{"id":56629,"date":"2025-01-16T08:10:37","date_gmt":"2025-01-16T11:10:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=56629"},"modified":"2025-01-16T08:10:37","modified_gmt":"2025-01-16T11:10:37","slug":"empurrado-pelo-pre-sal-petroleo-assume-topo-da-pauta-de-exportacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/empurrado-pelo-pre-sal-petroleo-assume-topo-da-pauta-de-exportacoes\/","title":{"rendered":"Empurrado pelo pr\u00e9-sal, petr\u00f3leo assume topo da pauta de exporta\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>O petr\u00f3leo fechou o ano de 2024 como o principal produto da pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, tomando o lugar da soja. As vendas de \u00f3leo bruto de petr\u00f3leo ou de minerais alcan\u00e7aram US$ 44,8 bilh\u00f5es, segundo\u00a0dados divulgados na semana passada pela Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1626734&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1626734&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>O ano de 2024 terminou com o petr\u00f3leo bruto representando 13,3% das exporta\u00e7\u00f5es do Brasil, tomando a lideran\u00e7a da soja que, de 2023 para 2024, viu a participa\u00e7\u00e3o cair de 15,7% para 12,7%. Em 2024, a soja rendeu aos exportadores US$ 42,9 bilh\u00f5es, ante US$ 53,2 bilh\u00f5es de 2023.<\/p>\n<p>O \u00f3leo do pr\u00e9-sal \u00e9 o motor que permitiu o petr\u00f3leo alcan\u00e7ar o topo da pauta exportadora. De acordo com a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis (ANP), de janeiro a novembro \u2013\u00a0\u00faltimo dado dispon\u00edvel, o pa\u00eds produziu 36,9 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo por dia (Mbbl\/d), sendo 71,5% origin\u00e1rios do pr\u00e9-sal. Observando apenas dados do segundo semestre, esse percentual salta para 80,3%.<\/p>\n<h2>Hist\u00f3rico do pr\u00e9-sal<\/h2>\n<p>Descoberto em 2006, o pr\u00e9-sal contribuiu para a soberania energ\u00e9tica do pa\u00eds, possibilitando que o pa\u00eds se mantivesse sem a necessidade de importar \u00f3leo. Al\u00e9m da alta produtividade, os po\u00e7os armazenam um \u00f3leo leve, considerado de excelente qualidade e com alto valor comercial.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o ocorreu no campo de Jubarte, localizado na Bacia de Campos, litoral do sudeste, em 2008. Ao lado da Bacia de Santos, \u00e9 onde se encontram os reservat\u00f3rios, perfurados h\u00e1 uma profundidade de 5 mil a 7 mil quil\u00f4metros. Para se ter uma ideia, 7 mil quil\u00f4metros \u00e9 aproximadamente o ponto mais alto da Cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>Atualmente os campos de Tupi, B\u00fazios e Mero representam 69% da origem do pr\u00e9-sal, segundo a ANP. Os tr\u00eas ficam na Bacia de Santos. O primeiro a produzir o pr\u00e9-sal de Santos foi Tupi, maior ativo em produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, chegando a 1,1 milh\u00e3o de barris por dia no terceiro trimestre de 2024.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-sal se confunde com os anos recentes da Petrobras, estatal que respondeu por 98% da produ\u00e7\u00e3o de pr\u00e9-sal em novembro de 2024, incluindo po\u00e7os operados em cons\u00f3rcio. De toda a produ\u00e7\u00e3o da companhia, cerca de 80% tem origem no pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Dentre as principais empresas petrol\u00edferas que operam em cons\u00f3rcio com a Petrobras figuram, entre outras, as multinacionais Shell (anglo-holandesa), TotalEnergies (francesa) e CNDOC (chinesa).<\/p>\n<p>Segundo a companhia, o pr\u00e9-sal, que deve atingir o pico de produ\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 2030, tem papel estrat\u00e9gico na transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Segundo a estatal, tecnologias desenvolvidas pela Petrobras fazem com que o \u00f3leo extra\u00eddo do pr\u00e9-sal tenha emiss\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO\u00b2) &#8211; um dos causadores do efeito estufa e do aquecimento global &#8211; 70% menor que a m\u00e9dia mundial.<\/p>\n<h2>Geologia<\/h2>\n<p>De acordo com a Petrobras, o pr\u00e9-sal s\u00e3o rochas sedimentares formadas h\u00e1 mais de 100 milh\u00f5es de anos com a separa\u00e7\u00e3o dos atuais Continentes Sul-Americano e Africano. Com essa separa\u00e7\u00e3o, surgiram grandes depress\u00f5es que deram origem a diversos lagos, que mais tarde foram conectados aos oceanos.<\/p>\n<p>&#8220;Nas regi\u00f5es mais profundas desses lagos come\u00e7aram a acumular grandes quantidades de mat\u00e9ria org\u00e2nica de algas microsc\u00f3picas. Esta mat\u00e9ria org\u00e2nica, misturada a sedimentos, formou o que s\u00e3o as rochas que geram o \u00f3leo e o g\u00e1s do pr\u00e9-sal&#8221;, explica o site da companhia.