{"id":61229,"date":"2025-09-15T10:14:08","date_gmt":"2025-09-15T13:14:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=61229"},"modified":"2025-09-15T10:14:08","modified_gmt":"2025-09-15T13:14:08","slug":"brasil-potencia-maritima-o-que-falta-para-transformar-teoria-em-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/brasil-potencia-maritima-o-que-falta-para-transformar-teoria-em-realidade\/","title":{"rendered":"Brasil pot\u00eancia mar\u00edtima? o que falta para transformar teoria em realidade?"},"content":{"rendered":"<p>Desde Alfred Mahan, estrategistas defendem que o mar \u00e9 a chave do poder global. O Brasil, dono de vasto territ\u00f3rio mar\u00edtimo e recursos energ\u00e9ticos estrat\u00e9gicos, parece talhado para esse papel. Mas, entre potencial e pr\u00e1tica, h\u00e1 desafios que ainda impedem o pa\u00eds de se consolidar como pot\u00eancia naval no Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>O potencial mar\u00edtimo brasileiro<br \/>\nO Brasil possui uma das maiores extens\u00f5es de litoral do mundo, com quase 8 mil km de costa. Sua Amaz\u00f4nia Azul abrange mais de 5,7 milh\u00f5es de km\u00b2, \u00e1rea superior \u00e0 da floresta amaz\u00f4nica, e guarda riquezas estrat\u00e9gicas: petr\u00f3leo e g\u00e1s do pr\u00e9-sal, biodiversidade marinha e rotas comerciais que movimentam 95% do com\u00e9rcio exterior nacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o pa\u00eds ocupa posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica privilegiada no Atl\u00e2ntico Sul, um oceano cada vez mais valorizado por sua fun\u00e7\u00e3o como corredor energ\u00e9tico, rota comercial e espa\u00e7o de cabos submarinos que sustentam a internet global. Com tais atributos, o Brasil re\u00fane todos os elementos te\u00f3ricos para ser uma pot\u00eancia mar\u00edtima regional, capaz de projetar poder e garantir soberania.<\/p>\n<p><strong>Os gargalos que limitam o poder naval<\/strong><br \/>\nApesar desse imenso potencial, o Brasil ainda n\u00e3o se consolidou como pot\u00eancia mar\u00edtima. O primeiro grande obst\u00e1culo \u00e9 o or\u00e7amento de defesa, frequentemente insuficiente para sustentar programas estrat\u00e9gicos de longo prazo. Isso resulta em uma frota defasada, com navios antigos em opera\u00e7\u00e3o muito al\u00e9m de sua vida \u00fatil.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 a falta de uma cultura mar\u00edtima nacional. Grande parte da popula\u00e7\u00e3o e mesmo setores pol\u00edticos n\u00e3o percebem o mar como parte vital da soberania e da economia brasileira. Isso limita investimentos e reduz a press\u00e3o social por pol\u00edticas consistentes de defesa naval.<\/p>\n<p>Por fim, a presen\u00e7a brasileira em \u00e1guas internacionais ainda \u00e9 t\u00edmida. Miss\u00f5es de paz, opera\u00e7\u00f5es conjuntas e exerc\u00edcios navais globais s\u00e3o importantes n\u00e3o apenas para treinar, mas tamb\u00e9m para afirmar a posi\u00e7\u00e3o do pa\u00eds no cen\u00e1rio mar\u00edtimo.<\/p>\n<p><strong>O caminho para transformar teoria em realidade<\/strong><br \/>\nApesar das dificuldades, o Brasil tem buscado avan\u00e7ar. O PROSUB (Programa de Desenvolvimento de Submarinos), que inclui a constru\u00e7\u00e3o do primeiro submarino nuclear do pa\u00eds, \u00e9 um marco para a dissuas\u00e3o no Atl\u00e2ntico Sul. As fragatas Classe Tamandar\u00e9 representam a moderniza\u00e7\u00e3o da frota de superf\u00edcie, ampliando a capacidade de defesa antia\u00e9rea e antisubmarino.<\/p>\n<p>Outro passo essencial \u00e9 o SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amaz\u00f4nia Azul), voltado para monitorar em tempo real atividades econ\u00f4micas, il\u00edcitos e amea\u00e7as no mar. Ao lado disso, a diplomacia naval busca refor\u00e7ar a coopera\u00e7\u00e3o com pa\u00edses da \u00c1frica e da Am\u00e9rica do Sul, projetando o Brasil como l\u00edder natural do Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>O que falta \u00e9 transformar esses projetos em uma pol\u00edtica de Estado de longo prazo, blindada de cortes or\u00e7ament\u00e1rios e descontinuidades pol\u00edticas. Somente assim o Brasil poder\u00e1 deixar de ser uma pot\u00eancia mar\u00edtima em teoria e se afirmar como um ator de peso no cen\u00e1rio naval global.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><br \/>\nO Brasil tem mar, recursos e posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica para ser uma pot\u00eancia mar\u00edtima. O que falta \u00e9 const\u00e2ncia e vis\u00e3o estrat\u00e9gica para transformar esse potencial em realidade. Entre a floresta amaz\u00f4nica e a Amaz\u00f4nia Azul, o futuro do pa\u00eds tamb\u00e9m depende de sua capacidade de dominar o Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XXI, ignorar o mar \u00e9 abrir m\u00e3o da soberania. Reconhec\u00ea-lo como prioridade \u00e9 dar o primeiro passo para transformar o Brasil em pot\u00eancia mar\u00edtima de fato.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde Alfred Mahan, estrategistas defendem que o mar \u00e9 a chave do poder global. 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