{"id":60127,"date":"2025-07-08T06:12:43","date_gmt":"2025-07-08T09:12:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=60127"},"modified":"2025-07-07T21:16:13","modified_gmt":"2025-07-08T00:16:13","slug":"marinha-defende-extensao-maritima-sobre-ilha-submersa-estrategica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/marinha-defende-extensao-maritima-sobre-ilha-submersa-estrategica\/","title":{"rendered":"Marinha defende extens\u00e3o mar\u00edtima sobre ilha submersa estrat\u00e9gica"},"content":{"rendered":"<p>A mais de mil quil\u00f4metros da costa do Rio Grande do Sul, uma antiga ilha vulc\u00e2nica submersa volta ao centro das aten\u00e7\u00f5es \u2014 agora como pe\u00e7a-chave na estrat\u00e9gia mar\u00edtima brasileira. A Marinha do Brasil reivindica, junto \u00e0 ONU, o controle sobre a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande, uma forma\u00e7\u00e3o submarina rica em minerais estrat\u00e9gicos e localizada al\u00e9m da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva (ZEE).<\/p>\n<p><strong>Justificativa t\u00e9cnica da Marinha para a reivindica\u00e7\u00e3o da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande<\/strong><br \/>\nA reivindica\u00e7\u00e3o brasileira sobre a Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande tem como base a Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que permite aos pa\u00edses expandirem sua plataforma continental al\u00e9m das 200 milhas n\u00e1uticas, desde que comprovem continuidade geol\u00f3gica com o territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Estudos conduzidos por cientistas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) comprovaram que o solo da Eleva\u00e7\u00e3o possui composi\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 do interior de S\u00e3o Paulo, incluindo camadas de argila vermelha e basalto vulc\u00e2nico. A partir desses dados, a Marinha do Brasil, respons\u00e1vel pela condu\u00e7\u00e3o do pleito junto \u00e0 Comiss\u00e3o de Limites da Plataforma Continental (CLPC) da ONU, apresentou documenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que j\u00e1 foi reconhecida como v\u00e1lida pela entidade internacional.<\/p>\n<p>Desde fevereiro de 2025, o pedido est\u00e1 sob avalia\u00e7\u00e3o da CLPC, e embora n\u00e3o haja um prazo definido para resposta, a sinaliza\u00e7\u00e3o inicial da comiss\u00e3o foi positiva. A \u00e1rea reivindicada, conhecida como Margem Oriental-Meridional, soma 1,5 milh\u00e3o de km\u00b2 \u2014 uma extens\u00e3o consider\u00e1vel, capaz de redefinir os limites mar\u00edtimos brasileiros.<\/p>\n<p><strong>O valor estrat\u00e9gico e econ\u00f4mico dos minerais presentes na forma\u00e7\u00e3o submersa<\/strong><\/p>\n<p>O que faz da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande um territ\u00f3rio t\u00e3o cobi\u00e7ado \u00e9 seu potencial mineral. Estudos apontam que a \u00e1rea possui altas concentra\u00e7\u00f5es de terras raras, um grupo de 17 elementos qu\u00edmicos cruciais para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, fabrica\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares, turbinas e\u00f3licas, baterias de carros el\u00e9tricos e tecnologias militares avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>De acordo com o Minist\u00e9rio de Minas e Energia, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas enfrenta desafios no dom\u00ednio da tecnologia de beneficiamento desses recursos. Isso faz com que ainda exporte grande parte das jazidas como commodities brutas, sem agregar valor. A explora\u00e7\u00e3o futura da Eleva\u00e7\u00e3o, caso autorizada, pode representar uma virada nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das terras raras, a forma\u00e7\u00e3o abriga dep\u00f3sitos de n\u00f3dulos polimet\u00e1licos, cobalto, n\u00edquel e platina, tornando-se alvo de interesse geoecon\u00f4mico n\u00e3o s\u00f3 do Brasil, mas tamb\u00e9m de pot\u00eancias globais que disputam \u00e1reas internacionais no leito oce\u00e2nico.<\/p>\n<p><strong>A geografia e hist\u00f3ria da Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande: uma ilha tropical perdida no tempo<\/strong><\/p>\n<p>A Eleva\u00e7\u00e3o do Rio Grande \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica submersa com cerca de 500 mil km\u00b2, o equivalente ao territ\u00f3rio da Espanha. Localiza-se a cerca de 1.200 km da costa ga\u00facha e a 5 mil metros de profundidade. Imagens captadas por ve\u00edculos submarinos n\u00e3o tripulados (ROVs) revelaram um c\u00e2nion profundo \u2014 o Rifte Cruzeiro do Sul \u2014 que corta a estrutura, com picos superiores a 4 mil metros de altura.<\/p>\n<p>Os estudos indicam que a Eleva\u00e7\u00e3o foi, no passado geol\u00f3gico, uma ilha vulc\u00e2nica tropical coberta por vegeta\u00e7\u00e3o e cercada por recifes. A eros\u00e3o natural e a a\u00e7\u00e3o de sucessivas erup\u00e7\u00f5es levaram ao seu afundamento gradual. A composi\u00e7\u00e3o do solo, com tapetes de argila vermelha espremidos entre camadas de basalto preto, refor\u00e7a essa hip\u00f3tese.<\/p>\n<p>Desde 2018, uma s\u00e9rie de expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas lideradas por universidades brasileiras, como a USP, UERJ, UnB, Unisinos e UFES, v\u00eam mapeando a regi\u00e3o. Al\u00e9m do valor mineral, a Eleva\u00e7\u00e3o \u00e9 um laborat\u00f3rio natural para estudos em biologia marinha, geologia, direito internacional e sustentabilidade oce\u00e2nica.<\/p>\n<p>Fonte: Defesa em Foco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais de mil quil\u00f4metros da costa do Rio Grande do Sul, uma antiga ilha vulc\u00e2nica submersa volta ao centro das aten\u00e7\u00f5es \u2014 agora como&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":60128,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-60127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60127"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60127\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60131,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60127\/revisions\/60131"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}