{"id":61898,"date":"2025-10-22T12:25:03","date_gmt":"2025-10-22T15:25:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=61898"},"modified":"2025-10-22T12:25:03","modified_gmt":"2025-10-22T15:25:03","slug":"abac-sugere-corredor-verde-no-comercio-maritimo-entre-paises-do-mercosul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/abac-sugere-corredor-verde-no-comercio-maritimo-entre-paises-do-mercosul\/","title":{"rendered":"Abac sugere corredor verde no com\u00e9rcio mar\u00edtimo entre pa\u00edses do Mercosul"},"content":{"rendered":"<p>O diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cabotagem (Abac), Luis Fernando Resano, apresentou na \u00faltima quinta-feira (15) a proposta de cria\u00e7\u00e3o de um corredor verde do transporte mar\u00edtimo entre os pa\u00edses do Mercosul, com uso de combust\u00edveis menos poluentes, como biodiesel e, principalmente, etanol. A sugest\u00e3o foi feita durante reuni\u00e3o da Comiss\u00e3o de Especialistas em Transporte Mar\u00edtimo (CETM), que integra o Subgrupo de Trabalho n\u00ba 5 (SGT-5) do grupo de pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, e que foi organizada pelo Minist\u00e9rio de Portos e Aeroportos (MPor).<\/p>\n<p>Ele ressaltou que a proposta ainda \u00e9 embrion\u00e1ria e deve ser formatada para ser apresentada na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do grupo no primeiro semestre de 2026 no Paraguai, pa\u00eds que assumir\u00e1 a presid\u00eancia tempor\u00e1ria do bloco, substituindo o Brasil. O objetivo, explicou, \u00e9 criar crit\u00e9rios que sejam compat\u00edveis com as exig\u00eancias para descarboniza\u00e7\u00e3o estipuladas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional (IMO, na sigla ingl\u00eas) e que sejam economicamente vi\u00e1veis para as empresas de navega\u00e7\u00e3o, principalmente as de cabotagem.<\/p>\n<p>Para isso, a estrat\u00e9gia \u00e9 procurar os setores que podem ser envolvidos no projeto de criar linhas de transporte mar\u00edtimo mais sustent\u00e1vel, com menos emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (GEE). Entre eles, Resano citou \u00f3rg\u00e3os de governo, como o pr\u00f3prio MPor e o Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), al\u00e9m de empresas que produzem biodiesel e a Petrobras, principal distribuidora de combust\u00edveis do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Segundo Resano, entre os obst\u00e1culos a superar est\u00e3o a produ\u00e7\u00e3o insuficiente de biocombust\u00edvel para atender \u00e0 frota brasileira de navios mercantes, a falta de uma rede de distribui\u00e7\u00e3o que permita o abastecimento das embarca\u00e7\u00f5es nos portos e a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o dos motores dos navios para receber etanol. S\u00e3o quest\u00f5es que ele definiu como priorit\u00e1rias para que se possa pensar em ter um corredor verde no com\u00e9rcio mar\u00edtimo no continente. A elas se junta a dificuldade de empenho de todos os pa\u00edses do Mercosul na busca de solu\u00e7\u00f5es comuns.<\/p>\n<p>No caso da produ\u00e7\u00e3o de biodiesel, ele adiantou que j\u00e1 est\u00e3o sendo iniciadas conversas com produtores de soja e do combust\u00edvel dela derivado para mostrar o potencial de mercado e as possibilidades de ganhos para quem investir no segmento. \u201cTemos feito contatos com produtores de biodiesel para pedir aten\u00e7\u00e3o ao setor mar\u00edtimo\u201d, disse Resano.<\/p>\n<p>O diretor-executivo da Abac garantiu que o aumento da produ\u00e7\u00e3o do biodiesel n\u00e3o causaria nenhuma perda aos exportadores de soja porque o combust\u00edvel \u00e9 obtido pelo esmagamento do gr\u00e3o e que o farelo resultado pode ser aproveitado, e exportado, para ser usado como ra\u00e7\u00e3o animal. \u201cA produ\u00e7\u00e3o do biodiesel n\u00e3o afeta a oferta de comida, como alegam os europeus, que n\u00e3o produzem soja e n\u00e3o querem concorr\u00eancia\u201d, garantiu.