{"id":5882,"date":"2014-06-05T08:38:34","date_gmt":"2014-06-05T11:38:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=5882"},"modified":"2014-06-04T22:59:56","modified_gmt":"2014-06-05T01:59:56","slug":"total-ja-tem-projeto-para-retirada-de-gas-em-libra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/total-ja-tem-projeto-para-retirada-de-gas-em-libra\/","title":{"rendered":"Total j\u00e1 tem projeto para retirada de g\u00e1s em Libra"},"content":{"rendered":"<p>Depois de fazer uma ousada aposta no Brasil ao adquirir 20% do campo de Libra no ano passado por US$ 1,4 bilh\u00e3o, a francesa Total est\u00e1 empolgada com o pa\u00eds. Marc Blaizot, vice-presidente mundial de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o da Total, diz que a empresa j\u00e1 discute com os s\u00f3cios Petrobras, Shell e as chinesas CNOOC e CNPC o conceito de desenvolvimento do campo gigante, o primeiro a ser leiloado no pa\u00eds no regime de partilha da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O cons\u00f3rcio j\u00e1 formou um Joint Project Team (JPT) para discutir Libra, cujo primeiro problema a ser resolvido \u00e9 a alta incid\u00eancia de g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2), que em Libra representa 40% de todo o g\u00e1s do reservat\u00f3rio. Segundo o executivo, est\u00e1 prevista a perfura\u00e7\u00e3o de dois po\u00e7os em Libra ainda este ano, que v\u00e3o consumir parte expressiva do or\u00e7amento de US$ 300 milh\u00f5es da companhia para o Brasil em 2014. Isso representa 10% do or\u00e7amento global de explora\u00e7\u00e3o da empresa. A pressa, diz ele, \u00e9 para conhecer o tamanho do campo e a quantidade de \u00f3leo e g\u00e1s depositados ali.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o sabemos o tamanho da reserva, que pode ter de 3 a 12 bilh\u00f5es de barris [recuper\u00e1veis], e, por essa raz\u00e3o, planejamos perfurar dois po\u00e7os em 2014. Um deles est\u00e1 previsto na mesma parte da descoberta e outro na parte central da estrutura, que vemos hoje na s\u00edsmica&#8221;, informou Blaizot.<\/p>\n<p>A estimativa do executivo franc\u00eas \u00e9 mais conservadora do que a da Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), que estima uma reserva variando entre 8 bilh\u00f5es e 12 bilh\u00f5es de barris recuper\u00e1veis de petr\u00f3leo. A meta \u00e9 que em 2017 o campo possa produzir o &#8220;primeiro \u00f3leo&#8221;, como \u00e9 chamado o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o, por meio de um teste de longa dura\u00e7\u00e3o (TLD) para testar o reservat\u00f3rio antes do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o em bases definitivas.<\/p>\n<p>&#8220;Gostar\u00edamos de fazer um piloto, um teste amplo com produ\u00e7\u00e3o de 30 a 40 mil barris por dia para vermos a produtividade do reservat\u00f3rio. Mas tudo isso ser discutido no JPT, espero n\u00e3o estar revelando nenhum segredo&#8221;, brinca o executivo. &#8220;E com esse teste podemos saber o que fazer com o g\u00e1s. Por exemplo, se fizermos um TLD [para produzir] de 50 mil barris de petr\u00f3leo produziremos 5 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de g\u00e1s. E este g\u00e1s n\u00e3o pode ser queimado por causa da polui\u00e7\u00e3o&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>Frisando que o tema ainda ser\u00e1 discutido pelo cons\u00f3rcio, o executivo explicou que a Total tem na Fran\u00e7a um piloto de reinje\u00e7\u00e3o de CO2 em Lacq, no sul da Fran\u00e7a, que poderia ser repetido no Brasil. O projeto franc\u00eas consiste na coleta de CO2 de v\u00e1rias instala\u00e7\u00f5es industriais que \u00e9 transportado at\u00e9 uma usina de separa\u00e7\u00e3o do g\u00e1s metano do g\u00e1s carb\u00f4nico. Depois de separado, 100 mil toneladas de CO2 s\u00e3o injetados em um reservat\u00f3rio j\u00e1 esgotado, que fica a uma profundidade de 4,5 mil metros. O projeto, que \u00e9 piloto e um dos pioneiros na captura de carbono da Europa, custou \u20ac 60 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Pode ser uma boa alternativa para o Brasil, diz Blaizot, apesar de aqui se contar com uma dificuldade adicional que \u00e9 a dist\u00e2ncia de quase 200 quil\u00f4metros do campo, que fica em \u00e1guas ultraprofundas, at\u00e9 a costa.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos trazer o metano e o g\u00e1s carb\u00f4nico juntos at\u00e9 a costa e depois reenviar o CO2 ou tentar fazer a separa\u00e7\u00e3o em barcos. O g\u00e1s carb\u00f4nico pode ser reinjetado em Libra ou enviado para outro campo j\u00e1 esgotado&#8221;, informou Blaizot, mencionando algumas hip\u00f3teses poss\u00edveis.