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960 at\u00e9 o fim da d\u00e9cada de 2010, o que, at\u00e9 o momento, evitou aquecimento global ainda maior para a humanidade.<\/p>\n<p>Devido ao aumento das concentra\u00e7\u00f5es de CO2 na atmosfera ao longo do \u00faltimo s\u00e9culo, mais dele foi absorvido peloa oceanos, causando sua acidifica\u00e7\u00e3o. Eles tornaram-se cerca de 30% mais \u00e1cidos do que na era pr\u00e9-industrial, de acordo com dados da Ag\u00eancia Europeia do Ambiente publicados em outubro.<\/p>\n<p>Pouco antes do in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, por volta de 1750, o pH m\u00e9dio da superf\u00edcie da \u00e1gua do mar era de 8,2. Em 1985, havia ca\u00eddo para 8,11. Em 2024, estava em 8,04. Esses dados indicam que o pH na superf\u00edcie do oceano diminuir\u00e1 ainda mais at\u00e9 2100, entre 0,15 e 0,5, dependendo de em quanto as emiss\u00f5es forem reduzidas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m em outubro, pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ci\u00eancia e Tecnologia (NTNU) publicaram estudo sobre modelos de acidifica\u00e7\u00e3o oce\u00e2nica para quantificar as consequ\u00eancias ecol\u00f3gicas e econ\u00f4micas globais do aumento futuro da acidez. &#8220;Se nos pr\u00f3ximos anos continuarmos com o n\u00edvel atual de emiss\u00f5es, nossos modelos mostram que, para a maioria das regi\u00f5es, o oceano est\u00e1 em trajet\u00f3ria rumo aos piores cen\u00e1rios&#8221;, explicou Sedona Anderson, autora principal do artigo.<\/p>\n<p>Em maio, outro estudo descobriu que, \u00e0 medida que a acidifica\u00e7\u00e3o se intensifica, a capacidade dos oceanos de absorver CO2 atmosf\u00e9rico diminui, reduzindo sua capacidade de desacelerar o aquecimento global. A explica\u00e7\u00e3o reside na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica: conforme o mar acumula mais di\u00f3xido de carbono, sua capacidade de &#8220;tamp\u00e3o de carbonato&#8221; \u00e9 reduzida, tornando o CO2 quimicamente mais dif\u00edcil de absorver.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, pesquisadores relataram que a velocidade com que as pessoas est\u00e3o liberando CO2 na atmosfera \u00e9 muito maior do que a capacidade natural do oceano de absorv\u00ea-lo sem se tornar \u00e1cido. Isso est\u00e1 alterando profundamente a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos oceanos. As consequ\u00eancias dessa mudan\u00e7a ainda n\u00e3o est\u00e3o totalmente claras.<\/p>\n<p>Um estudo publicado em julho explorou os efeitos do aquecimento e da acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos em duas esp\u00e9cies de briozo\u00e1rios (invertebrados marinhos calcificadores) que vivem dentro e ao redor de fontes hidrotermais de CO2 no Mar Tirreno, na costa oeste da It\u00e1lia. O estudo constatou que as popula\u00e7\u00f5es desses animais est\u00e3o sendo reduzidas \u00e0 medida que o oceano se aquece nesse ambiente particularmente \u00e1cido. Os calcificadores, como corais, moluscos e terr\u00e1podes, s\u00e3o pequenas criaturas com esqueletos formados por sais de c\u00e1lcio essenciais para as cadeias alimentares e constituem, por exemplo, cerca de metade da dieta do salm\u00e3o do \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Em um estudo colaborativo entre a Groenl\u00e2ndia e a Espanha, publicado em 2016, concluiu-se que os calcificadores podem suprir as maiores demandas energ\u00e9ticas do processamento de sais de c\u00e1lcio em ambientes mais \u00e1cidos, aumentando a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes. Isso foi observado na Ilha Branca, na Nova Zel\u00e2ndia. Mas os modelos atuais demonstram que o oceano est\u00e1 se tornando menos hospitaleiro, dificultando o fornecimento dos nutrientes necess\u00e1rios para que os organismos sobrevivam em ambiente j\u00e1 \u00e1cido.<\/p>\n<p>Em um resumo sobre a \u201ccrise silenciosa\u201d da acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, publicado em abril, especialistas do Instituto de Ci\u00eancias Marinhas da Espanha (ICM) destacam como os dados coletados nas \u00faltimas d\u00e9cadas demonstram que esp\u00e9cies n\u00e3o calcificadoras, como peixes e lulas, est\u00e3o sofrendo problemas respirat\u00f3rios, altera\u00e7\u00f5es comportamentais e menor capacidade reprodutiva em ambiente mais \u00e1cido.<\/p>\n<p>Acredita-se que os impactos comportamentais sejam devidos a estruturas calc\u00e1rias dentro dos ouvidos dos peixes que, assim como os corais, n\u00e3o conseguem se formar adequadamente em ambientes muito \u00e1cidos. Isso se correlacionaria com a diminui\u00e7\u00e3o das respostas ao perigo.<\/p>\n<p>Outros dois estudos publicados em 2025, um feito no Pac\u00edfico e o outro no Mediterr\u00e2neo, descobriram que o desenvolvimento e a sobreviv\u00eancia de larvas de moluscos s\u00e3o afetados negativamente por n\u00edveis de pH mais baixos. Foi detectada uma redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero e nas varia\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas das esp\u00e9cies adultas.<\/p>\n<p>Em an\u00e1lise mais detalhada, estudos indicaram que o manejo de ambientes marinhos em n\u00edvel local tem um impacto significativo em m\u00faltiplos fatores de estresse. Esse manejo pode ajudar a mitigar os impactos da acidifica\u00e7\u00e3o. Restaurar manguezais, p\u00e2ntanos e florestas marinhas de algas, como kelp e ervas marinhas, e apoiar os agricultores na redu\u00e7\u00e3o do escoamento de nutrientes para o oceano, podem ajudar a equilibrar o pH da \u00e1gua do mar.<\/p>\n<p>Outras pesquisas tamb\u00e9m est\u00e3o explorando solu\u00e7\u00f5es para ajudar o oceano a se recuperar dos danos causados pelo homem por meio de interven\u00e7\u00e3o direta. Algumas delas consideram a viabilidade de adicionar ao mar minerais que poderiam ajudar a reduzir a acidifica\u00e7\u00e3o, por exemplo. Embora outras consequ\u00eancias de tal estrat\u00e9gia artificial possam ser dif\u00edceis de prever.<\/p>\n<p>Os cientistas consideram a acidifica\u00e7\u00e3o um problema crescente. Isso se deve principalmente ao fato de que alcan\u00e7ar redu\u00e7\u00f5es dr\u00e1sticas nas emiss\u00f5es antropog\u00eanicas de CO2 est\u00e1 se tornando cada vez mais desafiador. Sem isso, a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos continuar\u00e1.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2025, cientistas alertaram que o limite planet\u00e1rio para a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos havia sido ultrapassado. 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