{"id":60069,"date":"2025-07-04T01:59:06","date_gmt":"2025-07-04T04:59:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=60069"},"modified":"2025-07-04T01:59:06","modified_gmt":"2025-07-04T04:59:06","slug":"transporte-maritimo-impactos-das-crises-geopoliticas-climaticas-e-sanitarias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/transporte-maritimo-impactos-das-crises-geopoliticas-climaticas-e-sanitarias\/","title":{"rendered":"Transporte mar\u00edtimo: impactos das crises geopol\u00edticas, clim\u00e1ticas e sanit\u00e1rias!"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-header\"><\/div>\n<div class=\"article-info-area\">\n<div class=\"article-info-wrapper\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"raxo-before-content\">\n<div class=\"moduletable\">Nos \u00faltimos anos, o transporte mar\u00edtimo de cont\u00eaineres vem sendo profundamente afetado por uma conflu\u00eancia de crises globais que expuseram vulnerabilidades estruturais e ampliaram a volatilidade nos mercados log\u00edsticos.<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>A pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, causou disrup\u00e7\u00f5es sem precedentes nas cadeias de suprimentos globais, provocando fechamento de portos, escassez de m\u00e3o de obra e uma queda abrupta na previsibilidade dos fluxos log\u00edsticos. Dados da UNCTAD (2022) indicam que, entre 2020 e 2021, os custos de frete mar\u00edtimo dispararam em mais de 400% nas principais rotas Leste-Oeste, reflexo da escassez de capacidade (que vinha se reequilibrando ap\u00f3s mais de uma d\u00e9cada de overcapacity e, consequentemente, resultados financeiros ruins que levaram a uma importante onda de consolida\u00e7\u00e3o de armadores em 2016) e ao desbalanceamento dos estoques de cont\u00eaineres vazios.<\/p>\n<p>Em paralelo, eventos geopol\u00edticos, como a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, o fechamento de portos no Mar Negro e as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas aos russos provocaram disrup\u00e7\u00f5es relevantes nos fluxos comerciais de energia entre R\u00fassia e Europa, assim como no com\u00e9rcio global de gr\u00e3os e metais. O Drewry World Container Index mostra que, ap\u00f3s um per\u00edodo de normaliza\u00e7\u00e3o em 2023, os fretes voltaram a subir em 2024, especialmente nas rotas entre \u00c1sia e Europa, devido ao desvio de tr\u00e1fego pelo Cabo da Boa Esperan\u00e7a, ap\u00f3s os ataques dos rebeldes Houltis a embarca\u00e7\u00f5es no Mar Vermelho inviabilizarem a passagem pelo Canal de Suez.<\/p>\n<p>Os eventos clim\u00e1ticos extremos, por sua vez, adicionaram uma camada extra de press\u00e3o sobre a log\u00edstica mar\u00edtima. Secas severas em regi\u00f5es-chave, como o Canal do Panam\u00e1 em 2023, for\u00e7aram restri\u00e7\u00f5es no calado e na quantidade de tr\u00e2nsitos di\u00e1rios, atrasando embarques e aumentando custos. Segundo a Autoridade do Canal do Panam\u00e1, o n\u00famero de passagens di\u00e1rias caiu de 36 para 24 embarca\u00e7\u00f5es, gerando filas de espera superiores a 20 dias em alguns per\u00edodos.<\/p>\n<p>Todos esses fatores t\u00eam colaborado para o crescimento de estudos e an\u00e1lises para uma mudan\u00e7a estrat\u00e9gica nas cadeias de suprimentos globais, tais como: retomada da produ\u00e7\u00e3o local (reshoring), com\u00e9rcio com pa\u00edses vizinhos (nearshoring) e diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores.<\/p>\n<p>Ainda assim, o transporte mar\u00edtimo \u00e9 respons\u00e1vel por mais de 80% do com\u00e9rcio internacional em volume e dever\u00e1 continuar sendo a espinha dorsal do com\u00e9rcio global, mesmo que os choques recentes evidenciem a urg\u00eancia de tornar as cadeias log\u00edsticas globais mais resilientes, \u00e1geis e flex\u00edveis.<\/p>\n<p>Para tanto, muitas publica\u00e7\u00f5es j\u00e1 defendem uma modera\u00e7\u00e3o na estrat\u00e9gia \u201cjust in time\u201d por parte dos embarcadores e, ainda, uma maior ociosidade dos navios e terminais portu\u00e1rios mundo afora. N\u00e3o que os clientes estejam errados em buscar otimizar os seus estoques ou que os armadores e terminais estejam errados em buscar maximizar seus ativos, ao contr\u00e1rio!<\/p>\n<p>Contudo \u00e9 fato que, em um mundo com eventos extraordin\u00e1rios cada vez mais frequentes, intensos e imprevis\u00edveis, a solu\u00e7\u00e3o para minimizar os impactos sobre as cadeias log\u00edsticas talvez passe por repensar as pol\u00edticas de estoque m\u00ednimo e aumentar o n\u00edvel de ociosidade dos navios e terminais portu\u00e1rios, de maneira que possam amortecer essas inesperadas intercorr\u00eancias globais!<\/p>\n<p>As perguntas que se imp\u00f5em s\u00e3o: quem pagaria pelos aumentos nos custos de invent\u00e1rio? E, num setor comoditizado como o transporte mar\u00edtimo internacional, ainda traumatizado pelas perdas decorrentes do excesso de capacidade (2008 a 2018), quem estaria disposto trabalhar com ociosidade nos navios e terminais \u2013 correndo o risco de ver as tarifas \u201cderreterem\u201d como em 2015?