<\/p>\n<p>Mas, mesmo com aumento da fabrica\u00e7\u00e3o do produto menos poluente, ser\u00e1 preciso superar um obst\u00e1culo que Resano considera ainda mais dif\u00edcil: a distribui\u00e7\u00e3o por todo o pa\u00eds, em portos e demais pontos para abastecimento dos navios. Segundo ele, essa rede n\u00e3o existe hoje, o que, por enquanto, inviabiliza o uso do biodiesel pelas embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor-executivo da Abac, a solu\u00e7\u00e3o poderia vir da Petrobras, que j\u00e1 conta com rede pr\u00f3pria e eficiente de distribui\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel e poderia us\u00e1-la para levar o biodiesel at\u00e9 os consumidores do setor mar\u00edtimo. \u201cSe a Petrobras assumir essa responsabilidade, h\u00e1 possibilidade de que o uso desse recurso se torne poss\u00edvel\u201d, sugeriu.<\/p>\n<p>Ele considera o etanol a melhor op\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel com baixa emiss\u00e3o de GEE, com a ressalva de que seu uso pelas embarca\u00e7\u00f5es exigir\u00e1 adapta\u00e7\u00f5es nos motores e, consequentemente, aumento de custos e de pre\u00e7os do frete. Dessa forma, a alternativa s\u00f3 se tornaria vi\u00e1vel com uma pol\u00edtica de governo para garantir que os que investirem no combust\u00edvel mais limpo n\u00e3o sejam prejudicados com a perda de cargas para outros modais.<\/p>\n<p>Resano entende que, se o setor mar\u00edtimo investir em motores mais sustent\u00e1veis e tiver que repassar custo para pre\u00e7os, pode perder clientes para outros modais, notadamente o rodovi\u00e1rio, muito mais poluente, se esse oferecer fretes mais baratos. \u201cQuem escolhe o transportador \u00e9 o dono da carga, e a maioria escolhe quem cobra menos pelo servi\u00e7o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Ele lembrou que o corredor verde poderia ser ainda uma forma de os transportadores mar\u00edtimos escaparem de taxas que ser\u00e3o cobradas a partir de 2028 pela IMO, que exige a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es at\u00e9 chegar a zero em 2050. E explicou que quem usar o biodiesel \u2018B40\u2019 ter\u00e1 cobran\u00e7a mais que quem usar o \u2018B100\u2019 e quem usar etanol poder\u00e1 ficar isento, por ser o combust\u00edvel que menos polui.<\/p>\n<p>Por isso, a Abac cobra a\u00e7\u00f5es do governo para coordenar todo o processo, estabelecer metas de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o para que o corredor se torne vi\u00e1vel sem onerar as empresas de navega\u00e7\u00e3o e, consequentemente, os donos das cargas e os consumidores finais. \u201cO governo precisa agir para tornar o corredor verde realidade em benef\u00edcio de todos, incluindo o meio ambiente\u201d, defendeu Resano.<\/p>\n<p>A Abac tamb\u00e9m \u00e9 a favor que a quest\u00e3o seja tratada n\u00e3o s\u00f3 como pol\u00edtica de governo, mas como pol\u00edtica de Estado e que todos os \u00f3rg\u00e3o e empresas, inclusive estatais, sejam envolvidos nas discuss\u00f5es e na formata\u00e7\u00e3o da proposta para que possa ser apresentada na pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Mercosul e seja transformada em realidade. \u201cEspero que o Brasil esteja empenhado em criar um corredor verde no transporte mar\u00edtimo no continente\u201d, comentou Resano.<\/p>\n<p>Ele disse acreditar que a Petrobras pode ter papel importante, principalmente na distribui\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na possibilidade de investir na produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis menos poluentes. Mesmo ressaltando que esse n\u00e3o \u00e9 objetivo para qual foi criada, j\u00e1 que \u00e9 uma petroleira, a empresa poderia contribuir e at\u00e9, no futuro aumentar seus ganhos, inclusive com a exporta\u00e7\u00e3o dos produtos, que ser\u00e3o cada vez mais demandados por empresas mar\u00edtimas de todo o mundo para cumprir as metas de descarboniza\u00e7\u00e3o impostas pela IMO.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cabotagem (Abac), Luis Fernando Resano, apresentou na \u00faltima quinta-feira (15) a proposta de cria\u00e7\u00e3o de um corredor verde do&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":61899,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-61898","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61898"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61898\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":61900,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61898\/revisions\/61900"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/61899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}