{"id":54692,"date":"2024-10-14T07:48:58","date_gmt":"2024-10-14T10:48:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=54692"},"modified":"2024-10-14T07:50:16","modified_gmt":"2024-10-14T10:50:16","slug":"rio-paraguai-registra-minima-historica-em-ano-mais-seco-no-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/rio-paraguai-registra-minima-historica-em-ano-mais-seco-no-pantanal\/","title":{"rendered":"Rio Paraguai registra m\u00ednima hist\u00f3rica em ano mais seco no Pantanal"},"content":{"rendered":"<p>O Rio Paraguai chegou ao seu n\u00edvel mais baixo j\u00e1 medido, segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (SGB), atingindo a marca de 62 cent\u00edmetros abaixo da cota de refer\u00eancia. A s\u00e9rie de medi\u00e7\u00f5es foi iniciada pela Marinha em 1900, no posto\u00a0de Lad\u00e1rio, junto \u00e0\u00a0cidade de Corumb\u00e1 (MS), na fronteira com Porto Quijarro (Bol\u00edvia). A\u00a0m\u00ednima anterior, registrada em 1964, foi de 61 cent\u00edmetros abaixo da cota.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1615266&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1615266&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>A cota padr\u00e3o \u00e9 de 5 metros (m) de profundidade m\u00e9dia, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que j\u00e1 havia feito um alerta sobre o menor n\u00edvel hist\u00f3rico do rio na \u00faltima quarta-feira (9), a partir de medi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias. A esta\u00e7\u00e3o serve como refer\u00eancia para a Marinha na an\u00e1lise das condi\u00e7\u00f5es para navega\u00e7\u00e3o e defini\u00e7\u00e3o de medidas de restri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O Rio Paraguai corre pelos estados de Mato Grosso, onde nasce, e Mato Grosso do Sul, de onde segue para o Paraguai e a Argentina. Suas nascentes s\u00e3o alimentadas por \u00e1guas que v\u00eam da Amaz\u00f4nia, como as do Rio Negro. A\u00a0regi\u00e3o tamb\u00e9m passa por seca hist\u00f3rica. Segundo a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) a Regi\u00e3o Hidrogr\u00e1fica Paraguai ocupa 4,3% do territ\u00f3rio brasileiro, abrangendo parte dos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o que inclui a maior parte do Pantanal mato-grossense, a maior \u00e1rea \u00famida cont\u00ednua do planeta.<\/p>\n<p>Para o\u00a0SGB, a situa\u00e7\u00e3o era esperada desde fevereiro, quando os pesquisadores alertaram sobre a possibilidade de se chegar a uma m\u00ednima hist\u00f3rica na regi\u00e3o. \u201cEssa seca vem sendo observada em raz\u00e3o das chuvas abaixo do normal durante toda esta\u00e7\u00e3o chuvosa, desde outubro de 2023. Por isso, temos alertado sobre esse processo que se desenhava na bacia\u201d, explica o pesquisador Marcus Suassuna na nota da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0Imasul, a queda no n\u00edvel do Paraguai tem implica\u00e7\u00f5es diretas para a economia e para o meio ambiente, afetando turismo e pesca, al\u00e9m do abastecimento de comunidades ribeirinhas. \u02dcEspecialistas associam essa redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica e \u00e0 escassez de chuvas na bacia hidrogr\u00e1fica. O Pantanal, um dos biomas mais fr\u00e1geis e importantes do planeta, est\u00e1 particularmente vulner\u00e1vel a essas mudan\u00e7as, que afetam tanto a biodiversidade quanto as comunidades humanas&#8221;, destaca o instituto em nota.<\/p>\n<h2>Recupera\u00e7\u00e3o lenta<\/h2>\n<p>De acordo com as proje\u00e7\u00f5es do SGB, a recupera\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis na Bacia do Rio Paraguai ser\u00e1 lenta. O n\u00edvel em Lad\u00e1rio (MS) deve ficar abaixo da cota at\u00e9 a segunda quinzena de novembro. \u201cObservamos que o ritmo de descida do rio tem diminu\u00eddo consideravelmente e estava estabilizado desde a \u00faltima segunda-feira (7) em raz\u00e3o dessas primeiras chuvas da esta\u00e7\u00e3o chuvosa. As precipita\u00e7\u00f5es devem continuar, mas n\u00e3o em ritmo muito forte que v\u00e1 contribuir para subidas r\u00e1pidas neste trecho e em toda a bacia\u201d, analisa Suassuna na nota.