{"id":57224,"date":"2025-02-14T11:44:45","date_gmt":"2025-02-14T14:44:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=57224"},"modified":"2025-02-14T11:44:45","modified_gmt":"2025-02-14T14:44:45","slug":"marinha-mercante-busca-solucoes-para-evitar-apagao-maritimo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/marinha-mercante-busca-solucoes-para-evitar-apagao-maritimo\/","title":{"rendered":"Marinha Mercante busca solu\u00e7\u00f5es para evitar apag\u00e3o mar\u00edtimo"},"content":{"rendered":"<p>As empresas envolvidas na\u00a0navega\u00e7\u00e3o de cabotagem\u00a0acreditaram ter dado um ultimato na Marinha. Ap\u00f3s press\u00e3o no\u00a0Congresso Nacional, a\u00a0LDO (Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias)\u00a0incluiu os gastos com o EPM (Ensino Profissional Mar\u00edtimo) como despesas obrigat\u00f3rias em 2025.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00a0Marinha\u00a0sempre joga a culpa no or\u00e7amento. Se o problema era esse, tentamos resolver&#8221;, afirma Lu\u00eds Fernando Resano, diretor-executivo da ABAC (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Armadores de Cabotagem).<\/p>\n<p>Os investimentos, em teoria, financiariam a forma\u00e7\u00e3o de mais oficiais e diminuiriam uma defasagem que preocupa a\u00a0Marinha Mercante nacional. Se nada mudar, em breve, vai faltar m\u00e3o de obra nas embarca\u00e7\u00f5es, acreditam executivos do setor.<\/p>\n<p>Mas o lobby foi em v\u00e3o. O\u00a0presidente Lula, sob o argumento de que a obrigatoriedade reduziria a flexibilidade e liberdade na gest\u00e3o das despesas or\u00e7ament\u00e1rias, vetou o dispositivo.<\/p>\n<div class=\"c-advertising c-advertising--300x250 u-hidden-xs rs_skip\">\n<div id=\"banner-300x250-area-materia\" class=\"c-advertising__banner-area\">Em resposta, a DPC (Diretoria de Portos e Costas), respons\u00e1vel pelo EPM, disse que se a obrigatoriedade fosse mantida, o or\u00e7amento n\u00e3o estaria sujeito a cortes, &#8220;como aconteceu em 2024&#8221;. Mas os resultados desses investimentos seriam percebidos apenas a m\u00e9dio prazo, com &#8220;a evolu\u00e7\u00e3o e a estabiliza\u00e7\u00e3o dos projetos em curso.&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p>Estudo realizado no ano passado e atualizado em janeiro de 2025, realizado pelo CILIP (Centro de Inova\u00e7\u00e3o em Log\u00edstica e Infraestrutura Portu\u00e1ria) e pela Funda\u00e7\u00e3o Vanzolim, estima que, em 2030, haver\u00e1 um rombo de 335 vagas na Marinha Mercante. Isso pode ser ainda pior, se houver demanda das e\u00f3licas offshore. Nesse caso, o n\u00famero pode chegar a 1.343.<\/p>\n<p>O documento diz que estes dados s\u00e3o conservadores e h\u00e1 outros problemas em potencial. A taxa de aposentadoria \u00e9 crescente, com 40% dos profissionais em atividade j\u00e1 pr\u00f3ximos da faixa et\u00e1ria em que poder\u00e3o parar de trabalhar. Cerca de 30 embarca\u00e7\u00f5es podem ficar sem capacidade operacional at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>&#8220;O estudo aponta um d\u00e9ficit crescente de m\u00e3o de obra para os pr\u00f3ximos anos. Com crescimento projetado para o nosso setor e o aumento da frota nacional de navios, entendemos ser essencial investir na amplia\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o de oficiais nas escolas de Marinha Mercante&#8221;, diz Luiza Bublitz, presidente da Alian\u00e7a Navega\u00e7\u00e3o e Log\u00edstica, principal empresa de transporte e log\u00edstica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m argumenta ser necess\u00e1rio explorar a viabilidade de parcerias p\u00fablico-privadas; modernizar e flexibilizar os processos de novas certifica\u00e7\u00f5es e revalida\u00e7\u00f5es; e buscar solu\u00e7\u00f5es para o processo de forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de profissionais, como na transi\u00e7\u00e3o de oficial j\u00fanior para s\u00eanior, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;Em momentos cr\u00edticos como este, todas as partes envolvidas devem unir esfor\u00e7os em prol do setor&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Na segunda-feira (3), os aprovados no concurso do ano passado da EFOMM (Escola de Forma\u00e7\u00e3o de Oficiais de Marinha Mercante) iniciaram as aulas. Os oficiais de n\u00e1utica e de m\u00e1quinas que trabalham nos navios de bandeira nacional precisam ser formados por essa institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"c-advertising c-advertising--300x250 u-hidden-xs rs_skip\">\n<div id=\"banner-bottom-materia\" class=\"c-advertising__banner-area\">Outra queixa das empresas do setor \u00e9 que os cursos s\u00e3o demorados e que h\u00e1 capacidade ociosa. S\u00e3o tr\u00eas anos de estudos e mais 12 meses de est\u00e1gio embarcado. O tempo n\u00e3o \u00e9 corrido. Valem apenas os dias a bordo.