<\/p>\n<p>Diante de tamanhas incertezas, a OCDE (2024) declarou que a resili\u00eancia log\u00edstica ser\u00e1, nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, um diferencial competitivo t\u00e3o importante quanto o custo do frete mar\u00edtimo por TEU.<\/p>\n<p><strong>Impactos no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil, mesmo com sua modesta participa\u00e7\u00e3o na movimenta\u00e7\u00e3o internacional de cont\u00eaineres (cerca de 4%), n\u00e3o ficou de fora da volatilidade provocada por essas intercorr\u00eancias internacionais. Por\u00e9m o gr\u00e1fico seguinte demonstra que tais eventos impactaram de maneira diferente os fretes de importa\u00e7\u00e3o da \u00c1sia \u2014 de onde os navios v\u00eam mais cheios e carregados de bens de consumo ou bens de capital \u2014 e os de exporta\u00e7\u00e3o para a \u00c1sia \u2014 para onde os navios viajam com mais ociosidade e carregando commodities.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cdn-pen.nuneshost.com\/images\/250703-tab.jpg\" alt=\"Tabela\" \/><\/p>\n<p><strong>Pandemia<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o \u00cdndice de Fretes da SOLVE, na rota \u00c1sia &lt;-&gt; Am\u00e9rica do Sul os fretes spot de importa\u00e7\u00e3o saltaram de cerca de 100 pontos para um pico de 996 pontos em setembro de 2021 \u2014 quase 10 vezes o valor base registrado em mar\u00e7o de 2019. Enquanto isso os fretes de exporta\u00e7\u00e3o atingiram \u201capenas\u201d 196 pontos no pico de maio de 2022.<\/p>\n<p><strong>Mar Vermelho<\/strong><\/p>\n<p>No final de 2023, os ataques Houthis no Mar Vermelho voltaram a desestabilizar o transporte mar\u00edtimo global e o reflexo por aqui foi imediato. O \u00cdndice de Fretes da SOLVE para importa\u00e7\u00e3o da \u00c1sia voltou a subir, alcan\u00e7ando 615 pontos em julho de 2024.<\/p>\n<p>Uma parcela significativa das importa\u00e7\u00f5es brasileiras vindas da \u00c1sia pegava carona em navios da rota da \u00c1sia para Europa\/Medt\/ECNA, que cruzavam o canal de Suez e foram afetados pelos ataques. Com isso, os armadores aumentaram a capacidade dedicada aos servi\u00e7os diretos entre \u00c1sia e Brasil, o que, por outro lado, pressionou para baixo os fretes de exporta\u00e7\u00e3o do Brasil para a \u00c1sia.<\/p>\n<p><strong>Guerra comercial<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 em 2025, quando o mercado ensaiava um momento de \u201ccalmaria\u201d, as tens\u00f5es comerciais iniciadas pelo presidente Trump contribu\u00edram para nova alta no \u00edndice (446 pontos em julho de 2025), j\u00e1 que inicialmente sobraram navios no mundo \u2014 com os EUA comprando menos os fretes despencaram, e, ap\u00f3s a tr\u00e9gua de 90 dias, muitos navios (incluindo alguns que operavam na rota \u00c1sia &lt;-&gt; Brasil) foram transferidos para o transpac\u00edfico para possibilitar a forma\u00e7\u00e3o de estoques de seguran\u00e7a nos EUA, fazendo os fretes novamente dispararem.<\/p>\n<p>Ou seja, os \u00faltimos anos demonstraram claramente o quanto o transporte mar\u00edtimo est\u00e1 altamente suscet\u00edvel a eventos globais. E de acordo com o relat\u00f3rio da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (World Trade Outlook \u2013 2024), essas incertezas afetam particularmente os pa\u00edses em desenvolvimento, que possuem menor flexibilidade para adapta\u00e7\u00e3o log\u00edstica e tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Estudos da CNI (2023) tamb\u00e9m alertam que essa vulnerabilidade log\u00edstica compromete a competitividade da ind\u00fastria nacional, que depende de insumos e m\u00e1quinas importadas.<\/p>\n<p>Com isso, a li\u00e7\u00e3o para o Brasil parece clara: \u00e9 urgente diversificar fornecedores\/clientes, refor\u00e7ar a infraestrutura log\u00edstica nacional e investir no conhecimento da din\u00e2mica\/fundamentos do transporte mar\u00edtimo, visando planejar melhor seus fluxos log\u00edsticos e mitigar riscos geopol\u00edticos, clim\u00e1ticas, sanit\u00e1rios, entre outros.<\/p>\n<p>Fonte: Informativo dos Portos<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos anos, o transporte mar\u00edtimo de cont\u00eaineres vem sendo profundamente afetado por uma conflu\u00eancia de crises globais que expuseram vulnerabilidades estruturais e ampliaram a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":60070,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-60069","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60069","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60069"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60069\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60071,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60069\/revisions\/60071"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60069"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60069"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60069"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}