{"id":63221,"date":"2026-01-06T09:07:15","date_gmt":"2026-01-06T12:07:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=63221"},"modified":"2026-01-06T09:07:15","modified_gmt":"2026-01-06T12:07:15","slug":"comercio-maritimo-cresce-em-2025-mas-com-deficiencias-em-seguranca-documentacao-e-gestao-de-riscos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/comercio-maritimo-cresce-em-2025-mas-com-deficiencias-em-seguranca-documentacao-e-gestao-de-riscos\/","title":{"rendered":"Com\u00e9rcio mar\u00edtimo cresce em 2025, mas com defici\u00eancias em seguran\u00e7a, documenta\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o de riscos"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2025 terminou com crescimento do com\u00e9rcio global, a caminho de ultrapassar 35 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, com aumento de 7% em compara\u00e7\u00e3o com 2024, embora com sinais de desacelera\u00e7\u00e3o no fim do ano. Mas, de acordo com an\u00e1lise da Shipping and Freight Resource, apesar desse desempenho, o setor mar\u00edtimo e de com\u00e9rcio exterior enfrentou uma s\u00e9rie de dificuldades recorrentes ao longo do ano, expondo defici\u00eancias persistentes em v\u00e1rios n\u00edveis da cadeia log\u00edstica.<\/p>\n<p>Incidentes de seguran\u00e7a continuaram a ser relatados com frequ\u00eancia. Inc\u00eandios a bordo, muitos ligados a baterias de l\u00edtio, produtos qu\u00edmicos e outras cargas perigosas, apresentaram padr\u00f5es semelhantes: erros nas declara\u00e7\u00f5es de carga, compreens\u00e3o insuficiente do comportamento da carga, embalagens inadequadas, sensibilidade \u00e0 temperatura e tempos de resposta lentos. Investiga\u00e7\u00f5es indicaram que esses eventos n\u00e3o se originaram de circunst\u00e2ncias imprevistas no mar, mas sim de decis\u00f5es tomadas antes da partida dos navios.<\/p>\n<p>Casos como a explos\u00e3o do navio YM Mobility seguiram uma sequ\u00eancia familiar de sinais de alerta precoce, vazamentos, fuma\u00e7a e escalada do incidente. Isso, segundo a an\u00e1lise, demonstra como a degrada\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es de carga, \u00e0 medida que a responsabilidade se desloca entre atores comerciais e operacionais, aumenta o risco.<\/p>\n<p>A perda de cont\u00eaineres no mar tamb\u00e9m refletiu problemas recorrentes associados \u00e0 oscila\u00e7\u00e3o param\u00e9trica, quando a embarca\u00e7\u00e3o inclina-se lateralmente com amplitudes muito grandes, quase r\u00edtmicas, ao colapso da estiva, \u00e0 tens\u00e3o nos sistemas de amarra\u00e7\u00e3o e aos cont\u00eaineres com excesso de peso.<\/p>\n<p>O naufr\u00e1gio do Morning Midas e o debate em torno do transporte de ve\u00edculos el\u00e9tricos destacaram a incorpora\u00e7\u00e3o de novos tipos de carga nas cadeias log\u00edsticas sem o desenvolvimento de protocolos compartilhados e aplic\u00e1veis no mesmo ritmo, deixando lacunas que s\u00f3 se tornam aparentes quando ocorre um incidente. No fim de 2025, ficou claro que as informa\u00e7\u00f5es de carga continuam sendo tratadas, em muitos casos, como uma exig\u00eancia administrativa, mesmo que suas falhas resultem em danos f\u00edsicos, impactos ambientais e riscos para as pessoas.<\/p>\n<p>Em paralelo, as tens\u00f5es documentais consolidaram-se como fator de risco significativo. O uso cont\u00ednuo de documenta\u00e7\u00e3o em papel gerou atrasos, erros e disputas em um contexto de opera\u00e7\u00f5es cada vez mais r\u00e1pidas e complexas. Disputas em cr\u00e9ditos document\u00e1rios demonstraram como desalinhamentos entre as exig\u00eancias financeiras e a execu\u00e7\u00e3o operacional resultaram em atrasos nos pagamentos, rejei\u00e7\u00f5es de documentos e tens\u00f5es comerciais. Da mesma forma, o uso de conhecimentos de embarque e t\u00edtulos de propriedade revelou discrep\u00e2ncias entre a conveni\u00eancia operacional e a seguran\u00e7a jur\u00eddica, cujos efeitos se tornaram evidentes em atrasos, disputas e insolv\u00eancias.<\/p>\n<p>Durante 2025, os fatores geopol\u00edticos deixaram de ser risco contextual para se tornarem vari\u00e1vel operacional direta. Os regimes de san\u00e7\u00f5es influenciaram a elabora\u00e7\u00e3o de contratos, a aceita\u00e7\u00e3o de cargas, as decis\u00f5es de rotas e os fluxos de pagamento, impactando a pr\u00f3pria viabilidade das opera\u00e7\u00f5es. Isso foi agravado por diverg\u00eancias regulat\u00f3rias, mudan\u00e7as em contratos e custos de conformidade que alteraram os corredores comerciais sem necessariamente se refletirem em tarifas ou faturamento.<\/p>\n<p>Em termos de tecnologia, houve avan\u00e7os, como a implementa\u00e7\u00e3o inicial de conhecimentos de embarque eletr\u00f4nicos (eBLs) interoper\u00e1veis e baseados em padr\u00f5es e o uso crescente de ferramentas de ntelig\u00eancia artificial para an\u00e1lise e apoio \u00e0 decis\u00e3o. Mas tamb\u00e9m foram destacadas limita\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 governan\u00e7a, \u00e0 qualidade dos dados e \u00e0 necessidade de supervis\u00e3o humana, bem como a dificuldade de aplicar essas solu\u00e7\u00f5es de forma consistente em cadeias de suprimentos fragmentadas.<\/p>\n<p>Ao fim do ano, a avalia\u00e7\u00e3o levanta quest\u00f5es recorrentes sobre a gest\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es de carga, o alinhamento de contratos, financiamentos e execu\u00e7\u00e3o, a integra\u00e7\u00e3o do risco geopol\u00edtico na tomada de decis\u00f5es, a governan\u00e7a de ferramentas digitais, a dilui\u00e7\u00e3o de responsabilidades e a gest\u00e3o abrangente de riscos. De modo geral, os eventos de 2025 mostraram que muitos dos problemas enfrentados j\u00e1 eram conhecidos e discutidos anteriormente, mas permaneceram sem solu\u00e7\u00e3o, ressurgindo em novas formas em um ambiente operacional cada vez mais exigente.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2025 terminou com crescimento do com\u00e9rcio global, a caminho de ultrapassar 35 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, com aumento de 7% em compara\u00e7\u00e3o com&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":63222,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-63221","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63221","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63221"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63221\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":63223,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63221\/revisions\/63223"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63221"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63221"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63221"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}