{"id":57009,"date":"2025-02-05T11:31:20","date_gmt":"2025-02-05T14:31:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=57009"},"modified":"2025-02-05T11:31:29","modified_gmt":"2025-02-05T14:31:29","slug":"o-que-esperar-do-transporte-maritimo-em-2025","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/o-que-esperar-do-transporte-maritimo-em-2025\/","title":{"rendered":"O que esperar do Transporte Mar\u00edtimo em 2025?"},"content":{"rendered":"<p>O ano come\u00e7ou com uma \u201cexcelente not\u00edcia\u201d para o setor, quando os sindicatos representantes dos trabalhadores (ILA) e dos terminais portu\u00e1rios (USMX) da costa leste e do golfo dos EUA complementaram o acordo de reajuste salarial de 63% (ao longo dos pr\u00f3ximos seis anos), iniciado ap\u00f3s a paralisa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas dias ocorrida em outubro de 2024, com um compromisso dos terminais de reavaliar juntamente com os trabalhadores os planos de investimentos em automa\u00e7\u00e3o das suas opera\u00e7\u00f5es, visando evitar melhorias que possam culminar em perdas de posi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>O apoio do ent\u00e3o presidente eleito, Donald Trump, \u00e0 pauta dos trabalhadores, foi determinante para o fechamento desse acordo, o que certamente evitou um desabastecimento do mercado nos EUA, e, principalmente, um verdadeiro n\u00f3 na log\u00edstica internacional \u2013 renomadas consultorias internacionais estimavam que cada dia de greve poderia gerar uma semana de backlog log\u00edstico.<\/p>\n<p>Se por um lado esse acordo evitou uma nova explos\u00e3o nos custos log\u00edsticos em todo o mundo, por outro lado os usu\u00e1rios dos portos dessa regi\u00e3o (armadores e embarcadores) ter\u00e3o que conviver com custos operacionais mais elevados ao longo dos pr\u00f3ximos seis anos, dado que esses terminais atualmente j\u00e1 n\u00e3o figuram no ranking dos mais eficientes do mundo e, pelos pr\u00f3ximos anos, sequer poder\u00e3o acompanhar a moderniza\u00e7\u00e3o observada em portos de outras regi\u00f5es (notadamente na \u00c1sia).<\/p>\n<p>Outra \u201cexcelente not\u00edcia\u201d j\u00e1 nos primeiros dias de 2025 foi o cessar fogo entre Israel e o Hamas, anunciado pelo ent\u00e3o presidente Joe Biden dias antes de deixar a Casa Branca. Para al\u00e9m das v\u00edtimas fatais de ambos os lados e das quest\u00f5es humanit\u00e1rias que envolvem esse conflito, fato \u00e9 que, ato cont\u00ednuo ao an\u00fancio do cessar fogo, os rebeldes Houthis do I\u00eamen anunciaram que deixar\u00e3o de atacar os navios comerciais que cruzarem no Mar Vermelho (exceto os de Israel), enquanto durar esse acordo. Os rebeldes inclusive libertaram a tripula\u00e7\u00e3o do navio RoRo\u00a0<em>Galaxy Leader<\/em>\u00a0que havia sido sequestrada no in\u00edcio desses ataques em novembro de 2023.<\/p>\n<p>Esses ataques dos Houthis em apoio ao Hamas levaram os armadores a desviar seus enormes navios do Canal de Suez para o Cabo da Boa Esperan\u00e7a no sul da \u00c1frica em algumas das principais rotas do mundo (\u00c1sia &lt;&gt; Europa e \u00c1sia &lt;&gt; Costa Leste dos EUA), o que tem consumido cerca de 13% da capacidade mundial dos navios porta-cont\u00eaineres, n\u00e3o apenas pelas viagens mais longas como tamb\u00e9m pelos congestionamentos gerados em alguns dos principais\u00a0<em>hub ports<\/em>\u00a0do mundo (tais como Cingapura), diante do aumento na quantidade de escalas de navios feeder que passaram a atender os portos da pen\u00ednsula ar\u00e1bica e do oeste do mediterr\u00e2neo outrora atendidos pelos grandes navios que passavam pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o aqui \u00e9 que importantes observadores internacionais, como a Eurasia Group e o pr\u00f3prio presidente Trump, acreditam que esse acordo n\u00e3o deve passar da fase 1 (troca de ref\u00e9ns e ajuda humanit\u00e1ria) e, com isso, os principais armadores v\u00eam anunciando que continuar\u00e3o evitando o Mar Vermelho.