{"id":55693,"date":"2024-12-03T09:27:06","date_gmt":"2024-12-03T12:27:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=55693"},"modified":"2024-12-03T09:27:06","modified_gmt":"2024-12-03T12:27:06","slug":"pesquisadores-farao-circum-navegacao-inedita-na-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/pesquisadores-farao-circum-navegacao-inedita-na-antartica\/","title":{"rendered":"Pesquisadores far\u00e3o circum-navega\u00e7\u00e3o in\u00e9dita na Ant\u00e1rtica"},"content":{"rendered":"<p>Pesquisadores de sete pa\u00edses, liderados pelo Brasil, est\u00e3o prestes a iniciar uma aventura in\u00e9dita: a circum-navega\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtica. Pela primeira vez cientistas dar\u00e3o a volta ao redor de todo o continente congelado do Polo Sul, percorrendo cerca de 14 mil quil\u00f4metros, e coletando amostras de gelo, \u00e1gua e ar, para entender melhor as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e os efeitos da polui\u00e7\u00e3o.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1621911&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1621911&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o zarpou do Rio Grande do Sul no dia 22 de novembro, com 61 cientistas, sendo 27 de nove universidades p\u00fablicas brasileiras e o restante da R\u00fassia, China, \u00cdndia, Argentina, Chile e Peru.<\/p>\n<p>O chefe da miss\u00e3o \u00e9 o professor do Centro Polar e Clim\u00e1tico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Jefferson Cardia Sim\u00f5es, uma sumidade em geografia polar, que j\u00e1 esteve na Ant\u00e1rtica uma dezena de vezes.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s estamos visualizando nas duas regi\u00f5es polares, as mais intensas, mais r\u00e1pidas e ampliadas mudan\u00e7as do clima que afetam o nosso cotidiano&#8221;, disse antes da partida, ressaltando a import\u00e2ncia da expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todos est\u00e3o a bordo do navio quebra-gelo do Instituto de Pesquisa \u00c1rtica e Ant\u00e1rtica, da R\u00fassia, uma das poucas embarca\u00e7\u00f5es desse tipo para fins cient\u00edficos. Com mais de 130 metros de comprimento, o navio literalmente consegue quebrar placas de gelo com at\u00e9 2 metros de espessura, dando a possibilidade que os pesquisadores se aproximem o m\u00e1ximo poss\u00edvel da costa.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que eles comecem a circum-navega\u00e7\u00e3o at\u00e9 o dia 4 de dezembro e continuem contornando o continente at\u00e9 o dia 12 de janeiro, quando a expedi\u00e7\u00e3o chega \u00e0 Ilha Rei Jorge, ponto mais pr\u00f3ximo da Am\u00e9rica do Sul, onde est\u00e1 a Esta\u00e7\u00e3o Ant\u00e1rtica Comandante Ferraz, da Marinha do Brasil. Os pesquisadores devem aportar na cidade de Rio Grande, no Rio Grande do Sul, entre os dias 23 e 25 do mesmo m\u00eas.<\/p>\n<p>As equipes de cientistas t\u00eam diversas atribui\u00e7\u00f5es, dentro de tr\u00eas grandes \u00e1reas: o monitoramento das calotas de gelo, a an\u00e1lise do clima do continente e a detec\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos. O grande objetivo \u00e9 entender melhor como o manto de gelo da Ant\u00e1rtica era no passado e como ele est\u00e1 respondendo \u00e0s mudan\u00e7as do clima e a outras a\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos plataformas de gelo flutuando e \u00e9 ali que se rompem os icebergs. S\u00f3 que n\u00f3s j\u00e1 estamos observando, h\u00e1 20 anos, que muitas dessas plataformas est\u00e3o desaparecendo, elas est\u00e3o desintegrando. E o aquecimento do oceano e da atmosfera tamb\u00e9m pode estar lubrificando o manto de gelo da Ant\u00e1rtica, e isso faz com que o manto de gelo v\u00e1 embora. O que isso implica? Em 200, 300 anos, o aumento de 6 a 7 metros no n\u00edvel do mar. Porto Alegre, por exemplo, vai pra debaixo d&#8217;\u00e1gua. \u00c9 uma hip\u00f3tese s\u00e9ria&#8221;, explica o pesquisador Jefferson Cardia.