{"id":4991,"date":"2014-04-17T09:19:39","date_gmt":"2014-04-17T12:19:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.sincomam.org.br\/?p=4991"},"modified":"2014-04-17T10:02:31","modified_gmt":"2014-04-17T13:02:31","slug":"forcas-armadas-perdem-seus-cerebros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/forcas-armadas-perdem-seus-cerebros\/","title":{"rendered":"For\u00e7as Armadas perdem seus c\u00e9rebros"},"content":{"rendered":"<p><b><i>Baixos sal\u00e1rios e atraso tecnol\u00f3gico fazem com que 653 oficiais da elite militar do pa\u00eds pendurem as fardas<\/i><\/b><\/p>\n<p>Aos quinze anos, o baiano Victor Dalton j\u00e1 tinha o desejo de seguir a carreira militar. Deixou a casa dos pais em Porto Seguro (BA) e viajou sozinho a Campinas (SP) para ingressar na Escola Preparat\u00f3ria de Cadetes do Ex\u00e9rcito, em 1999. Ap\u00f3s uma passagem na Academia Militar das Agulhas Negras, foi aprovado no vestibular de engenharia da computa\u00e7\u00e3o do Instituto Militar de Engenharia (IME), um dos mais dif\u00edceis do pa\u00eds. \u201cRecebi uma promo\u00e7\u00e3o para o posto de capit\u00e3o quando me formei. Sempre gostei do meu trabalho. Mas, depois que me casei, os gastos aumentaram e eu tive de dar um jeito na situa\u00e7\u00e3o\u201d, conta. Victor tinha onze anos de Ex\u00e9rcito, e pouco mais de um ano de casado, quando decidiu batalhar por outro emprego. Quando passou no concurso para ser analista legislativo na C\u00e2mara dos Deputados, seu sal\u00e1rio triplicou, de pouco mais de 5.000 para 16.000 reais.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do ex-capit\u00e3o ilustra a fuga de c\u00e9rebros que atinge as For\u00e7as Armadas brasileiras. Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, outros 652 oficiais pediram baixa das tr\u00eas For\u00e7as. A debandada aumentou 63% de 2011 a 2013. Esse grupo inclui a elite militar do pa\u00eds, formada em centros de excel\u00eancia, como o IME e o ITA (Instituto Tecnol\u00f3gico da Aeron\u00e1utica). O n\u00famero de engenheiros que deixaram a farda, por exemplo, cresceu 153% e chegou a 92 no ano passado. S\u00f3 no primeiro m\u00eas deste ano, outros onze j\u00e1 abandonaram a carreira militar em busca de sal\u00e1rios maiores na iniciativa privada e de uma ascens\u00e3o profissional mais r\u00e1pida. No total, restam pouco mais de 1.700 engenheiros entre os mais de 500.000 militares brasileiros.<\/p>\n<p>Essa \u201cdeser\u00e7\u00e3o\u201d tem impacto direto em grandes projetos no pa\u00eds com participa\u00e7\u00e3o dos militares, seja porque nenhuma empreiteira se interessou ou porque as empresas contratadas n\u00e3o conseguiram cumprir o contrato. Obras como a constru\u00e7\u00e3o da BR-163 (que liga o Par\u00e1 ao Rio Grande do Sul) e a recupera\u00e7\u00e3o da BR-319 (do Amazonas a Rond\u00f4nia), tocadas por batalh\u00f5es de engenharia do Ex\u00e9rcito, foram paralisadas por problemas operacionais. A primeira apresentou \u201cdefici\u00eancia\u201d no projeto de execu\u00e7\u00e3o, enquanto a segunda teve falhas no estudo do impacto ambiental, de acordo com o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Promessa<\/strong><\/p>\n<p>Uma das promessas da campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010, a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco tornou-se um verdadeiro vexame para a gest\u00e3o petista e para os militares brasileiros. At\u00e9 o projeto b\u00e1sico de um trecho sob responsabilidade do Ex\u00e9rcito, o da Bacia do Nordeste Setentrional, foi considerado deficiente pelo TCU. Para a realiza\u00e7\u00e3o de um projeto hidrovi\u00e1rio no rio, o governo teve de contratar, em 2012, o Ex\u00e9rcito americano.<\/p>\n<p>Outro fator de preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a defesa cibern\u00e9tica brasileira. Embora um centro militar de estudos no setor tenha sido criado em 2012, o pa\u00eds permanece fr\u00e1gil perante os ataques. Apenas no ano passado, os sites da Pol\u00edcia Federal, Senado, IBGE, Minist\u00e9rio dos Esportes, Cultura e Cidades foram atacados e deixados momentaneamente fora do ar. O pr\u00f3prio ministro da Defesa, Celso Amorim, chegou a ressaltar a dificuldade de manter profissionais dentro das For\u00e7as. \u201cPrecisamos ter forma\u00e7\u00e3o de pessoal e garantir que eles continuem trabalhando para n\u00f3s. Frequentemente se ouve sobre algu\u00e9m que era muito bom e foi trabalhar em uma multinacional\u201d, afirmou em novembro.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o salarial \u00e9, de fato, um dos motivos que levam a essa fuga. Em 2000, um capit\u00e3o da Marinha ganhava o equivalente a dezoito sal\u00e1rios m\u00ednimos. Hoje, o poder de compra caiu pela metade. Enquanto isso, a revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e o fen\u00f4meno das start-ups tamb\u00e9m atraem os profissionais mais qualificados para a iniciativa privada. \u201cConforme eu crescia na hierarquia militar, passei a receber atribui\u00e7\u00f5es administrativas. Mas a minha voca\u00e7\u00e3o era trabalhar como pesquisador\u201d, conta o ex-coronel da FAB Nehemias Lacerda. Formado em engenharia pelo ITA, depois de trinta anos na Aeron\u00e1utica ele decidiu abrir sua pr\u00f3pria empresa. Na carteira de clientes em busca de solu\u00e7\u00f5es de engenharia est\u00e3o Embraer, Vale, Votorantim e multinacionais como General Motors, Ford e Philips.<\/p>\n<p>A competi\u00e7\u00e3o entre a carreira militar e a iniciativa privada \u00e9 uma guerra desigual, com enorme vantagem para o campo advers\u00e1rio das For\u00e7as Armadas. Neste ano, o Minist\u00e9rio da Defesa foi o que sofreu o maior corte entre as pastas. O or\u00e7amento caiu de 4,5 bilh\u00f5es em 2013 para 3,5 bilh\u00f5es de reais neste ano. A perspectiva de grandes inova\u00e7\u00f5es vindas dos militares \u00e9 t\u00e3o distante quanto as suas principais realiza\u00e7\u00f5es \u2013 como a primeira transmiss\u00e3o de tel\u00e9grafo no pa\u00eds, em 1851, na Escola Militar do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baixos sal\u00e1rios e atraso tecnol\u00f3gico fazem com que 653 oficiais da elite militar do pa\u00eds pendurem as fardas Aos quinze anos, o baiano Victor Dalton&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1182,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-4991","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1182"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4991"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4992,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4991\/revisions\/4992"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4991"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4991"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sincomam.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4991"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}