<\/p>\n<p>Claro que um eventual retorno dos navios ao Canal de Suez poderia tirar press\u00e3o dos fretes, \u00e0 medida que \u201cdevolveria\u201d ao mercado os mencionados 13% da capacidade, contudo, vale lembrar que os armadores v\u00eam \u201cesticando\u201d a vida \u00fatil de seus navios para atender aos picos de demanda observados desde a pandemia. Desse modo, atualmente, cerca 14% da frota mundial pode ser considerada como sucate\u00e1vel (navios com mais de 20 anos de idade).<\/p>\n<p><strong>Pontos Globais de aten\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAfora as quest\u00f5es geopol\u00edticas, os congestionamentos nos principais portos do mundo (que rapidamente irradiam para outras regi\u00f5es) e o prov\u00e1vel sucateamento de navios, alguns outros fatores j\u00e1 conhecidos que podem influenciar o transporte mar\u00edtimo global em 2025 s\u00e3o:<\/p>\n<ul>\n<li>Phase in\/out das novas alian\u00e7as entre armadores na rotas Leste-Oeste: o fim do 2M (MSC\/Maersk) e o in\u00edcio da Gemini (Maersk\/Hapag) e da Premier Alliance (One\/Hyundai\/YangMing) que ocorrer\u00e3o a partir desse m\u00eas de fevereiro que demandar\u00e1 uma ampla reordena\u00e7\u00e3o na frota desses armadores, podendo gerar um misto de picos e vales nas principais rotas globais, que tendem a causar congestionamentos ao longo dos primeiros meses dessas novas alian\u00e7as;<\/li>\n<li>Demanda Global: se por um lado o crescimento da oferta de capacidade para 2025 est\u00e1 dado (5,7%, ou um incremento de cerca de 2 milh\u00f5es de TEU), ainda h\u00e1 uma s\u00e9rie de inc\u00f3gnitas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 demanda: desacelera\u00e7\u00e3o da Europa, pausa na queda de juros nos EUA, inefic\u00e1cia dos est\u00edmulos econ\u00f4micos na China (que vem registrando um importante aumento em seu endividamento), novas san\u00e7\u00f5es dos EUA \u00e0 R\u00fassia etc.;<\/li>\n<li>Des(Re)globaliza\u00e7\u00e3o: a ascens\u00e3o de medidas protecionistas em muitos pa\u00edses (basicamente sustentada pelo empobrecimento da classe m\u00e9dia, que viu seus empregos migrarem para a \u00c1sia ou serem substitu\u00eddos por m\u00e1quinas e novas tecnologias), tem suscitado discuss\u00f5es e iniciativas como: Reshoring, Nearshoring e Friendshoring, que no limite podem levar a uma ampla reordena\u00e7\u00e3o nos fluxos internacionais de carga e, claro, redund\u00e2ncia de navios;<\/li>\n<li>Fator Trump: apesar de j\u00e1 se saber que existe uma importante diferen\u00e7a entre o que o novo presidente dos EUA publica nas redes socias e o que ele efetivamente faz (vide as promessas de taxar produtos chineses em 60%, que agora j\u00e1 ca\u00edram para 10% e pode, at\u00e9 mesmo, se transformar na assinatura de um acordo bilateral entre as duas maiores pot\u00eancias mundiais), as tens\u00f5es acerca da sobretaxa\u00e7\u00e3o de produtos do M\u00e9xico\/Canad\u00e1, da \u201cretomada\u201d do Canal do Panam\u00e1, da anexa\u00e7\u00e3o da Groenl\u00e2ndia, da deporta\u00e7\u00e3o de imigrantes ilegais, da sa\u00edda do acordo de Paris e da OMS entre outras, podem pressionar a infla\u00e7\u00e3o nos EUA e, consequentemente, no mundo;<\/li>\n<li>Descarboniza\u00e7\u00e3o: Em abril a IMO dever\u00e1 decidir as penalidades para navios que ultrapassarem as metas de emiss\u00e3o por tonelada\/milha transportada, contudo muitos pa\u00edses j\u00e1 est\u00e3o instituindo suas pr\u00f3prias tarifas de emiss\u00e3o de CO2. Dado que ainda n\u00e3o h\u00e1 um \u201ccombust\u00edvel verde\u201d com escala e capilaridade capaz de substituir os derivados de petr\u00f3leo no tanque dos navios, as maneiras que os armadores ter\u00e3o de atender essas normas ser\u00e3o: redu\u00e7\u00e3o da velocidade, aumento do tamanho dos navios, sucateamento de navios pequenos\/ineficientes e repasse das tarifas aos embarcadores.