<\/p>\n<p>A d\u00e9cada tem sido marcada por esta\u00e7\u00f5es chuvosas insuficientes para a recupera\u00e7\u00e3o das reservas. Segundo o SGB, durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa iniciada em outubro de 2023, foi registrado um d\u00e9ficit acumulado de 395 (mil\u00edmetros) mm de chuvas. O total estimado foi de 702 mm, enquanto a m\u00e9dia esperada seria de 1.097 mm. Na d\u00e9cada, considerando o acumulado de 2020 a 2024, o d\u00e9ficit foi de aproximadamente 1.020 mm, valor equivalente ao total de um ano hidrol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Ainda segundo o relat\u00f3rio do SGB, na \u00faltima semana, a Bacia do Rio Paraguai registrou um volume de chuvas de 3 mm. Os rios da regi\u00e3o apresentam n\u00edveis abaixo do normal para este per\u00edodo do ano, com exce\u00e7\u00e3o do Rio Cuiab\u00e1, que apresenta n\u00edvel dentro do esperado. A situa\u00e7\u00e3o do Rio Cuiab\u00e1, por\u00e9m, deve-se \u00e0 regulariza\u00e7\u00e3o das vaz\u00f5es ocasionada pela opera\u00e7\u00e3o da Usina Hidrel\u00e9trica de Manso.<\/p>\n<p>Em Barra do Bugres e Porto Murtinho, o Rio Paraguai alcan\u00e7ou o n\u00edvel mais baixo do hist\u00f3rico de toda a s\u00e9rie de monitoramento das esta\u00e7\u00f5es. O estudo explica que as proje\u00e7\u00f5es utilizadas indicam acumulados de chuva de 27 mm nas pr\u00f3ximas semanas, levando ao in\u00edcio da recupera\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis em C\u00e1ceres, Lad\u00e1rio, Forte Coimbra e Porto Murtinho, al\u00e9m da estabiliza\u00e7\u00e3o em outros locais.<\/p>\n<p>Segundo o Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS), considerando a estimativa para a Energia Natural Afluente (ENA), a Regi\u00e3o Sul deve atingir\u00a0com 86% da M\u00e9dia de Longo Termo (MLT). A\u00a0medida indica a capacidade dos sistemas hidrel\u00e9tricos de gera\u00e7\u00e3o. Para as demais regi\u00f5es, os \u00edndices s\u00e3o os seguintes:\u00a0Norte, com 49% da MLT; Sudeste\/Centro-Oeste, com 45%;\u00a0e Nordeste, com 34%.<\/p>\n<h2>Riscos \u00e0 navega\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A Marinha mant\u00e9m uma s\u00e9rie de alertas para o Rio Paraguai, boa parte indicando piora nas condi\u00e7\u00f5es de navega\u00e7\u00e3o. Em um deles, afirma a necessidade de precau\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. &#8220;Em virtude do r\u00edgido regime de seca observado no Rio Paraguai e o consequente afloramento de bancos de areia e rochas, os navegantes devem redobrar a aten\u00e7\u00e3o, fazendo uso da carta n\u00e1utica em vigor, atentando para o balizamento e mantendo uma velocidade segura.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, antes de iniciar a navega\u00e7\u00e3o, devem consultar o boletim di\u00e1rio de avisos-r\u00e1dio n\u00e1uticos dispon\u00edvel no<em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marinha.mil.br\/chn-6\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site<\/a><\/em>\u00a0do\u00a0Centro de Hidrografia e Navega\u00e7\u00e3o do Oeste,\u00a0a fim de verificar a diferen\u00e7a entre o n\u00edvel do rio e o n\u00edvel de refer\u00eancia da carta n\u00e1utica (nr), eventuais altera\u00e7\u00f5es no balizamento e outros avisos para seguran\u00e7a do navegante.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o tem tr\u00e2nsito constante de barcos desde ao menos o s\u00e9culo 18, estabelecendo importante corredor de integra\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses vizinhos. Hoje \u00e9 uma das seis hidrovias cuja licita\u00e7\u00e3o para concess\u00e3o \u00e0 iniciativa privada est\u00e1 estabelecida como prioridade pela Ag\u00eancia Nacional de Transportes Aquavi\u00e1rios (Antaq), junto com as hidrovias Madeira, Tapaj\u00f3s, Tocantins, Lagoa Mirim e Barra Norte. O projeto visa acelerar o transporte de cargas, especialmente de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e mineral, para beneficiamento e exporta\u00e7\u00e3o, o que deve favorecer o aumento da explora\u00e7\u00e3o desses itens na regi\u00e3o, atividades que levam ao aumento do consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Rio Paraguai chegou ao seu n\u00edvel mais baixo j\u00e1 medido, segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (SGB), atingindo a marca de 62 cent\u00edmetros abaixo da&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1527,"featured_media":54694,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-54692","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54692","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1527"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54692"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54692\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":54695,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54692\/revisions\/54695"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54694"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54692"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54692"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54692"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}