<\/p>\n<p>A Total opera em 50 pa\u00edses e produziu no ano passado 2,3 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia, sendo uma fatia importante em Angola, onde vai come\u00e7ar a explorar uma \u00e1rea do pr\u00e9-sal que tem condi\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas semelhantes \u00e0s da Bacia de Santos. Para o Brasil, a empresa reservou US$ 2 bilh\u00f5es de seu or\u00e7amento at\u00e9 2020 ou 2022. O dinheiro ser\u00e1 consumido n\u00e3o apenas no desenvolvimento inicial de Libra, como tamb\u00e9m na explora\u00e7\u00e3o dos blocos arrematados na 11\u00aa Rodada de Licita\u00e7\u00f5es da ANP, alguns em \u00e1reas de fronteira como as bacias da Foz do Amazonas, Cear\u00e1 e Barreirinhas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de 13 licen\u00e7as para explora\u00e7\u00e3o, a Total tamb\u00e9m \u00e9 operadora do campo de Xerelete, na Bacia de Campos. Ainda \u00e9 s\u00f3cia da Shell no campo Gato do Mato, uma descoberta no pr\u00e9-sal de Santos onde os s\u00f3cios negociam com a Pr\u00e9-Sal Petr\u00f3leo S\/A (PPSA) uma unitiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 que o reservat\u00f3rio se estende al\u00e9m da \u00e1rea de concess\u00e3o, o que significa que parte da reserva pertence \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a reclama\u00e7\u00e3o de algumas empresas a respeito dos custos elevados de produ\u00e7\u00e3o no Brasil, Marc Blaizot foi diplom\u00e1tico. Disse entender que \u00e9 preciso aumentar o conte\u00fado local, salientando que \u00e9 preciso fazer isso contendo os custos o que, admite, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. &#8220;Mas \u00e9 importante para o desenvolvimento do pa\u00eds ter o m\u00e1ximo de desenvolvimento interno&#8221;.<\/p>\n<p>Blaizot observa que o Brasil passa pelo que ele chama de &#8220;fase de inflex\u00e3o&#8221; muito importante, e alerta que &#8220;nem tudo ser\u00e1 poss\u00edvel&#8221;. Mas n\u00e3o v\u00ea problema a\u00ed, lembrando que o mesmo ocorre em outros pa\u00edses onde a Total opera, entre eles o Canad\u00e1 e a Austr\u00e1lia. &#8220;At\u00e9 nos Estados Unidos, pelo boom do g\u00e1s de xisto, tudo aumenta, menos o [pre\u00e7o do] g\u00e1s&#8221;, disse o executivo, lembrando que os produtores americanos ainda n\u00e3o t\u00eam permiss\u00e3o do governo para exportar o g\u00e1s, que por isso tem pre\u00e7os menores do que no mercado internacional.<\/p>\n<p>Eles v\u00e3o tentar exportar, mas deve ser um grande problema pol\u00edtico porque se come\u00e7arem a exportar o pre\u00e7o vai aumentar no mercado interno e talvez o consumidor [americano] n\u00e3o fique t\u00e3o contente com isso.<\/p>\n<p>Incluindo o Brasil, o or\u00e7amento da Total para a Am\u00e9rica Latina este ano \u00e9 de US$ 500 milh\u00f5es. Entre os pa\u00edses da regi\u00e3o, a empresa francesa opera na Bol\u00edvia (\u00e9 s\u00f3cia da Petrobras nos campos de San Alberto e San Antonio, e opera o campo de Itau), Guiana Francesa e Col\u00f4mbia. Na Argentina obteve dez licen\u00e7as para explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s e \u00f3leo de xisto no campo gigante de Vaca Muerta e o plano ali \u00e9 perfurar oito po\u00e7os em dois projetos, uma para explora\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e outro de g\u00e1s.<\/p>\n<p>Blaizot diz que s\u00e3o projetos para definir quanto poderemos produzir atrav\u00e9s desses po\u00e7os. Ele estima que o pre\u00e7o de cada po\u00e7o deve variar entre a faixa de US$ 10 milh\u00f5es e US$ 15 milh\u00f5es para o que chama de uma produ\u00e7\u00e3o &#8220;muito fraca&#8221; se comparada \u00e0 de \u00e1guas profundas. &#8220;A perfura\u00e7\u00e3o de um po\u00e7o para produzir g\u00e1s ou \u00f3leo de xisto \u00e9 dez vezes mais barata do que um po\u00e7o offshore, mas produzimos 50 vezes menos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do pa\u00eds vizinho, a Total explora reservas de xisto na Austr\u00e1lia, China e Estados Unidos.<\/p>\n<p>Fonte: Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de fazer uma ousada aposta no Brasil ao adquirir 20% do campo de Libra no ano passado por US$ 1,4 bilh\u00e3o, a francesa Total&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-5882","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5882","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5882"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5882\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5883,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5882\/revisions\/5883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5882"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5882"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5882"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}