<\/div>\n<\/div>\n<p>A DPC responde ter havido aumento de cerca de 19% de alunos matriculados no primeiro semestre deste ano, em rela\u00e7\u00e3o a 2024: &#8220;Esta diretoria sempre vai perseguir o prop\u00f3sito de oferecer a maior quantidade de vagas poss\u00edvel, entregando \u00e0 sociedade cidad\u00e3os formados como bachar\u00e9is em Ci\u00eancias N\u00e1uticas&#8221;, afirma o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s solicitamos \u00e0 Marinha que abra mais cursos entre 2025 e 2026. H\u00e1 defici\u00eancia no n\u00famero de chefes de m\u00e1quinas. Um oficial de m\u00e1quina leva seis anos para virar chefe. \u00c9 preciso um plano para virar mais chefes, comandantes\u2026 \u00c9 um mercado que pode se tornar atrativo. H\u00e1 vagas e uma demanda alta pela profiss\u00e3o&#8221;, afirma Andr\u00e9a Sim\u00f5es, diretora de gente, cultura e transforma\u00e7\u00e3o digital da Log-In, empresa de solu\u00e7\u00f5es de log\u00edstica integrada.<\/p>\n<p>A navega\u00e7\u00e3o de cabotagem vive cont\u00ednuo crescimento no Brasil, apesar dos gargalos e problemas de infraestrutura nos portos. Entre 2010 e 2023, o volume de carga subiu 59,3%. Relat\u00f3rio da\u00a0Antaq\u00a0(Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios) aponta que este modal movimentou 290,1 milh\u00f5es de toneladas em 2023, sendo 36,9% em cont\u00eaineres. A maior parte, 45%, \u00e9 \u00f3leo carregado pela Petrobras.<\/p>\n<p>S\u00e3o 58 companhias que atuam no Brasil, sendo 11 operadoras donas de 99 navios capazes de transportar 2,5 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<div class=\"c-advertising c-advertising--300x250 u-hidden-xs rs_skip\">\n<div id=\"banner-bottom-materia-2\" class=\"c-advertising__banner-area\">Pela legisla\u00e7\u00e3o, as embarca\u00e7\u00f5es de cabotagem devem ter comandante, chefe de m\u00e1quinas e dois ter\u00e7os da tripula\u00e7\u00e3o brasileiros<\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;N\u00e3o pleiteamos operar navio de cabotagem com estrangeiros. \u00c9 um servi\u00e7o nacional para a economia nacional para gerar emprego e renda. A escola [EFOMM] teria capacidade para formar 700 pessoas por ano. Quantas ser\u00e3o formadas [no futuro pr\u00f3ximo]?&#8221;, questiona Resano.<\/p>\n<p>A DPC diz que o maior n\u00famero de matr\u00edculas registrado foi em 2016 (395 alunos) e que vai admitir neste ano 335. Espera tamb\u00e9m igualar a marca de 395 em 2026. Mas a Marinha ressalta que as instala\u00e7\u00f5es da EFOMM nunca tiveram capacidade para 700 estudantes no primeiro ano.<\/p>\n<p>Existe a preocupa\u00e7\u00e3o no setor tamb\u00e9m com a reten\u00e7\u00e3o dos profissionais. Extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo offshore, g\u00e1s e os projetos de e\u00f3licas t\u00eam tornado a situa\u00e7\u00e3o pior para armadores.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso uma estrat\u00e9gia para manter os profissionais porque o offshore \u00e9 muito agressivo e oferece [sal\u00e1rios] at\u00e9 50% maiores. G\u00e1s, pr\u00e9-sal, petr\u00f3leo, cabotagem\u2026 Sai todo mundo do mesmo balaio. A gente n\u00e3o pode ficar canibalizando e uma empresa tirar o funcion\u00e1rio da outra. \u00c9 preciso uma estrat\u00e9gia de reten\u00e7\u00e3o em todas as frentes&#8221;, diz Andr\u00e9a Sim\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"c-advertising c-advertising--300x250 u-hidden-xs rs_skip\">\n<div id=\"banner-bottom-materia-3\" class=\"c-advertising__banner-area\">Um desejo do setor \u00e9 que exista um atalho: a possibilidade de que profissionais com gradua\u00e7\u00e3o em profiss\u00f5es como engenheiros, ocean\u00f3grafos e meteorologistas possam fazer os cursos de oficiais em menos tempo. Essa estrat\u00e9gia foi adotada pela Marinha no passado para equil\u00edbrio de oferta e demanda de m\u00e3o de obra.<\/div>\n<\/div>\n<p>A DPC garante que isso deve acontecer neste ano, com curso de um ano de Adapta\u00e7\u00e3o para 2\u00ba Oficial de N\u00e1utica, para profissionais que j\u00e1 tenham curso superior. Ap\u00f3s a obten\u00e7\u00e3o de diploma e mais 12 meses embarcados, ser\u00e3o Segundos Oficiais de N\u00e1utica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da reten\u00e7\u00e3o de profissionais, empresas de cabotagem e log\u00edstica t\u00eam investido no aperfei\u00e7oamento de funcion\u00e1rios. A Alian\u00e7a, por exemplo, montou programa de treinamento para tripulantes e desenvolveu, em parceria com o\u00a0SENAI (Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Industrial), treinamentos espec\u00edficos para a tripula\u00e7\u00e3o ap\u00f3s verificar as necessidades a bordo.<\/p>\n<p>Fonte: Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As empresas envolvidas na\u00a0navega\u00e7\u00e3o de cabotagem\u00a0acreditaram ter dado um ultimato na Marinha. 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