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Pontos Locais de aten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Nem s\u00f3 dos eventos globais se deram as dificuldades vividas por importadores e exportadores brasileiros em 2024. O esgotamento da capacidade de movimenta\u00e7\u00e3o de cont\u00eaineres nos principais portos brasileiros \u2013 que temos alertado desde 2019 \u2013 se tornou ainda mais evidente ap\u00f3s os cancelamentos de escalas\/viagens gerados pelo acidente com um navio na BTP (que fez o terminal operar com dois dos tr\u00eas ber\u00e7os por quase 8 meses) e a importante obra de moderniza\u00e7\u00e3o dos ber\u00e7os da Portonave (que fez o terminal deixar de operar at\u00e9 tr\u00eas navios simultaneamente para operar apenas um por vez).<\/p>\n<p>A \u201cboa not\u00edcia\u201d para 2025 \u00e9 que a BTP n\u00e3o apenas poder\u00e1 operar com todos os ber\u00e7os, como tamb\u00e9m contar\u00e1 com dois novos guindastes (o que deve aumentar sua produtividade\/capacidade) e que a retomada das opera\u00e7\u00f5es em Itaja\u00ed poder\u00e1 compensar parcialmente os efeitos da obra na Portonave, que s\u00f3 deve voltar a plena capacidade em 2026. Ainda assim, ser\u00e1 importante estarmos atentos a:<\/p>\n<ul>\n<li>Forte crescimento da demanda: paradoxalmente, em se mantendo os excelentes n\u00edveis de crescimento de volume registrados em 2024 (cerca de 21% Impo e 13% Expo, conforme dados da Antaq), os portos brasileiros continuar\u00e3o ainda mais pressionados;<\/li>\n<li>Navios continuar\u00e3o crescendo: mais de 60% dos navios que transportam o com\u00e9rcio exterior brasileiro j\u00e1 enfrentam algum tipo restri\u00e7\u00e3o para operar a plena capacidade nos principais portos brasileiros, tendo de repassar aos fretes os custos dessa inefici\u00eancia. O ponto \u00e9 que os navios continuar\u00e3o crescendo de tamanho em busca de economia de escala e redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO2;<\/li>\n<li>Projeto de Lei da Moderniza\u00e7\u00e3o do Portos: Ap\u00f3s o recesso parlamentar o Congresso deve retomar as discuss\u00f5es\/vota\u00e7\u00e3o desse projeto que vem sendo alvo de cr\u00edticas dos sindicatos de trabalhadores que, inclusive, j\u00e1 ensaiaram algumas paralisa\u00e7\u00f5es no final de 2024;<\/li>\n<li>Eventos clim\u00e1ticos: Mesmo que n\u00e3o ocorram eventos clim\u00e1ticos extremos como as trag\u00e9dias vividas ano passado no Rio Grande do Sul e em Manaus, sobretudo com o fim do El Ni\u00f1o e in\u00edcio do La Ni\u00f1a, tendo em vista que muitos portos brasileiros est\u00e3o operando no limite da capacidade, qualquer fechamento de barra por mau tempo pode gerar transtornos outrora rapidamente contornados;<\/li>\n<\/ul>\n<p>Em suma, tudo pode acontecer em 2025 e, portanto, o momento exige um verdadeiro planejamento log\u00edstico com a antecipa\u00e7\u00e3o de planos de conting\u00eancia para muitos poss\u00edveis cen\u00e1rios, visando garantir que eventuais intercorr\u00eancias sejam superadas.<\/p>\n<p>Para tanto, clientes e fornecedores deveriam funcionar em perfeita sintonia, com transpar\u00eancia, previsibilidade (contratos mais longos e com gatilhos justos para ambas as partes) e, sobretudo, flexibilidade para se antecipar \u00e0s r\u00e1pidas mudan\u00e7as observadas nos \u00faltimos anos. \u201cLeil\u00f5es de Frete\u201d e \u201cBookings Fantasmas\u201d tendem a tumultuar ainda mais!<\/p>\n<p>Fonte: Portos e Navios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano come\u00e7ou com uma \u201cexcelente not\u00edcia\u201d para o setor, quando os sindicatos representantes dos trabalhadores (ILA) e dos terminais portu\u00e1rios (USMX) da costa leste&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":57011,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1],"tags":[],"class_list":["post-57009","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=57009"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57009\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":57012,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/57009\/revisions\/57012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/57011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=57009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=57009"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=57009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}