{"id":5768,"date":"2014-05-30T08:14:25","date_gmt":"2014-05-30T11:14:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=5768"},"modified":"2014-05-29T19:34:56","modified_gmt":"2014-05-29T22:34:56","slug":"justica-suspende-implantacao-do-polo-naval-do-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/justica-suspende-implantacao-do-polo-naval-do-amazonas\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a suspende implanta\u00e7\u00e3o do Polo Naval do Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Federal no Amazonas determinou, em car\u00e1ter liminar, a suspens\u00e3o dos efeitos do decreto que declarou de utilidade p\u00fablica \u00e1reas para implanta\u00e7\u00e3o do Polo Naval do Amazonas. Atendendo a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal no Amazonas (MPF\/AM) em a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, a Justi\u00e7a determinou ainda a suspens\u00e3o imediata de todas as medidas referentes ao projeto de implanta\u00e7\u00e3o do Polo Naval, enquanto n\u00e3o for realizada consulta pr\u00e9via, livre e informada das comunidades tradicionais ribeirinhas que vivem na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, o MPF\/AM aponta que a \u00e1rea a que se refere o Decreto n\u00ba 32.875\/2012, que desapropria os terrenos para a implanta\u00e7\u00e3o do empreendimento, impactar\u00e1 fam\u00edlias de, pelo menos, 19 comunidades tradicionais ribeirinhas que vivem na regi\u00e3o do Lago do Puraquequara e \u00e0 margem esquerda do rio Amazonas.<\/p>\n<p>O decreto foi publicado em 10 de outubro de 2012 pelo Estado do Amazonas, sem que fossem realizadas consultas p\u00fablicas \u00e0s comunidades tradicionais que vivem na regi\u00e3o quanto ao empreendimento. A aus\u00eancia do procedimento de consulta pr\u00e9via, livre e informada contraria a Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<\/p>\n<p>Em janeiro de 2013, representantes das comunidades tradicionais ribeirinhas Puraquequara, Bela Vista, Col\u00f4nia Ant\u00f4nio Aleixo, S\u00e3o Francisco do Main\u00e3 e Jatuarana, da Comiss\u00e3o de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e da entidade n\u00e3o-governamental &#8216;SOS Encontro das \u00c1guas&#8217;, se reuniram com o MPF e apresentaram relatos sobre a exist\u00eancia de um projeto de constru\u00e7\u00e3o de um polo naval que estava em curso, sobre o qual n\u00e3o tinham sido informados ou consultados. A partir dos relatos e documentos, o MPF\/AM instaurou inqu\u00e9rito civil p\u00fablico para apurar o caso.<\/p>\n<p>O procurador da Rep\u00fablica Julio Jos\u00e9 Araujo Junior afirmou, na a\u00e7\u00e3o, que no termo de refer\u00eancia que embasou o processo administrativo de desapropria\u00e7\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 qualquer previs\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o das comunidades ou mesmo considera\u00e7\u00e3o acerca dos impactos que o empreendimento causar\u00e1 a elas. \u201cAo contr\u00e1rio, o que se verifica \u00e9, al\u00e9m da desapropria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas, a previs\u00e3o de constru\u00e7\u00e3o de uma &#8216;cidade oper\u00e1ria&#8217;, construindo-se moradias na regi\u00e3o por meio do Programa &#8216;Minha Casa, Minha Vida&#8217;\u201d, declarou o procurador.<\/p>\n<p>Implanta\u00e7\u00e3o ilegal e ileg\u00edtima \u2013 Na decis\u00e3o liminar, a Justi\u00e7a Federal acolheu os argumentos do MPF, destacando que a aus\u00eancia de consulta pr\u00e9via e livre e consentimento claro das comunidades tradicionais envolvidas no Polo Naval torna a implanta\u00e7\u00e3o do mesmo ilegal e ileg\u00edtima. De acordo com a decis\u00e3o, \u201celaborar uma consulta depois de decidido e iniciada a implanta\u00e7\u00e3o do empreendimento pelo Estado \u00e9 mera simula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Destaca ainda o surgimento de uma nova modalidade de conflito social na Amaz\u00f4nia Brasileira: a transforma\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria de integrantes de popula\u00e7\u00f5es tradicionais em oper\u00e1rios florestais. Trecho da decis\u00e3o afirma que \u201cn\u00e3o pode a Justi\u00e7a ficar inerte e dar o benepl\u00e1cito para esse quadro incerto e sombrio, onde o principal preju\u00edzo est\u00e1 relacionado ao desaparecimento da identidade social da Amaz\u00f4nia, da cultura de suas popula\u00e7\u00f5es tradicionais, da harmonia desses povos com a floresta e os ciclos da natureza\u201d.<\/p>\n<p>Transfer\u00eancia de im\u00f3veis para o Estado \u2013 A decis\u00e3o liminar determina tamb\u00e9m que a Uni\u00e3o e o Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra) n\u00e3o realizem qualquer transfer\u00eancia de im\u00f3veis de sua titularidade, a qualquer t\u00edtulo, para o Estado do Amazonas, ficando expressamente determinado que n\u00e3o promovam a retirada ou remo\u00e7\u00e3o das comunidades de suas terras durante a tramita\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica, deixando de adotar medidas em favor da implanta\u00e7\u00e3o do Polo ou Complexo Naval.<\/p>\n<p>A medida foi pedida pelo MPF\/AM em raz\u00e3o da realiza\u00e7\u00e3o de tratativas da Secretaria de Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o (SPU), do Comando da 12\u00aa Regi\u00e3o Militar do Ex\u00e9rcito Brasileiro e do Incra com o Estado do Amazonas para a viabiliza\u00e7\u00e3o do empreendimento, inclusive junto \u00e0s comunidades, uma vez que parte da \u00e1rea abrangida pelo decreto de desapropria\u00e7\u00e3o \u00e9 de propriedade da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica continua tramitando na 1\u00aa Vara Federal no Amazonas, sob o n\u00ba 0006962-86.2014.4.01.3200.<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios \/ Com informa\u00e7\u00f5es de assessoria\/portal@d24am.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a Federal no Amazonas determinou, em car\u00e1ter liminar, a suspens\u00e3o dos efeitos do decreto que declarou de utilidade p\u00fablica \u00e1reas para implanta\u00e7\u00e3o do Polo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":5769,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[248,145,67,397,517],"class_list":["post-5768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-amazonas","tag-justica","tag-naval","tag-polo","tag-suspensao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5768"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5770,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5768\/revisions\/5770"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}