{"id":61365,"date":"2025-09-23T12:09:38","date_gmt":"2025-09-23T15:09:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=61365"},"modified":"2025-09-23T12:09:38","modified_gmt":"2025-09-23T15:09:38","slug":"pressao-dos-eua-ameaca-plano-global-de-descarbonizacao-do-transporte-maritimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pressao-dos-eua-ameaca-plano-global-de-descarbonizacao-do-transporte-maritimo\/","title":{"rendered":"Press\u00e3o dos EUA amea\u00e7a plano global de descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte mar\u00edtimo"},"content":{"rendered":"<p>O setor mar\u00edtimo global se aproxima de uma virada hist\u00f3rica. Em outubro, a IMO (Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional) deve formalizar o plano de descarboniza\u00e7\u00e3o que prev\u00ea emiss\u00f5es l\u00edquidas zero at\u00e9 2050. Mas o processo, que j\u00e1 mobiliza empresas brasileiras como a Transpetro, enfrenta forte resist\u00eancia dos Estados Unidos, cujo governo amea\u00e7a retaliar pa\u00edses que apoiarem a medida.<\/p>\n<p><strong>As regras da IMO e os impactos no setor<\/strong><br \/>\nA IMO aprovou em abril um acordo ambicioso para reduzir drasticamente as emiss\u00f5es do transporte mar\u00edtimo internacional, respons\u00e1vel por cerca de 3% do total global de CO\u2082. O plano prev\u00ea a obrigatoriedade de padr\u00f5es globais de combust\u00edvel e a implementa\u00e7\u00e3o de um mecanismo de precifica\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Entre as metas definidas est\u00e1 a exig\u00eancia de que combust\u00edveis com emiss\u00e3o zero ou quase zero representem ao menos 5% da energia usada pelo setor at\u00e9 2030, com o objetivo de atingir 10%. As regras se aplicam a embarca\u00e7\u00f5es com arquea\u00e7\u00e3o bruta acima de 5.000 toneladas, que respondem por 85% das emiss\u00f5es do setor.<\/p>\n<p>O plano dever\u00e1 ser adotado formalmente em outubro e entrar em vigor em 2027, impondo desafios t\u00e9cnicos e financeiros \u00e0 frota global. Entre as medidas necess\u00e1rias est\u00e3o retrofitting de embarca\u00e7\u00f5es existentes, uso de biocombust\u00edveis e constru\u00e7\u00e3o de novos navios com tecnologias mais eficientes.<\/p>\n<p><strong>Rea\u00e7\u00f5es da ind\u00fastria e adapta\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong><br \/>\nNo Brasil, empresas j\u00e1 se movimentam para atender \u00e0s exig\u00eancias. A Transpetro, por exemplo, lan\u00e7ou em 2024 o programa TP 25, que prev\u00ea renova\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o da frota do Sistema Petrobras com embarca\u00e7\u00f5es mais eficientes e preparadas para operar com combust\u00edveis alternativos.<\/p>\n<p>Em palestra recente na Fiesp, o gerente executivo Raildo Viana destacou que \u201ca maior parte dos navios novos, entre cinco e nove anos de uso, n\u00e3o atende \u00e0s normas da IMO\u201d. Segundo ele, a solu\u00e7\u00e3o passa por investimentos maci\u00e7os, seja em moderniza\u00e7\u00e3o, seja na constru\u00e7\u00e3o de novas embarca\u00e7\u00f5es j\u00e1 adaptadas \u00e0s exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da press\u00e3o regulat\u00f3ria, h\u00e1 tamb\u00e9m a press\u00e3o comercial. Grandes marcas globais, especialmente aquelas comprometidas com cadeias de suprimentos sustent\u00e1veis, j\u00e1 exigem de parceiros e fornecedores o uso de modais de transporte menos poluentes. Isso significa que, mesmo sem unanimidade na IMO, a adapta\u00e7\u00e3o se tornar\u00e1 inevit\u00e1vel para garantir competitividade no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p><strong>Press\u00e3o pol\u00edtica e cen\u00e1rio internacional<\/strong><br \/>\nApesar do avan\u00e7o t\u00e9cnico e da ades\u00e3o de v\u00e1rios pa\u00edses, o cen\u00e1rio pol\u00edtico ainda \u00e9 incerto. O governo de Donald Trump j\u00e1 se posicionou contra o plano da IMO. Em carta assinada por secret\u00e1rios de Estado, Com\u00e9rcio, Energia e Transportes, Washington afirmou que as regras \u201cbeneficiariam a China\u201d ao encarecer combust\u00edveis e impor barreiras \u00e0s frotas atuais.<\/p>\n<p>Os EUA amea\u00e7aram buscar apoio de outros pa\u00edses para bloquear a medida e n\u00e3o descartaram retalia\u00e7\u00f5es comerciais contra na\u00e7\u00f5es que a apoiarem. Essa postura abriu um impasse diplom\u00e1tico, embora analistas avaliem que a tend\u00eancia \u00e9 de aprova\u00e7\u00e3o do plano pela maioria dos membros da IMO.<\/p>\n<p>O embate reflete um desafio maior: conciliar os compromissos ambientais de longo prazo com os interesses econ\u00f4micos e estrat\u00e9gicos de pot\u00eancias globais. Enquanto isso, pa\u00edses como o Brasil se preparam para um futuro em que a sustentabilidade no transporte mar\u00edtimo deixar\u00e1 de ser opcional para se tornar parte central das cadeias log\u00edsticas globais.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor mar\u00edtimo global se aproxima de uma virada hist\u00f3rica. 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