<\/p>\n<p>Um grupo de pesquisadores vai coletar amostras de neve compactada, ou seja, que ca\u00edram anos atr\u00e1s e que ainda guardam informa\u00e7\u00f5es sobre essas \u00e9pocas. Outro vai coletar amostras de \u00e1gua, para medir a concentra\u00e7\u00e3o de micropl\u00e1sticos e demais poluentes. Al\u00e9m disso, o ar do continente ser\u00e1 constantemente analisado para pesquisas atmosf\u00e9ricas, e a expedi\u00e7\u00e3o vai fazer medi\u00e7\u00f5es das calotas polares e icebergs, para medir a velocidade do derretimento das geleiras e como isso pode aumentar o n\u00edvel do mar.<\/p>\n<h2>Parceria cient\u00edfica<\/h2>\n<p>Al\u00e9m dos 61 pesquisadores que estar\u00e3o no navio, h\u00e1 dezenas de outros dando suporte em terra. A professora do Instituto de Geoci\u00eancias da Universidade Federal Fluminense Rosemary Vieira, uma das coordenadoras da equipe da universidade, est\u00e1 em contato constante, por e-mail e WhatsApp, com duas pesquisadoras que integram a expedi\u00e7\u00e3o. Elas t\u00eam a miss\u00e3o de coletar amostras de sedimentos do fundo marinho e que est\u00e3o em suspens\u00e3o. Se as condi\u00e7\u00f5es forem favor\u00e1veis, tamb\u00e9m trar\u00e3o amostras terrestres.<\/p>\n<p>&#8220;Os sedimentos s\u00e3o \u00f3timos arquivos que guardam informa\u00e7\u00f5es dessas mudan\u00e7as, tanto as que est\u00e3o em curso como as que ocorreram no passado. Diversas an\u00e1lises s\u00e3o aplicadas e geram dados sobre as condi\u00e7\u00f5es ambientais e clim\u00e1ticas que podem ter ocorrido milhares de anos atr\u00e1s at\u00e9 o presente&#8221;, explica Rosemary.<\/p>\n<p>Todo esse material pode ajudar a ci\u00eancia a entender qual rumo o planeta est\u00e1 tomando, mas tamb\u00e9m explicar quest\u00f5es que nos afetam hoje. &#8220;Apesar de sua posi\u00e7\u00e3o polar, e aparentemente afastada dos outros continentes, a Ant\u00e1rtica \u00e9 vital para a vida no planeta, e sim, tem impactos sobre a nossa vida cotidiana. Ela \u00e9 um dos principais reguladores clim\u00e1ticos e o que acontece na Ant\u00e1rtica tem reflexo em todo o planeta. Se olharmos o mapa, o continente e a \u00e1rea do gelo marinho t\u00eam contato com todos os oceanos. No Brasil, o regime de chuvas e as temperaturas, que s\u00e3o t\u00e3o importantes na produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e3o diretamente vinculados ao que acontece na Ant\u00e1rtica&#8221;, esclarece a professora da UFF.<\/p>\n<p>De acordo com o coordenador da expedi\u00e7\u00e3o Jefferson Cardia Sim\u00f5es, uma grande li\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi dada. &#8220;A quest\u00e3o da diplomacia da ci\u00eancia. Ou seja, resolver problemas m\u00fatuos, com interesses m\u00fatuos, por uma ci\u00eancia de vanguarda, pela coopera\u00e7\u00e3o internacional. \u00c9 um desafio coordenar cientistas de sete pa\u00edses, com cinco l\u00ednguas diferentes, certamente culturas e h\u00e1bitos diferentes. Mas n\u00f3s podemos trabalhar em conjunto&#8221;.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores de sete pa\u00edses, liderados pelo Brasil, est\u00e3o prestes a iniciar uma aventura in\u00e9dita: a circum-navega\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rtica. 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