<\/p>\n<p>Por causa do clima \u00e1rido daquele tempo, a evapora\u00e7\u00e3o intensa da \u00e1gua marinha provocou a acumula\u00e7\u00e3o de sais, o que criou a camada do pr\u00e9-sal, uma esp\u00e9cie de prote\u00e7\u00e3o que impedia que o petr\u00f3leo escapasse e chegasse \u00e0 superf\u00edcie&#8221;, completa.<\/p>\n<h2>Tecnologia<\/h2>\n<p>A dist\u00e2ncia dos reservat\u00f3rios de pr\u00e9-sal para a costa e a profundidade foram desafios para a Petrobras encontrar, retirar e transportar o \u00f3leo para o continente, fazendo com que a empresa desenvolvesse tecnologias para romper as dificuldades log\u00edsticas e explorat\u00f3rias. Um exemplo \u00e9 a t\u00e9cnica de processamento que ajudou a mostrar claramente a posi\u00e7\u00e3o da rocha do pr\u00e9-sal.<\/p>\n<p>Na jornada de explora\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o no pr\u00e9-sal, o conjunto de tecnologias desenvolvidas pela Petrobras rendeu \u00e0 estatal pr\u00eamios da Offshore Technology Conference (OTC), esp\u00e9cie de centro de pesquisa de elite mundial para explora\u00e7\u00e3o no mar, nos anos de 2015, 2019, 2021 e 2023.<\/p>\n<p>Uma tecnologia usada no campo de B\u00fazios \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o s\u00edsmica 4D sistem\u00e1tica. \u201cPor meio da emiss\u00e3o de ondas ultrass\u00f4nicas que refletem no reservat\u00f3rio e retornam com dados, conseguimos definir altura, comprimento e profundidade, construindo uma imagem do reservat\u00f3rio\u201d, explica a companhia.<\/p>\n<p>\u201cA partir de levantamentos s\u00edsmicos sistem\u00e1ticos e de estudos para esquadrinhar a configura\u00e7\u00e3o do reservat\u00f3rio, conseguimos decidir os pr\u00f3ximos passos, como onde perfurar determinado tipo de po\u00e7o, alavancando a produ\u00e7\u00e3o e reduzindo custos\u201d, completa.<\/p>\n<p>Entre as tecnologias de destaque atualmente est\u00e3o as que reinjetam o C0\u00b2 resultante da produ\u00e7\u00e3o no pr\u00f3prio reservat\u00f3rio. \u00c9 uma forma de evitar a libera\u00e7\u00e3o de poluente na atmosfera e diminui a \u201cpegada de carbono\u201d da companhia.<\/p>\n<p>Veja\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2023-09\/plataforma-de-petroleo-saiba-como-e-dia-a-dia-na-avenida-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>\u00a0curiosidades sobre uma plataforma de petr\u00f3leo,<\/p>\n<h2>Receitas<\/h2>\n<p>A descoberta do pr\u00e9-sal foi t\u00e3o significativa para o potencial de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo brasileiro que levou o governo a mudar o regime que autorizava as empresas a explorarem a riqueza submersa.<\/p>\n<p>Dessa forma, nas \u00e1reas de pr\u00e9-sal vigora o regime de partilha. Nesse modelo, a produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo excedente (saldo ap\u00f3s pagamento dos custos) \u00e9 dividida entre a empresa e a Uni\u00e3o. Quando \u00e9 realizado o leil\u00e3o que autoriza a explora\u00e7\u00e3o, vence o direito de explorar a companhia que oferece a maior parcela de lucro \u00e0 Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 diferente do modelo de concess\u00e3o (v\u00e1lido no p\u00f3s-sal), quando o risco de investir e encontrar \u2013 ou n\u00e3o \u2013 petr\u00f3leo \u00e9 da concession\u00e1ria, que se torna dona de todo o \u00f3leo e g\u00e1s que venham a ser descoberto. Em contrapartida, al\u00e9m do b\u00f4nus de assinatura ao arrematar o leil\u00e3o, a petrol\u00edfera paga royalties e participa\u00e7\u00e3o especial (no caso de campos de grande produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Junto com o modelo de partilha, foi criada uma estatal, Pr\u00e9-Sal Petr\u00f3leo (PPSA), vinculada ao Minist\u00e9rio de Minas e Energia, que representa a Uni\u00e3o no recebimento das receitas.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2024, a PPSA recebeu R$ 10,32 bilh\u00f5es com a comercializa\u00e7\u00e3o das parcelas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural da Uni\u00e3o em cinco contratos de partilha de produ\u00e7\u00e3o e em um acordo de produ\u00e7\u00e3o no campo de Tupi. O valor \u00e9 cerca de 71% maior do que o arrecadado em 2023 (R$ 6,02 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>De acordo com a estatal, at\u00e9 2034, as proje\u00e7\u00f5es indicam uma\u00a0arrecada\u00e7\u00e3o acumulada de R$ 506 bilh\u00f5es\u00a0para a Uni\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O petr\u00f3leo fechou o ano de 2024 como o principal produto da pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, tomando o lugar da soja. 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