{"id":60452,"date":"2025-07-28T10:17:21","date_gmt":"2025-07-28T13:17:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=60452"},"modified":"2025-07-28T10:17:21","modified_gmt":"2025-07-28T13:17:21","slug":"no-fundo-do-mar-a-historia-naval-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/no-fundo-do-mar-a-historia-naval-do-brasil\/","title":{"rendered":"No fundo do mar, a hist\u00f3ria naval do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quem imagina a arqueologia apenas como escava\u00e7\u00e3o em terra firme, com pincel na m\u00e3o e tumbas milenares, ainda n\u00e3o conhece o trabalho dos arque\u00f3logos da Marinha do Brasil (MB). Desde 2015, a Diretoria do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Documenta\u00e7\u00e3o da Marinha (DPHDM) mant\u00e9m uma Divis\u00e3o de Arqueologia Subaqu\u00e1tica, respons\u00e1vel pela identifica\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e pesquisa de s\u00edtios arqueol\u00f3gicos localizados em \u00e1guas brasileiras. Para isso, a equipe conta com arque\u00f3logos militares formados em universidades civis, que ingressaram na MB por concurso p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>O dia a dia na Marinha<\/strong><br \/>\nA arqueologia subaqu\u00e1tica permite reconstruir parte importante da hist\u00f3ria mar\u00edtima do Brasil, por meio da investiga\u00e7\u00e3o de naufr\u00e1gios, embarca\u00e7\u00f5es militares, estruturas portu\u00e1rias e outros vest\u00edgios preservados no fundo do mar. Esses achados ajudam a lan\u00e7ar luz sobre epis\u00f3dios nem sempre documentados, como batalhas navais, acidentes, rotas comerciais e at\u00e9 ataques durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Na MB, os arque\u00f3logos atuam de forma integrada e multidisciplinar, combinando conhecimentos de arqueologia, hist\u00f3ria, oceanografia, geotecnologia, mergulho cient\u00edfico e tecnologias digitais, como intelig\u00eancia artificial e modelagem 3D.<\/p>\n<p>Apesar do avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, o mergulho cient\u00edfico tradicional continua sendo essencial em muitos casos. \u201c\u00c9 no contato direto com o s\u00edtio que conseguimos fazer observa\u00e7\u00f5es cruciais\u201d, destaca o Capit\u00e3o-Tenente Demilio, habilitado em Atividade Especial de Mergulho pela Marinha.<\/p>\n<p>A rotina desses profissionais \u00e9 variada e desafiadora: vai desde a an\u00e1lise de processos e o apoio \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o de pesquisas em \u00e1guas jurisdicionais at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o de projetos cient\u00edficos, produ\u00e7\u00e3o de artigos, apresenta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e miss\u00f5es embarcadas.<\/p>\n<p>\u201cComecei na Marinha em fevereiro deste ano e j\u00e1 tive a oportunidade de participar de projetos, apoiar o Ex\u00e9rcito em descobertas arqueol\u00f3gicas e publicar artigos cient\u00edficos\u201d, conta o arque\u00f3logo da Divis\u00e3o de Arqueologia Subaqu\u00e1tica, Primeiro-Tenente (Arque\u00f3logo) Marcelo Rolim Manfrini. \u201cA DPHDM passou recentemente a ser reconhecida como Institui\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia (ICT), o que ampliou nossa atua\u00e7\u00e3o como pesquisadores.\u201d<\/p>\n<p><strong>Atlas de Naufr\u00e1gios e t\u00famulos de guerra<\/strong><br \/>\nCom a recente transforma\u00e7\u00e3o da DPHDM em Institui\u00e7\u00e3o de Ci\u00eancia e Tecnologia, a Divis\u00e3o de Arqueologia Subaqu\u00e1tica passou a incorporar oficialmente a pesquisa cient\u00edfica \u00e0 sua miss\u00e3o, com o desenvolvimento de projetos pr\u00f3prios. Um dos principais \u00e9 o Atlas dos Naufr\u00e1gios de Interesse Hist\u00f3rico da Costa Brasileira, que j\u00e1 catalogou cerca de 2 mil ocorr\u00eancias at\u00e9 1950.<\/p>\n<p>Em 2024, a Marinha liderou a opera\u00e7\u00e3o de localiza\u00e7\u00e3o e imageamento do naufr\u00e1gio. Utilizando tecnologias como sonares de varredura lateral e multifeixe, Ve\u00edculos Operados Remotamente (ROVs) e modelagem digital, a equipe confirmou a posi\u00e7\u00e3o da embarca\u00e7\u00e3o. \u201cFoi um marco, tanto t\u00e9cnico quanto simb\u00f3lico. Mais do que estruturas met\u00e1licas no fundo do mar, o local \u00e9 um espa\u00e7o de mem\u00f3ria, marcado por uma trag\u00e9dia. Por isso, adotamos protocolos de prote\u00e7\u00e3o compat\u00edveis com sua designa\u00e7\u00e3o como \u2018t\u00famulo de guerra\u2019, conforme a Conven\u00e7\u00e3o da UNESCO de 2001\u201d, explica o Capit\u00e3o-Tenente.<\/p>\n<p><strong>Patrim\u00f4nio como instrumento de soberania<\/strong><br \/>\nSegundo os arque\u00f3logos da DPHDM, a arqueologia subaqu\u00e1tica n\u00e3o se limita \u00e0 busca por rel\u00edquias. Ela contribui diretamente para a soberania mar\u00edtima, ao mapear, proteger e valorizar o patrim\u00f4nio cultural presente no mar. Isso inclui naufr\u00e1gios, \u00e2ncoras, armamentos, embarca\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e estruturas portu\u00e1rias.<\/p>\n<p>Para quem sonha em atuar nessa \u00e1rea, eles recomendam forma\u00e7\u00e3o s\u00f3lida em arqueologia, dom\u00ednio de ferramentas digitais e preparo f\u00edsico para atividades de mergulho. \u201c\u00c9 um campo fascinante, mas que exige curiosidade, m\u00e9todo e muito respeito. N\u00e3o estamos falando de ca\u00e7ar tesouros, mas de proteger modos de vida e narrativas que resistem no fundo do mar\u201d, resume o Capit\u00e3o-Tenente Demilio.<\/p>\n<p>Com parcerias firmadas com universidades brasileiras e estrangeiras, como a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a Universidade Federal de Pernambuco, a Universidade Federal do Rio Grande, a Universidade de Lisboa e a Marinha de Portugal, a DPHDM projeta um futuro de maior integra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, expedi\u00e7\u00f5es mais frequentes e maior produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o passado naval brasileiro.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Marinha de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem imagina a arqueologia apenas como escava\u00e7\u00e3o em terra firme, com pincel na m\u00e3o e tumbas milenares, ainda n\u00e3o conhece o trabalho dos arque\u00f3logos da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":60453,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-60452","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60452","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60452"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60452\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60454,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60452\/revisions\/60454"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60453"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60452"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60452"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60452"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}